Quinta de Recreio, renascentista, permanecendo o todo multifuncional lúdico e produtivo num traçado regular. O jardim principal desenvolve-se ao redor de uma fonte, em buxo topiado a desenho geométrico. Regularidade do traçado, grande riqueza decorativa e iconográfica sobretudo ao nível azulejar, património do séc 15 e 16. Segundo CARITA, "O conjunto de azulejaria da Quinta da Bacalhoa é sem dúvida o exemplo mais rico que nos chegou, até hoje, do emprego de azulejaria nos jardins portugueses do Séc. 16"; Os azulejos têm presença em todo o jardim, nomeadamente nos canteiros, nos bancos de jardim e na Casa do Lago; Diminuta área de habitação relativamente à área lúdica exterior, funcionando "loggia", jardim de buxo e pavilhão de fresco, como um espaço uno e indissociável. Importância da paisagem como elemento de composição da quinta. Constitui um dos exemplares mais característico do modelo renascentista de jardim, servindo de modelo para os jardins mais tarde construídos em Portugal.
A quinta está cercada de muros ritmados por quatro cubelos. Topografia e necessidades de rega determinam construção em socalcos (quatro). Contextualização humanista determina a regularidade da organização do espaço. No primeiro socalco, a cota mais elevada, assenta o conjunto PÁTIO de recepção de planta quadrangular (com galeria de arcadas e fonte encostada à parede N. que servia de bebedouro), PALÁCIO (v. IPA.00004085) de planta em "L", JARDIM DE BUXO (de planta quadripartida centralizada por uma taça de água, podendo-se ler a composição formal das sebes do jardim de buxo, da loggia de onde se desfruta também o tapete formado pelo laranjal), percurso que une o edifício ao conjunto arquitectónico CASA DE FRESCO E PAVILHÃO / TANQUE. Segundo socalco, LARANJAL. Terceiro e quarto, VINHA. O sistema de rega nasce no enorme tanque de planta quadrangular, alimentado por gárgula de água, proveniente de nascente na mata localizada a S., é maioritariamente de Acácias e Eucaliptos. Deste tanque partem um conjunto de caleiras regadeiras que acompanham os diferentes desníveis do terreno definidos pelos socalcos, regando os diferentes campos de cultivo. O sistema de percursos reforça a regularidade da composição, desenvolvem-se na continuidade do eixo / percurso casa de fresco, percorrendo toda o perímetro da propriedade, do qual perpendicularmente se desenvolvem os percursos que acompanham o desnível do terreno e outros que dividem os talhões de cultivo. Um conjunto de elementos decorativos, nichos, medalhões, elementos de arquitectura de prazer (bancos, casas de água, casas de fresco - CASA DA ÍNDIA e CASA DAS POMBAS) transformam o percurso em ameno passeio de desfrute e contemplação da quinta e da propriedade. A vegetação surge organizada em Jardim, pomar e Vinha, distribuindo-se segundo os patamares descritos. As sebes constituem-se como planos verticais que revestem os muros e emolduram elementos decorativos, arquitectónicos e escultóricos. Surgem herbáceas nos alegretes que coroam e se adossam a muros. À simplicidade da composição opõe-se a riqueza da decoração. Em todo o percurso encontram-se pontos de paragem cuja ornamentação aumenta à medida que nos aproximamos da casa. Estes pontos desempenham usos variados (estadia, miradouro, funções religiosas). Na parte em que se encontra ligado à casa o pavimento é de tijoleira, o restante (que contorna a área envolvente à vinha) é de saibro, apresentando um carácter mais rural.
Materiais
INERTES: Tijoleira 0,20 m x 0,10 m (jardim formal, caminho de alegretes, envolvente do lago e rua entre o tanque e a casa da Índia); saibro, alvenaria
Observações
A quinta, que só no séc. 17 tomou o nome de Bacalhoa, era conhecida por Quinta de Azeitão. Servirá de modelo para os jardins portugueses dos séc. 17 e 18, em que a casa de fresco e o lago-tanque serão fundamentais. É o monumento mais notável da nossa arte paisagista da primeira metade do séc. 16. Blac, em 1898, permitiu com as suas aguarelas a reconstrução cuidada.