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Quinta Azul

Quinta Azul

O ponto de interesse Quinta Azul encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Santo Antão e São Julião do Tojal no municipio de Loures e no distrito de Lisboa.

Arquitetura agrícola, do século 20. Quinta de produção, de construção antiga, com a casa reconstruída no início do séc. 20, formada por três corpos alinhados e interligados, com frente para o arruamento principal do aglomerado, marcando a entrada O. da localidade. A propriedade encontra-se dividida em quatro parcelas, formadas plea casa, estruturas de apoio e o jardim, um prado natural, uma densa mancha arbórea com olival e bosquete e uma ocupada por pomar.

Conjunto composto por quinta de planta aproximadamente retangular, possuindo um grande eixo central no sentido NO. - SE., marcado por um muro largo em alvenaria de pedra (eventualmente com função de distribuição de água) e um outro eixo transversal a este, que une o mirante ao poço com nora, localizado junto à ribeira, no extremo da propriedade. A propriedade é assim dividida em quatro parcelas: na parcela S. situa-se a casa, estruturas de apoio e o jardim, a parcela N. apresenta um prado natural, a área NO., mais declivosa, possui uma densa mancha arbórea com olival e bosquete de pinheiros-manso, e a parcela SE. é constituída por um pomar. A CASA é composta por dois corpos articulados por um corpo de menores dimensões, formando uma marquise de passagem, todos de planta retangular e de dois pisos, formando frente urbana contínua. Os edifícios dos extremos têm coberturas homogéneas, o do lado esquerdo com três águas e o direito com duas águas. Têm estruturas em alvenaria de pedra e tijolo maciço, com as paredes parcialmente rebocadas e pintadas, percorridas por socos de cantaria, o corpo do lado esquerdo com as fachadas flanqueadas por cunhais de cantaria; ambos rematam em cornijas e platibandas plenas interrompidas por métopas e encimada por urnas cerâmicas. O edifício do lado esquerdo tem a fachada principal virada a SE., com os dois pisos definidos por friso de cantaria lavrada, ondulado, motivo que se repete nos espelhos trabalhados das sacadas. A composição da fachada segue um eixo de simetria central, com o piso térreo composto por quatro janelas de peitoril e quatro portas, todos eles emoldurados a cantaria recortada de calcário. As duas portas localizadas ao centro da fachada têm perfil em arco abatido e fecho com o motivo da folhagem de louro, disposta verticalmente, articulado com duas outras folhas, da mesma planta, embora mais delgadas, decorando superiormente o lintel; as restantes portas e as janelas têm vergas retas ornamentadas por elementos em pedra calcária lavrada com motivo vegetalista, ao centro. O piso superior é composto por dois pares de janelas de sacada corrida com bacias em pedra, apoiadas em quatro mísulas decoradas e protegidas por guardas vazadas, em ferro forjado; tem quatro janelas de peitoril, duas ao centro, no alinhamento vertical das portas principais e uma junto a cada um dos extremos da fachada. O cunhal possui base composta por pedra de soco, sobrepujada de listel, bocel e caveto. A fachada lateral esquerda tem duas janelas em cada piso emolduradas a cantaria, de moldura simples no piso térreo e em arco abatido no piso superior. O corpo do lado direito tem os ângulos apilastrados e a fachada principal marcada por falsas pilastras em massa, estas rematadas superiormente por friso, cornija e platibanda interrompida por métopas. É rasgada por vãos em arcos abatidos com molduras salientes de cantaria em calcário, os correspondentes às portas com pedra de fecho saliente. O primeiro piso tem três portas, o do lado O., de maiores dimensões, surgindo, no superior, quatro janelas de varandim, protegidas por guardas em ferro. A fachada lateral direita é rasgada por dois vãos em arco abatido, correspondentes a porta, com acesso por escada exterior em betão aposta à fachada, que indicia ter sido inicialmente uma janela, e por uma janela de sacada. O corpo central tem cobertura homogénea em telhado de duas águas, funcionando como passadiço coberto entre os corpos laterais. Fachada principal voltada a SE., com o piso térreo rasgado ao centro por porta de grandes dimensões, em arco abatido e emoldurada a cantaria de calcário, com pedra de fecho lavrada, sobrepujada por peça com monograma que se prolonga até ao parapeito em cantaria do piso superior, rematando inferiormente por cinta de cantaria e por cornija no topo. A marquise é fechada por caixilharias de madeira, parcialmente desaparecidas, rematando em friso metálico, assente em consolas do mesmo material *1. INTERIOR não observado.

Materiais

Paredes em alvenaria de pedra e tijolo maciço, rebocadas e pintadas; socos, cunhais, modinaturas, bacias e mísulas das sacadas, parapeito do passadiço em cantaria de calário; portas e janelas em madeira; frisos, mísulas e guardas em ferro; cunhais em massa; coberturas revestidas a telha cerâmica. ÁRVORES: Araucaria (Araucaria heterophylla), cipreste (Cupressus sp.), Eucalipto (Eucaliptus sp.), laranjeira (citrus sinensis), nespereira (Eriobotrya japonica), palmeira-das-canárias (Phoenix canariensis), pessegueiro (Prunus pérsica), pinheiro-manso (Pinus pinea) e tília (Tilia tomentosa); ARBUSTOS: buxo (Buxus sempervirens); TREPADEIRAS: buganvilea (Bougainvillea sp.), glicínea (Wisteria sinensis), hera (hédera hélix), madressilva (Lonicera japónica) e vinha-virgem (Parthenocissus quinquefólia).

Observações

*1 - Em 2007, o corpo central era preenchido no piso superior, a toda a extensão das fachadas, por envidraçado formado por seis módulos de janela em caixilharia de madeira rematada superiormente por faixa metálica ornamentada e pequenos modilhões, apoiando-se em parapeito capeado a cantaria. A superfície envidraçada repetia-se na fachada oposta que deita para o jardim, criando permeabilidade visual entre o jardim existente na parte posterior da casa e a área agrícola da vizinha Quinta da Estrada que se estende para S., em direção à Várzea. *2 - Era Desembargador Extravagante da Casa da Suplicação desde 1657 e autor do livro De Munere Provisoris Practicum Compendium, publicado em 1688, em Lisboa, na oficina de Domingos Carneiro, apresentada como a mais importante e rara obra de direito da autoria do insigne jurisconsulto e humanista do séc. 17. Dr. Simão de Oliveira e Costa era natural de Castelo Branco, formado em Direito pela Universidade de Coimbra, Juiz Desembargador da Relação do Porto e Deputado da Mesa de Consciência e Ordens.