Palacete neoclássico, seguindo o modelo das residências nobres urbanas francesas do séc. 18 ("hôtels de ville"), com a fachada de três corpos encimada por balaustrada, sendo o corpo central bem marcado pelo tímpano triangular e pelo conjunto portal / janela. Constituía uma parte do conjunto harmónico dos edifícios da Fábrica: oficina de cristal, casa de lapidação, de composição de vidraça, da forja, dos pisões, para além de cavalariças, armazéns, palheiros e ainda casas de empregados; havia além disso um teatro e uma sala de concertos.
Planta longitudinal. Cobertura em telhado de 4 águas. 3 pisos, fachada principal com 3 corpos marcados por cunhais e pilastras, terminando o central em empena angular e os laterais em balaustrada, com urnas nos acrotérios. No primeiro piso, a meio da fachada, rasga-se portal em arco abatido, rematado lateralmente por colunas lisas, encimado por janela de sacada com balaústres; as restantes janelas são de guilhotina. INTERIOR: uma escadaria de 3 lanços, no átrio, comunica com os andares superiores; no 1º andar alinham-se 3 salas articuladas mutuamente sem corredor. JARDINS: o núcleo construído, formado pelo Museu, Biblioteca Municipal, Arquivo Municipal e Escola Profissonal, é enquadrado por 2 jardins, o mais antigo ocupando a praça central e outro, de construção posterior, situado na fachada posterior do Palácio / Museu. . O jardim da praça central, de inspiração neoclássica, é desenhado, em sebe de buxo, em função de dois eixos perpendiculares que quadripartem o espaço, simétrico e com linha diagonal marcada por caminho em cada talhão quadrado. Eixos principais ocupados, cada um, por oito bancos e ao centro escultura em ferro e mármore. Cada talhão triangular é pontuado com buxo em topiária simples nos vértices. Interior de cada um dos quatro canteiros centrais com palmeira secular (Phoenix canariensis), cipreste, ao centro buxo topiado e nos limites, herbáceas de flor, como amores-perfeitos, lírios ou margaridas. Nas traseiras do edifício do Museu do Vidro encontra-se o Jardim Tardoz (séc. 19) com canteiros de buxo restaurados e no interior pequenos arbustos e herbáceas, como hortênsias, roseira ou sardinheira. Este jardim é de desenho mais tardio que, embora também topiado, com base de buxo e simétrico, é marcado por linhas mais orgânicas. Desenvolve-se paralelamente ao edifício com centro marcado por mesa em mármore e desenho rotundo de quatro canteiros de buxo simétricos, cada um com banco de mármore ao centro, e dois circulares com arbusto no interior. No centro de cada parcela do jardim encontra-se canteiro circular com palmeira ao centro. Do lado oposto e paralelo ao edifício existe lago semicircular enquadrado por canteiro longitudinal e simétrico em relação ao centro do jardim com linha de bambus que fazem transição entre o jardim formal e elemento de água. No mesmo canteiro estão plantados lírio, agapanto e roseira. No centro do lago cipreste pouco desenvolvido. Muro de tijolo-burro envolve o lago e no lado oposto ao jardim canteiro revestido a pedras de rio e salgueiros. Os caminhos de ambos os jardins são em gravilhas intervenção moderna é o jardim envolvente de todo o complexo fabril Stephens, em que a grande extensão de parcelas, de relvado, de canteiros, e caminhos, define o espaço. Os relvados são limitados por canteiros orgânicos de plantas adaptadas ao solo arenoso e herbáceas aromáticas como alecrim ou alfazema e, em zonas mais sombrias, existem amplos canteiros térreos de amores-perfeitos e outras herbáceas de flor colorida. Paralela à estrada estende-se caminho de quatro metros de largura em calçada sob pérgola com a mesma largura, em madeira, alvenaria e esticadores de aço que suportam a trepadeira. Junto aos edifícios entre os dois jardins enquadra-se praça em calçada e tijolo-burro aglutinando as linguagens do jardim neoclássico e do moderno, com bancos lineares, em madeira e ferro, e canteiro em tijolo-burro com alfazema e estrutura para trepadeira sobre a parede.
Materiais
Alvenaria de pedra e cantaria; telha cerâmica. Vegetal: Phoenix canariensis (palmeira-das-canárias), Buxus sempervirens (buxo), Bambu, Hidrangea macrophila (hortênsias), Rosa sp (roseira), Pellargonium (sardinheiras), Iris sp (lírio branco), Cupressus (cipreste), (amores-perfeitos), Magnolia grandiflora (magnolia), Populus nigra var. italica (choupo negro), Olea europea (oliveira), Festuca arundinacia (festuca), Opheopugum japonicus, Agapanthus africanus (agapanto), Euonymus japonicus, Platanus hibrida (plátano) Inertes: gravilha, tijoleira e tijolo-burro, seixos rolados do rio, calçada de calcário branco
Observações
*1 - DOF: Edifício que foi residência de Guilherme e João Diogo Stephens, com os seus jardins. *1 - Portão, que segundo as fontes orais terá pertencido ao antigo tribunal do Santo Ofício em Lisboa