Núcleo urbano sede municipal. Vila situada em colina na fronteira do Alentejo. Vila medieval de jurisdição de ordem religiosa militar (ordem de Cristo) com castelo e cerca urbana. Praça de guerra seiscentista integrada na linha de defesa da fronteira alentejana. Apresenta uma configuração irregular, segundo projecto de Nicolau de Langres, resultante de um compromisso entre as regras teóricas e as condicionantes do relevo muito acidentado, nomeadamente no quadrante N., que dificultava a implantação das cortinas e baluartes. Integra o núcleo medieval muralhado com três torres, incluindo a de menagem, também ele reforçado com uma cintura abaluartada, constituindo uma cidadela que albergava o paiol e os armazéns militares. Manuel de Azevedo Fortes reforçou o perímetro abaluartado com uma segunda linha fortificada a SE.. O espaço construído intra-muros é diversificado, fortemente estruturado pela topografia acidentada e por construções singulares, como as várias igrejas e os diversos elementos que integram o sistema defensivo. Apresenta por isso diferenças na morfologia urbana, associando traçados do tipo linear, radioconcêntrico e reticulado, que se cosem quase sem rupturas. Além dos imóveis de carácter religioso e militar, é escassa a presença de outros imóveis de carácter excepcional. Na totalidade da área encontra-se generalizada a tipologia habitacional corrente, independentemente da ocupação urbana ser medieval ou setecentista. As casas, de dois ou três pisos, possuem duas portas, a larga de acesso à loja térrea e a estreita de acesso à habitação nos pisos superiores. Os paramentos são caiados, destacando-se as expressivas cantarias de granito nos vãos. A tipologia da casa burguesa, possuindo lotes de maior dimensão e elementos decorativos de grande interesse, concentra-se na área central das Carreiras. Permanência notável da quase totalidade da estrutura fortificada da praça forte, tanto do núcleo medieval como do sistema abaluartado, com mais de 4 km de muralhas. Abraçando a vila antiga, confere-lhe um inegável valor de conjunto, permitindo uma leitura clara do conjunto da Praça e a distinção das novas zonas de expansão recente. Adaptação das construções ao suporte topográfico, definindo morfologicamente diversos tecidos urbanos. Expressiva repetição, por toda a área intra-muros, da tipologia habitacional corrente, de raiz medieval, conferindo uma grande unidade ao conjunto e da qual resulta o ritmo da porta larga - porta estreita, marcante da generalidade dos arruamentos. Significativo conjunto de portais medievais de arco quebrado em cantaria de granito. Existência de uma Judiaria medieval patente na toponímia, na estrutura urbana e nas construções medievais, entre as quais a possível sinagoga.
Espaço urbano contido pelo perímetro muralhado abaluartado, de desenho irregular, ainda hoje existente na quase totalidade. É claro o processo de expansão urbana a partir do castelo em direcção a SE., destacando-se dois momentos (até aos finais da Idade Média e séculos 17 e 18), aos quais correspondeu o crescimento populacional e económico da vila. Os diferentes tecidos urbanos e a articulação entre si foram determinados por uma série de elementos estruturantes, quer naturais (topografia, água), quer edificados (muralhas e portas da fortificação, igrejas). O núcleo mais antigo, encerrado na cerca medieval, é estruturado pela Rua Direita que une as Portas da Vila e de S. Pedro; a Rua de Santa Maria, ligando pela linha de cumeada a Porta da Vila à Matriz, constitui um eixo estruturante da expansão, separando as duas vertentes do relevo; a S., do Canto da Aldeia à Matriz, desenvolve-se um traçado linear ao longo de dois arruamentos planos, a cotas diferentes, interrompidos por estreitas e íngremes travessas; a N., a Fonte da Vila determinou um traçado radioconcêntrico com ruas convergentes descendo a encosta; o antigo Rossio, onde se localiza a Matriz e mais tarde