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Mosteiro de Alcobaça

Mosteiro de Alcobaça

O ponto de interesse Mosteiro de Alcobaça encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Alcobaça e Vestiaria no municipio de Alcobaça e no distrito de Leiria.

Abadia cisterciense, de influência predominantemente borgonhesa, construída segundo o plano-tipo da casa-mãe dos monges fundadores: a articulação da igreja com os edifícios regulares medievais reproduz, invertida, a planta da abadia cisterciense de Claraval II, incluindo as grandes dimensões da igreja, com planta basilical em cruz latina de 3 naves e 12 tramos, mas com os anexos monacais a norte, devido ao sentido dos cursos de água. Trata-se da primeira edificação totalmente gótica erguida em Portugal. A proporção das naves, a composição dos pilares e das mísulas em que assentam os arcos torais quebrados e as nervuras cruzadas (primeiras em Portugal) da nave central, postas a certa altura do solo para permitir o encosto dos cadeirais que compartimentavam o espaço transversalmente é também característica das igrejas da Ordem, por necesidade de separação das diferentes comunidades (monges de coro, conversos, doentes, etc.). A elevação das naves laterais quase à altura da central, constitui elemento singular nos edifícios da Ordem, servindo as primeiras de contraforte à central e com função de corredores de circulação dos monges (espaço de serventia), protegidos pela cortina óptica formada pelos pilares, de grande secção e muito próximos, que impedem a visualização das colaterais. Os três tipos de mísulas permitem balizar as distintas campanhas de construção medieval e referenciam o local ocupado pelo coro dos frades, dos enfermos e dos conversos. O transepto aparenta 3 naves, mas na realidade tem 2 separadas por pilares, caso raro nesta Ordem e no Gótico, pois a E. surgem capelas que foram fechadas longitudinalmente por paredes lançadas a partir dos segundos pilares. Segundo Cocheril a cabeceira, dotada de deambulatório com capelas radiantes, segue a planta-tipo cisterciense de Claraval III. No frontispício subsiste o portal gótico de arquivoltas quebradas, sendo barroco o coroamento com predomínio de volutas. Portal da Sacristia manuelino, em arco conopial imitando plasticamente dois troncos podados com ramagens. O Claustro de D. Dinis mantém no 1º registo alguns vestígios da construção primitiva, sendo notórias várias campanhas de obras e restauros que lhe conferiram multiplicidade de formas e gramáticas decorativas. O formulário arquitectónico de Alcobaça reflectiu-se em Santa Clara-a-Velha de Coimbra e é um dos casos em que a arquitectura monástica influenciou pontualmente a arquitectura episcopal: o Claustro de D. Dinis, o mais importante da época, influenciou os das Sés de Coimbra, Lisboa e Évora. O partido adoptado no último registo da fachada O. (barroco) foi posteriormente repetido nas abadias cistercienses de Bouro, Salzedas e Seiça. O Refeitório segue a tipologia cisterciense, sendo perpendicular ao Claustro e não paralelo, como em São Bentol. A Sala dos Túmulos é considerada a 1ª experiência construtiva neogótica em Portugal.

