Arquitetura educativa, do século 20. Escola primária do projeto-tipo Adães Bermudes, mista, de duas salas e duas residências, de planta retangular composta por três volumes escalonados, o central mais alto e de dois pisos, destinado à residência dos dois professores, e os laterais com as salas de aula, antecedidas por vestíbulos, e os alpendres e instalações sanitárias adossados à fachada posterior. O edifício é rasgado, na fachada principal, por vãos em arco abatido no piso inferior, de aduelas calçadas, simples, em tijolo, e pedra de fecho em cantaria, e rectilíneos no superior, com moldura na verga e parte superior da ombreira em cantaria de granito, típico da região nortenha, com pedra de fecho fingida e saliente. O corpo central possui, no piso térreo, duas janelas centrais e duas portas, para individualizar as dependências dos professores, a que correspondem, no superior, quatro janelas; na fachada posterior, surgem nas alas laterais duas portas e janelas rectangulares protegidas por alpendre e no corpo central possui no primeiro piso duas portas e duas janelas e, no segundo, duas janelas iguais às da fachada principal; neste mesmo piso, mas nas fachadas laterais tem dois lumes escalonados com moldura comum. Cada uma das salas de aula possui três amplas janelas em arco abatido, que permitem a iluminação unilateral daquele espaço de estudo. Junto à fachada posterior desenvolve-se amplo pátio, murado, que constituía a zona de recreio.
Planta retangular regular, composta por três corpos, um central quadrangular, flanqueado por dois laterais, retangulares. Volumes articulados por justaposição, com desenvolvimento horizontal, contrastando com o verticalismo do central, com coberturas escalonadas em telhados de quatro águas no corpo central e de três nos corpos laterais. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, percorridas por embasamento ritmado na fachada principal por frestas de arejamento. Fachada principal voltada a O. desenvolvida em três panos escalonados, o central levemente saliente, com friso de cantaria a separar os dois pisos, rasgada regularmente por vãos em arco abatido no piso inferior e retilíneos no superior, assentes em pequena cornija, e todos com bandeira; o pano central, é rasgado, ao nível do piso térreo, por duas janelas de peitoril centrais e dois portais laterais de aduelas calçadas, simples, em tijolo, com pedra de fecho saliente em cantaria e parte superior das jambas também em cantaria; no segundo piso, abrem-se quatro janelas de peitoril, em sobreposição às do piso inferior, com molduras de cantaria na parte superior das jambas, percorrendo as bandeiras, com pedra de fecho saliente, e interligadas por friso; as duas janelas centrais são encimadas por uma cartela epigráfica de granito, moldurada. O corpo lateral direito possui três amplas janelas de peitoril, com molduras semelhantes às do primeiro piso do corpo central e o lateral esquerdo possui para além deste vãos, uma porta ladeada de duas longas frestas e duas janelas, todos os vãos apresentam modinatura semelhante. Fachadas laterais semelhantes, escalonadas, com os alçados correspondentes aos corpos laterais, de um pano e um piso, cegos; as fachadas do segundo piso do corpo central são rasgadas por dois lumes juntos, estreitos e escalonados, com molduras comuns. Fachada posterior com corpo central de dois pisos separados por friso de cantaria, rasgada no primeiro piso por duas portas e duas janelas centrais, sem molduras, e no segundo por duas janelas iguais às da fachada principal; nas alas laterais, rasgam-se duas janelas jacentes, sem moldura, nas casas de banho, e, sob o alpendre, assente em pilares de cantaria, uma porta de verga reta e larga janela horizontal.
Materiais
Estrutura de alvenaria rebocada e pintada e granito; cantaria de granito e placas cerâmicas nas molduras; portas, pavimentos e escadas de madeira; pavimentos cerâmicos e de madeira; estuque pintado nos revestimentos interiores; caixilharias de madeira; vidro simples nas janelas; azulejos nas casas de banho e cozinhas; cobertura exterior de telha cerâmica.
Observações
*1 - O programa preliminar do projeto estabelecia que: deveriam ser apresentadas peças desenhadas à escala 1/100, memória descritiva e justificativa, medição e orçamentos; era apresentado uma listagem de áreas que contemplava um vestiário, uma ou mais salas de aula, pátio com recreio coberto, habitação do professor e instalações sanitárias; requeria-se dimensões para o máximo de 50 alunos por sala, na razão de 1,25 m2 por aluno, sendo o pé direito de 4 m. a 4,5 m.; os pavimentos, de madeira, teriam de ser elevados de 1,5 m. acima do terreno exterior; quanto à iluminação natural, excluíram-se as entradas de luz pelo tecto e exigiam-se janelas rectangulares; considerando-se a hipótese de escolas mistas, tornaram-se obrigatoriamente independentes as salas de aulas, os sanitários e as habitações dos professores e as entradas e vestíbulos; nas condições especiais do programa determinava-se que os projetos considerassem três tipos diferentes de edifícios: escolas com uma sala, para 50 alunos, e habitação para um professor (só rapazes ou só raparigas); escolas com 2 salas para 100 alunos (só para rapazes ou só raparigas) com habitação para professor e ajudante; escolas mistas, com 2 salas, para 100 alunos, com duas habitações para os professores e ajudantes respectivos; como limite para a base orçamental dos edifícios indicava-se 40$000 rs / aluno, especificando-se que a este preço correspondiam alicerces a 1,50 m. de profundidade; recomendava-se pela primeira vez que cada tipo de edifício viesse a ser construído de acordo com as técnicas e materiais próprias de cada zona do país, considerando-se 7 regiões: Minho e Douro, Trás-os-Montes, Beiras, Estremadura, Alentejo, Algarve, Ilhas Adjacentes. *2 - O seu projeto tinha as seguintes características: salas de aula térreas, abrindo 3 grandes janelas para a fachada principal assegurando boa entrada de luz natural e arejamento suficiente; sanitários bem articulados com a sala, sendo possível o seu acesso circulando pelo recreio coberto; o vestíbulo (nalguns casos adaptado e com utilização diferente) permitia que se organizasse uma zona para cuidados de higiene dos alunos (desparasitação, etc.); casa do professor desenvolvida em 2 pisos e sótão, com entradas e janelas sempre sobre a fachada principal; nas escolas com 2 salas, a habitação ocupava a parte central do conjunto; o projecto não incluía desenhos de mobiliário escolar, que seria providenciada pelas Câmaras Municipais.