Núcleo urbano. Povoação situada em encosta, com desenvolvimento em anfiteatro, cuja formação setecentista se relaciona com a atividade agrícola de quinta pertencente a ordem monástica (Cónegos Regrantes de Santo Agostinho). Traçado orgânico com cruzamento entre os eixos estruturantes N-S. e E-O. originando largo central com edifícios dos séculos 19 e 20, coreto e chafariz.
Núcleo urbano com forma aproximadamente oval, prolongando-se linearmente para S. ao longo da Rua da República. É atravessado por eixos viários que garantem ligações à envolvente: um eixo N.-S. materializado pela Rua da República e Rua dos Bombeiros Voluntários que liga a entrada S. à encosta NE. (em direção ao antigo Casal da Serra) e à encosta NO. através de inflexão para O. (pela Rua Avelar Brotero). O eixo N.-S. é cruzado sensivelmente a meio por eixo no sentido E.-O. Na interseção, desenvolve-se para E. o Largo António Sérgio onde se localizam a Antiga sede dos Bombeiros Voluntários do Zambujal (v. IPA.00034922), o Chafariz (v. IPA.00034923) e o Coreto (v. IPA.00034924). Através do largo acede-se pela Rua Bento de Jesus Caraça a áreas habitacionais de génese ilegal na envolvente E. do núcleo. Para O. do largo, desenvolve-se à cota baixa a Rua Francisco Ferreira da Cunha, acompanhando o muro da Quinta da Abelheira em plataforma sobranceira ao olival da quinta, numa relação de grande proximidade visual. A partir do troço inicial da Rua Francisco Ferreira da Cunha desenvolve-se para NO. um eixo de atravessamento a meia-encosta, coincidente com a antiga EM 613, aqui consubstanciado pela Rua Dr. José Duarte Turras e seu prolongamento pela Rua 25 de Abril que, cruzando o rio Trancão, liga à EN 115 em direção a Bucelas. Traçado urbano orgânico com crescimento em mancha a partir de ocupação dispersa inicial a O., relacionada com a pré-existência da vizinha Quinta da Abelheira. Na encosta, a N. do olival e muro da quinta, subsistem alguns exemplares de arquitetura residencial tradicional, casas térreas em banda, por vezes com acesso por pátio comum, dispostas paralelamente entre si. Este tipo de construção em forma alongada está implantado nesta zona desde o séc. 18. A ocupação da colina em anfiteatro é marcada pela adaptação à topografia acidentada. Ruas tortuosas e irregulares definem quarteirões de formas também irregulares, cruzados por travessas e escadas ou dotados de becos e impasses. A delimitação do espaço é feita também pelas descontinuidades geradas pelos grandes desníveis entre plataformas e pela presença de muros de contenção ou de limite de propriedade, alguns deles de construção tradicional em alvenaria de pedra basáltica. Estes quarteirões foram-se densificando à custa da transformação de significativas áreas permeáveis intersticiais, outrora quintais agricultados, em lotes para construção. No séc. 19 a expansão para E., NE. e SE permitiu a estabilização do traçado e a consolidação de uma estrutura radial junto à entrada S., com ocupação marginal aos principais eixos viários, designadamente na Rua da República e troços iniciais dos arruamentos que a ela se ligam. Da mesma época é a configuração do Largo António Sérgio como espaço público central equipado com coreto e chafariz, e enquadrado a SO. pelo edifício simbólico da antiga sede dos Bombeiros Voluntários na década de 30 do séc. 20. O piso do largo é desnivelado, formando plataforma elevada do lado N. As intervenções nas três últimas décadas do séc. 20 tornaram o tecido mais compacto devido à introdução de novos tipos edificados, com reconfiguração dos lotes e demolição de construções tradicionais e de estruturas pré-existentes de apoio à produção agrícola. Para além do Largo António Sérgio, identifica-se um pequeno espaço público polarizador a O. do eixo N.-S., correspondendo ao alargamento a meio da Rua Dr. José Duarte Turras, junto aos lavadouros, local onde convergem e se intersetam diversos percursos viários e pedonais que cruzam a encosta.
Materiais
Não aplicável
Observações
* 1 Quinta da Abelheira, Imóvel de Interesse Público, classificado pelo Decreto n.º 2/96, DR, 1.ª série-B, n.º 56 de 06 março 1996. *2 Aglomerado incluído no levantamento do património cultural construído do Concelho de Loures de 1988, anexo ao regulamento do PDM de Loures, RCM 54/94, DR 161 1ª Série -B de 14 de Julho de 1994 (1ª publicação).*3 A freguesia de São Julião do Tojal confina a N. com as freguesias de Bucelas e Fanhões; a S. com as freguesias de Unhos, Frielas e São João da Talha; a E. com o concelho de Vila Franca de Xira e a O. com a freguesia de Santo Antão do Tojal.