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Estação Ferroviária de Castelo de Vide

Estação Ferroviária de Castelo de Vide

O ponto de interesse Estação Ferroviária de Castelo de Vide encontra-se localizado na freguesia de Santiago Maior no municipio de Castelo de Vide e no distrito de Portalegre.

Estação ferroviária construída no séc. 20, de passagem do Ramal de Cáceres, composta por linhas férreas, plataforma de embarque/desembarque, junto ao edifício de passageiros, linhas férreas, edifícios de apoio como o edifício de passageiros e o das instalações sanitárias e algumas construções e antigos elementos afetos à exploração ferroviária, cais coberto e descoberto. Contava com duas linhas de circulação com 215m de comprimento e a plataforma com 95m de comprimento e 0,40m de altura. O edifício de passageiros tem um só corpo e piso único; a fachada virada às linhas férreas tem lambris revestidos a painéis de azulejos figurativos azuis e brancos com moldura polícroma da autoria de Jorge Colaço, alusivos a situações urbanas da vila de Castelo de Vide.

Planta composta pelo edifício de passageiros e o das instalações sanitárias, cais coberto e cais descoberto, depósito de água, todos eles localizados ao longo das linhas férreas e a elas paralelas (sentido ascendente do Ramal), plataforma de embarque, linhas férreas, e a nordeste destas, várias casas de apoio ao pessoal ferroviário; outros elementos constituintes da paisagem ferroviária como sejam o depósito de água e a casa das bombas, um gabarito de carga, um guindaste, uma báscula e um poço, à saída da estação; a restante área está livre, sem construções, com algumas árvores dispersas. EDIFÍCIO DE PASSAGEIROS de planta retangular simples, de volume único e massa disposta na horizontal com cobertura homogénea em telhado de duas águas, com revestimento em telha marselha de barro vermelho e beirais em telha de canudo; não há presença de chaminés nem de caleiras ou tubos de queda. Fachadas rebocadas e pintadas de branco com socos pintado de ocre, flanqueadas por cunhais apilastrados de aresta viva, pintados também de ocre, tendo falsos capitéis rematados a telha de aba e canudo e remates em cornijas. As fachadas principal e laterais ostentam silhares de azulejos, brancos, colocados à meia esquadria, rematados em frisos azuis. Fachada principal virada a sudeste, rasgada por porta e três janelas, todas de verga reta com molduras em cantaria de granito bujardada e caixilharia de madeira pintada de azul nas ficas e de branco nas móveis, todas com bandeira. Ostenta símbolo da REFER em caixa de luz azul e candeeiro de iluminação pública. Fachadas laterais semelhantes, com remates em empena e um pequeno óculo central em cada uma, com moldura pintada de cor ocre, rasgadas por portas protegidas por telheiros de três águas. Fachada posterior virada à linha, com composição simétrica dos vãos, com quatro portas, as centrais marcadas pela cornija que se interrompe e eleva sobre a cobertura; a porta central do lado direito encontra-se entaipada. As portas dos extremos estão protegidas por telheiros de três águas, assentes em mísulas de cantaria. Entre os vãos, surgem cinco painéis de azulejo figurativo. INTERIOR com o vestíbulo com acesso ao balcão da bilheteira e a sala de espera e, na zona dos agentes, o escritório/gabinete do chefe, a bilheteira, três quartos, cozinha, instalação sanitária com banheira, arrecadação e uma pequena dependência de distribuição. EDIFÍCIO DAS INSTALAÇÕES SANITÁRIAS de planta retangular simples de corpo único e cobertura homogénea em telhado de duas águas, com revestimento em telha marselha de barro vermelho e beirais em telha de canudo. Fachadas rebocadas e pintadas de branco acima dos lambris de azulejos, colocados à meia esquadria, sobre soco em cantaria, e rematadas em cornijas. Fachada virada a noroeste com sis vãos entaipados, havendo vestígio de aduelas formando arco de volta perfeita correspondendo à entrada nas antecâmaras das instalações sanitárias femininas e masculinas e devidamente demarcadas com painéis de azulejos referindo “Homens” e “Mulheres”, colocados ao centro das fachadas. CAIS COBERTO localizado a nordeste do edifício de passageiros com acesso direto por linha de topo com báscula, para carga e descarga de mercadorias. É de planta retangular simples e cobertura em telhado de duas águas que se prolongam em amplas abas, com estrutura em asnas de madeira e revestimento em chapa metálica. Fachadas com estrutura e revestimento em réguas de madeira dispostas na vertical, pintadas de cinza, exceto na fachada sudoeste, que apresenta pano de parede de altura parcial, rebocado e pintado de branco. Fachadas viradas a noroeste e a sudeste, rasgadas superiormente, formando respiradouro. As viradas a nordeste e sudoeste têm remate em empena, com o nome da estação escrito a azul sobre placa de madeira de cor branca. Em três das fachadas existem portas de correr. O gabarito de carga encontra-se suspenso da aba nordeste do telhado. Perto do cais coberto e junto à antiga linha direta encontra-se uma grua de água. CAIS DESCOBERTO com duas zonas em “L”, separadas pelo Edifício do Cais Coberto, a que se acede por rampas largas, sobre muretes em alvenaria de pedra rústica. A nordeste deste, uma grua em a sudoeste, um candeeiro de pé. Existem duas habitações, com planta retangular e massa simples, localizadas do lado esquerdo das linhas, com coberturas em telhados de duas águas com revestimento em telha de barro vermelho, interrompidas por chaminés paralelepipédicas. Fachadas rebocadas e pintadas de branco apresentando socos e cunhais em reboco saliente, ambos pintados de ocre. Todos os vãos se encontram entaipados. Existem ainda, um DEPÓSITO DE ÁGUA, de planta circular simples, com dois níveis definidos por friso em pedra acusando a mudança para o piso superior, de maior diâmetro. Paredes rebocadas e pintadas de branco com soco em reboco pintado de ocre e escada exterior metálica. O nome da estação pintado a branco sobre barra azul, junto do símbolo da REFER, na parte superior e virado a sudoeste. Existem passadeiras de nível em travessas de madeira, antigos sinais de circulação ferroviária e calços na via.

Materiais

Observações

Segundo Georges-Charles Humbert (Traité Complet des Chemins de Fer, 1908) as estações e apeadeiros são pontos de uma estrutura espacial linear, só percetível na sua totalidade em cartografia, onde param os comboios para embarque e desembarque de passageiros e mercadorias. Em termos estritamente ferroviários, uma estação/apeadeiro é um conjunto de edifícios e outras construções que se encontram dentro do recinto compreendido entre as agulhas de entrada e de saída. Compreende, por um lado, o edifício de passageiros, com as suas bilheteiras, salas de espera, gabinetes, e sanitários e por outro lado, as plataformas, as linhas. Do ponto de vista da arquitetura, e salvo algumas exceções, as companhias ferroviárias preferiram modelos estandardizados que pressupunham uma economia de gastos considerável, adotando soluções que se repetiram com poucas variantes.