Complexo monacal de planta irregular, composta por igreja de planta longitudinal em cruz latina com 3 naves, transepto de 2 naves e com 4 capelas rectangulares e cabeceira formada por ábside semi-circular, deambulatório e 9 capelas radiantes de planta trapezoidal irregular inscritas no hemicículo; a O., flanqueando a igreja, 2 longos corpos transversais rectangulares (o da dir. correspondente ao Colégio de Nossa Senhora da Conceição), justapostos perpendicularmente a outros igualmente rectangulares das dependências monacais, formando no seu conjunto quadriláteros a envolver 4 claustros: D. Dinis e Noviços, quadrangulares, D. Afonso VI e Biblioteca, rectangulares; Sacristia, Sala dos Túmulos, Refeitório, Dormitório e Sala dos Monges de planta rectangular; Capela do Relicário octogonal. Volumes articulados com frontispício da igreja de acentuada verticalidade, conjugado com as massas horizontais simétricas dos edifícios laterais e corpos anexos. Coberturas diferenciadas de telhados de 2 águas sobre a Igreja, Claustro de D. Dinis e corpos N. e S. e 4 águas nos corpos a O. e Dormitório, terraço sobre o Lavabo e domo sobre as torres sineiras. Fachada principal da IGREJA: orientada, com 3 registos, dividido em 3 panos por pilastras com capitéis compósitos. Ao centro, portal de 7 arquivoltas quebradas sobre colunelos com capitéis de folhagem; nos panos laterais 2 nichos com estátuas de S. Bento (dir.) e S. Bernardo (esq.) em posições simétricas; remata o 1º registo uma arquitrave com função de varanda, esculpida com grutescos e encimada por 4 estátuas das Virtudes Cardeais sobre peanhas; 2º registo recuado e rasgado ao centro por rosácea e lateralmente por 2 janelões em arco pleno de 2 arquivoltas sobre colunas, emoldurados por arco conopial finalizado em florão; remate em friso de enrolamentos vegetalistas entre cornijas com rosetas; no 3º registo nicho entre volutas com imagem de Nossa Senhora, rematado por frontão aberto de volutas com 2 anjos a ladear cruz, entre as torres sineiras abertas por arcos plenos e delimitadas por pilastras com capitéis compósitos sob cornija volumosa com decoração vegetalista e geométrica. Fachadas laterais: rasgadas por fenestração em arco quebrado ao nível do 2º registo e com diferentes modinaturas: a de N. lisa e a de S. com 10 contrafortes na nave e 3 no topo do transepto; coroamento em platibanda merloada sobre cachorros. Cabeceira: contrafortada por 8 arcobotantes e rematada por merlões. CORPOS LATERAIS: 5 panos de largura desigual intercalados, marcados por pilastras rematadas por pináculos piramidais; 2 registos com janelas rectangulares sob cornija, as do 2º de sacada com varandas de ferro; nos panos periféricos uma galilé com arcada plena e caixa murária rasgada por portas e janelas rectangulares. Do lado S.: fachada da Biblioteca com 4 registos e ático continuado enquadrada por 2 corpos de 2 registos e Sacristia ligada à cabeceira. Fachada N.: corpos alinhados, com muro em talude, contrafortado, seguindo-se pano do Refeitório rematado por frontão interrompido. INTERIOR: espaço fortemente dividido em 3 naves e 12 tramos por pilares cruciformes de grande secção encimados por capitéis de "crochet"; o apoio dos arcos torais, muito salientes, é feito em meias-colunas que terminam em mísulas com 3 perfís diferentes: os 4 pares a E. em campânula, os 6 pares seguintes em cunha e os 2 pares a O. escadeados; as 3 naves possuem alturas quase idênticas, sendo a central muito mais larga que as laterais, iluminadas por janelas a partir dos muros de cinta; cobertura em cruzaria de ogivas apoiada em meias-colunas que, na caixa-murária, descem até ao chão; transepto muito largo de nave dupla separada por pilares, no qual se localizam os túmulos de D. Pedro e D. Inês com os respectivos jacentes ladeados por anjos e as arcas profusamente decoradas com temática figurativa, hagiográfica, bíblica, heráldica, vegetalista e geométrica; na parede E. 4 capelas pseudo-absidais; a N. um óculo cego, 1 porta alta e 1 porta baixa; a S. Porta dos Mortos e rosácea sobre 2 janelas; os braços do transepto são abobadados com cruzaria de ogivas sobre mísulas embebidas nos pilares e o cruzeiro com ogivas que se apoiam em meias-colunas; capela-mor antecedida por arco triunfal quebrado, curta e rodeada por deambulatório a que se acede por 2 arcos quebrados; a parede de topo é vasada por arcada peraltada sobre grossas colunas com capitéis de colchete; cobertura em cruzaria de ogivas no 1º tramo e em concha no 2º, com nervuras salientes que se prolongam em colunelos inferiormente rematados em campânula; as capelas radiantes possuem berços quebrados; a iluminação faz-se com 2 ordens de lumes sobrepostos: 3 janelas e 7 frestas. Ao braço S. do transepto liga-se a SALA DOS TÚMULOS com 3 naves de tramos cobertos com ogivas sustentadas por mísulas em ponta de lápis; na caixa murária 4 arcosólios de 3 arquivoltas plenas sobre colunas