a Casa da Câmara, deu origem àquele que é ainda hoje o espaço público de maior desafogo e a área central da vila, correspondente às Carreiras e Praça D. Pedro V; nas Encruzilhadas, as antigas Portas da Aramenha e Devesa, que constituíram a entrada principal da Praça, onde confluíam as estradas de Marvão e Portalegre, definiram um arruamento, perpendicularmente ao qual se desenvolveram outros, subindo a encosta desde a Carreira de Cima e configurando um traçado reticulado; a cintura abaluartada definiu arruamentos ao longo do seu perímetro, para os quais os lotes voltam as suas traseiras, não obstante constituir a "frente" da vila quando observada do seu exterior. No castelo, as necessidades de defesa obrigaram a remodelações e à introdução de outros equipamentos, alterando em parte a configuração do traçado urbano, nomeadamente o acesso aos dois postigos medievais hoje entaipados. Destacam-se no conjunto urbano alguns imóveis singulares, nomeadamente os religiosos, isolados e polarizadores de uma área de influência (igrejas de Santa Maria da Devesa, Santiago, S. João, Nossa Senhora da Alegria, ermidas de S. Roque e do Calvário e Convento de S. Francisco), ou integrados numa frente urbana (Igreja de Santo Amaro e Hospital da Misericórdia).Também as estruturas defensivas, como a Praça de Armas, quartéis, paiol e as próprias muralhas, torres e guaritas constituem elementos referenciais do conjunto. É de notar que a existência de todos estes elementos construídos, bem como a envolvente paisagística da Serra, se traduz numa leitura urbana diversificada e muito rica de enfiamentos visuais. Tecido fortemente densificado, à excepção do antigo Rossio e do extremo SE. da Praça, cuja ocupação urbana o decréscimo populacional a partir de finais do século 18 não justificou (encosta do Calvário e Parque João José da Luz). Os quarteirões são geralmente alongados e divididos longitudinalmente por lotes com uma única frente de rua e cujas traseiras encostam "costas com costas" ou deixam entre si uma estreita "travessa de esgotos". No interior do castelo os lotes encostam-se também aos panos das muralhas. A leitura do tecido parcelar é clara, com lotes rectangulares de frente estreita (6 metros), muito regulares, correspondendo a tipos habitacionais correntes. Uma parede estruturante divide o lote em duas metades (a da frente de rua e a do interior do quarteirão), possuindo uma escada de tiro que se desenvolve perpendicularmente à fachada, ao longo da parede meeira. A fachada segue uma hierarquia compositiva: no piso térreo localizam-se duas portas, a larga, de acesso à loja, e a estreita, de acesso à habitação nos pisos superiores. A janela do primeiro piso é generosa, com cantarias de granito, sendo as do segundo de mais reduzida dimensão, com molduras em argamassa saliente. O pé-direito é também ele mais pequeno neste último piso, no qual se localiza a expressiva chaminé de fumeiro. As habitações burguesas predominam nas Carreiras e nos arruamentos que nelas desembocam, confirmando deste modo a importância deste centro nevrálgico. Possuem lotes mais largos, maior diversidade tipológica e uma composição da fachada mais cuidada e com recurso a elementos arquitectónicos mais eruditos (janelas de sacada, platibandas, rebocos decorativos, revestimento em cantaria). Na imagem urbana é predominante o vazio no piso térreo devido às duas portas da tipologia corrente, e o cheio nos pisos superiores, dado pelas alvenarias caiadas pontuadas de vãos emoldurados. A leitura urbana do conjunto é ainda animada pela topografia acidentada de alguns arruamentos, onde as coberturas em telhado de uma ou duas águas se revelam também um elemento morfológico importante.
Materiais
Não aplicável
Observações
A tradição da Páscoa reveste-se de aspectos particulares, com influências cripto-judaicas e pagãs, não só nalguns rituais, mas também nas tradições culinárias. Cartografia temática datada de 2006.