Fonte de mergulho, com cobertura em domo, construída no séc. 17.
Fonte coberta de planta retangular simples, com cobertura em canhão com o fecho saliente e rebocada e pintada de branco. Face principal virada a oriente, de acesso ao interior, por portal de verga reta, inscrita em arco de volta perfeita. Adossado ao lado esquerdo, bomba manual em ferro de feitura moderna. INTERIOR com bica em forma de concha que verte para um tanque retangular que se liga a outro, exterior, de dimensões aproximadas e paredes de pedra.
Materiais
Granito, alvenaria parcialmente revestida com argamassa.
Observações
*1 - A transcrição do alvará por Sousa Viterbo: «Eu el Rei faço saber que os officiaes da camara e povo da villa de Alfezirão, coutos de Alcobaça, me reprezentarão por sua petição que em resão das inundações e nateiro do rio que corre pêra a fonte da ditta villa a tinhão quasi perdida em forma que alem de ter mui pouca agua se presumia ser nociua e damno de saúde e se podia mudar e fazer de nouo em outra parte mais assima e juntamente com o vento se entulhava a villa com areas por huma rua junto a hermida do espírito santo, o que se podia evitar com se lhe fazer hum paredão desde o corredor da hermida athe a parede do muro vesinho e os muros do curral do concelho estavão arruinados e necessitavão de reparo, o que tudo custaria cem mil rs, e na dita villa havia dinheiro de sobejos das cisas e de tudo se podião evitar os damnos, pedindome lhe fizesse mercê mandar se fizesse de novo a dita fonte e o muro assim pêra a defensão das areias como do curral do conselho do dinheiro que havia dos sobejos das cisas e visto o que allegarão e informação que se houue pello Prouedor da comarqua de Leiria ouuido aos supplicantes pondo em pregão a obra e dando conta do mais baixo e ultimo lance e constar ser o mais baixo de duzentos mil rs, que lançara Antonio Roìz, mestre das obras de Nossa Senhora da Nazereth, hei por bem que se faça a obra referida dos sobejos das cisas no mais baixo lanço como os supplicantes pedem e este alvara se cumprira como nelle se conthem e pagarão de nouos direitos quinhentos e quarenta reaes, que se carregarão ao thesoureyro delles a folhas cento settenta e nove verso do liuro terceiro de sua receita. Luis Godinho de Nisa o fez em Lisboa a onse de Abril de seis centos e oitenta e sínco Joseph Fagundes Pereira, o fis escreuer. Rei». VITERBO, Sousa (coordenação de), Diccionario historico e documental dos architectos, engenheiros e constructores portuguezes ou a serviço de Portugal, volume II, pp. 386-387 Lisboa, Imprensa Nacional, 1904. *2 - Miguel Portela (PORTELA, 2016) reuniu diligentemente dados documentais que permitem delinear com alguma segurança a biografia e a carreira de António Rodrigues de Carvalho. Residente em Coimbra, no burgo de Celas, freguesia da Sé da cidade de Coimbra, exerceu na cidade o ofício de pedreiro. A sua chegada a Alcobaça pode ter ocorrido um pouco antes de 1678, mas é neste ano, de 8 de Abril, que o assento de óbito da sua filha Maria, que é sepultada na igreja de Nossa Senhora da Conceição em Alcobaça, se refere a António Rodrigues como mestre pedreiro, e só dois anos depois, segundo Miguel Portela, surge a primeira indicação segura de que ele é mestre-de-obras no Real Mosteiro de Alcobaça, onde dirigiu as obras de renovação do mosteiro (dormitórios, frontispício, Colégio da Conceição). Residindo em Alcobaça com a sua família, o seu óbito é estimado por volta de 1705 (PORTELA, 2016).