coríntias, contendo túmulos epigrafados. A S. da cabeceira ÁTRIO coberto com abóbada polinervada, que comunica com o Jardim das Murtas por porta de moldura recortada, com consolas, encimada por janela em arco rebaixado sob cornija e 2 portais laterais: o da CAPELA DO SENHOR DOS PASSOS, réplica do que lhe fica defonte, em arco conopial vegetalista e com decoração de grutescos nas ombreiras da SACRISTIA NOVA: iluminada por 3 janelas de vergas rectilínias e coberta por tecto de estuque, dá acesso à CAPELA DO RELICÁRIO: revestida de talha com nichos contendo relíquias e coberta por cúpula iluminada por lanternim. CLAUSTRO DE D. DINIS: 2 registos com 4 alas de tramos marcados por contrafortes de andares; no registo inferior arcada rebaixada contendo arcos em número e perfil variáveis: plenos, trilobados e quebrados, simples, duplos e triplos sobre colunas grupadas com capitéis vegetalistas, encimados por óculos; galerias abobadadas com cruzarias de ogivas apoiadas em mísulas; o registo superior abre para a quadra por arcos plenos duplos e triplos sobre colunas assentes no parapeito, inscritos em arcos em asa-de-cesto. A ala S. apresenta 1 edícula saliente, de planta rectangular, que albergava escada e a N. o corpo pentagonal do LAVABO, reforçado por contrafortes nos ângulos, com 2 registos vazados por arcos quebrados simples e duplos no 1º e frestas em arco pleno no 2º; remate em platibanda; no interior tanque de mármore oitavado e cobertura em cúpula nervada com escudo real no fecho. A galeria E. dá acesso ao edifício medieval dos monges, com 2 pisos abobadados onde predominam as cruzarias de ogivas. De S. para N. rasgam-se os arcos plenos dos portais da SACRISTIA MEDIEVAL, iluminada por uma fresta no muro E. e abobadada em berço, e da SALA DO CAPÍTULO, de 4 arquivoltas e ladeado por 2 pares de janelas geminadas que dá acesso ao interior de 3 naves abobadadas com nervuras assentes em 4 pilares fasciculados com capitéis de colchete e em mísulas embebidas na caixa murária, iluminada a E. por 3 janelas; segue-se o PARLATÓRIO, estreito e abobadado em aresta no tramo central e ogivas nos outros, sobre arcos plenos, e a SALA DOS MONGES de 3 naves e 6 tramos abobadados com nervuras de moldura rectangular assentes em 2 filas de 5 colunas sobre patamares; entre estas, uma escada ascende ao DORMITÓRIO dos monges, muito vasto, com 3 naves e 11 tramos, acrescidos de mais 2 no topo SE., que ocupa o andar superior e iluminado por 7 janelas em cada ilharga. Na ala N. portal do antigo CALEFACTÓRIO, de arco pleno assente em 2 colunas, liga à COZINHA, com grande chaminé central aberta, assente em 8 colunas metálicas, 2 lareiras e 2 tanques em mármore; inteiramente revestida de azulejo branco perfilado por friso geométrico em azul; no pavimento um canal com água corrente do rio Alcoa. Segue-se largo portal do REFEITÓRIO, perpendicular ao Claustro, de 3 naves com 5 tramos abobadados com ogivas sobre colunas com capitéis de duplo andar de colchetes e mísulas; iluminado por 2 registos de janelas e óculos, algumas entaipadas; a O. escada de acesso ao púlpito de leitura com 5 arcos aviajados assentes em colunelos. No topo O. da galeria porta da primitiva cozinha dando para o CLAUSTRO DE D. AFONSO VI, de 2 andares. No corpo que se estende até à fachada O. há uma sala rectangular precedida por galeria com 5 arcos; um pequeno claustro, idêntico ao anterior e 2 salas abobadadas em aresta: SALA DAS CONCLUSÕES, de muros muito espessos, iluminada por 4 janelas na parede O., e SALA DOS REIS, dividida em 3 naves por pares de colunas toscanas; as paredes são revestidas por silhares de azulejos figurativos, recortados, sobre a fundação do Mosteiro, encimados por mísulas que sustêm estátuas dos reis até D. José; no piso elevado várias salas da HOSPEDARIA. O CLAUSTRO DOS NOVIÇOS é atravessado por um largo canal (levada) com quadra delimitada a O. pelo edifício medieval dos monges, precedido por terraço com balaustrada, e pelas fachadas das instalações do abade geral e do NOVICIADO: com 3 registos, tendo os 2 inferiores grandes arcadas de volta perfeita que repousam em pilares de secção quadrada, a N. e E., e o 3º piso com um corredor para o qual se abrem as celas. ADEGA: espaço amplo e simples de 3 naves com 5 tramos, com porta e compartimento ao fundo. O CLAUSTRO DA BIBLIOTECA tem disposição idêntica ao dos Noviços, dando acesso à SALA DA BIBLIOTECA, de vastas dimensões, iluminada a S. por 3 fiadas de vãos, 1 óculo e 2 janelas enquadradas pela galeria que corre ao redor.

Materiais

Alvenaria mista rebocada; cantarias de calcário; mármore; estuque; azulejo; ferro; talha dourada; vidro; telha.

Observações

*1 - a Proteção inclui especificamente os túmulos de D. Pedro e D. Inês de Castro; Zona Especial de Proteção conjunta com a Capela de Nossa Senhora do Desterro (v. PT031001010002). *2 Que ocupam o espaço do antigo Rossio da Abadia. *3 Designada por : "O Espelho do Céu".