Arquitectura industrial. Estruturas construídas para apoio ao serviço e exploração das Matas Nacionais. O Parque do Engenho ocupa uma área de 2,5 ha. dividida em dua partes, numa cota superior a zona agrícola separada da zona de jardim e zona edificada por alto muro de alvenaria. Este conjunto de edifícios e estruturas construídas é herdeiro do antigo "Sìtio do Engenho" construído no séc. 18, junto a uma capela. A precaridade do "engenho" e a sua extinção levaram à remodelação dos espaços e à construção de outras estruturas que pudessem responder às necessidades e exigências impostas pelas novas directrizes de exploração florestal das matas nacionais.
O Parque do Engenho construído em terreno de morfologia plana, ocupa uma área de 2,5 ha. dividida em 2 partes, a NE., e numa cota superior, a zona agrícola, dividida da zona de jardim e da edificada por um muro de sustentação de terras rasgado por porta rectangular e lanço de escadas que vence a diferença das cotas. Deste conjunto funcional destacam-se a zona de jardim onde sobressaiem as alamedas cercadas de buxo e jardins formais com tanques circulares e canteiros igualmente definidos por buxo, e a área construída composta por: Casa do Guarda / Central Telefónica; Chalé; Cavalariças; Edifício da Administração; Fonte; Edifício do Engenho (*2); Casa do Chefe; Pousada; Capela; Grémio Florestal. Uma ampla alameda central que se projecta a partir do portão principal, intersectada ao centro por uma outra de igual dimensão, formando um largo central, e a partir das quais se acede às diferentes áreas edificadas. CASA DO GUARDA: localizada à entrada do portão do lado esquerdo, de planta quadrangular, de um piso com cobertura homogénea; fachadas rebocadas e pintadas de branco; vãos de acesso e iluminação de molduras rectangulares em cantaria. CHALÉ: ao centro da alameda, na sua intersecção, à direita, ergue-se o edifício de planta rectangular, simples, de 2 pisos, composta pela articulação dos corpos de disposição verticalista das massas; coberturas diferenciadas em telhados de 2 águas rasgados por águas furtadas, INTERIOR: espaços divididos por amplo corredor com pavimento e tecto em madeira; 5 quartos, uma sala com lareira, cozinha e WC. Fronteiro ao Chalé destaca-se o edifício das COCHEIRAS (*3): de planta rectangular, simples, com cobertura homogénea em telhados de 2 águas; embasamento saliente demarcado a cor cinzenta e fachadas rebocadas e pintadas de branco; INTERIOR: epaço dividido em 3 salas com pavimento em cimento; 1ª sala do cocheiro onde se guardavam os arreios dos cavalos; 2ª sala dos cavalos, onde estão os bebedouros e as baias; 3ª sala para guardar a palha e forragem para os animais. EDIFÍCIO DA ADMINISTRAÇÃO (*4): planta rectangular regular, de 2 pisos; cobertura homogénea em telhados de 4 águas. Fachada principal com remate em empena recortada com colocação ao centro de um registo azulejar, branco e azul, com a identificação de "MATAS NACIONAIS". INTERIOR: 1º piso - guarda vento com acesso à sala central e à direita sala onde se guarda o material da Fábrica da Resinagem e sala esquerda o antigo escritório, com lareira e arrumação; ( xilóteca (madeiras). No 2º piso o lado direito era habitação dos funcionários: do lado esquerdo acede-se a um hall que nos distribui pelo estudio fotográfico e pelas salas de serviços. FONTE: implanta-se no lado direito do edifício da Administração, junto à entrada para a zona de cultivo. Fonte constituída por caixa de água e tanque de planta quadrangular com escadas de acesso ao interior. encastrada numa das paredes uma moldura recortada com a data de 1851. ARMAZÉM: planta rectangular regular de um piso com cobertura homogénea em telhados de 2 águas. Na empena da fachada principal destaca-se um relógio de sol. No armazém guarda-se o "carro dobral" que fazia o transporte da madeira da mata e a charrete usada para transportar as esposas dos Srs. Engenheiros. EDIFÍCIO DO ENGENHO - planta rectangular com coberturas em telhados de 4 águas. INTERIOR: com pavimento em tijoleira antiga. Actualmente serve de arrecadação. CASA DO CHEFE: embasamento com respiradores com o monograma das Matas Nacionais MN. ESTALAGEM: Planta rectangular, irregular de 1 e 2 pisos composta pela articulação de 3 corpos de disposição horizontalista das massas.CAPELA a SO., de planta centralizada totalmente coberta de vegetação impedindo o acesso ao interior. GRÉMIO FLORESTAL: localizado a S., de planta rectangular composta pela articulação de vários corpos de um piso de disposição horzontalista das massas. Cobertura em telhados de 2 águas. INTERIOR: salas adaptadas para reuiniões e musealização de espaços.
Materiais
Observações
O Parque do Engenho encontra-se aberto ao público das 9:00 às 17:00. *1: Este conjunto de edifícios e estruturas construídas é sucessor do antigo "Sítio do Engenho" construído no séc. 18. A precaridade do "Engenho" e sua consequente extinção, levaram à remodelação dos espaços e à construção de outras estruturas que pudessem responder às necessidades e exigências impostas pelas novas directrizes da exploração florestal das Matas Nacionais. *2: Edifício onde foi construído o Engenho, é ocupado actualmente como armazém e arrecadação. O Engenho funcionava com energia eólica. Era um grande "moinho de vento". Quando da sua construção, e pela inovação, foram feitos relatos dos quais extraímos alguns trechos: "construção do engenho que se fez em Leiria para o corte das madeiras, que se tirão dos pinhaes com machinas admiraveis, que facilitão o trabalho" (Hist. Genealógica). Francisco Xavier da Sylva, historiador do Rei D. João V, escreve: "O engenho de cortar madeira que se fez para Leiria era huma grande máquina, e mais admiravel, pela facilidade com que nelle se dividem em taboas as mais grossas madeiras só pela agitação dos ventos (...)". *2: Foi intérprete o alemão João Adolfo Crato, que se encontrava no nosso país desde 1711 e foi naturalizado em 1726, pelo bom desempenho na ocupação de intérprete na factura do Engenho da Serraria. No Edifício da Administração guarda-se o material que se encontrava na Fábrica de Resinagem, actual Mercado Municipal da Marinha Grande (v. PT021010010017), para integrarem o espólio de um futuro museu. *3: Actualente a cocheiras são um depósito de material velho. *4: Obras de adaptação do edifício onde funcionava a 15ª. Regência Florestal, onde existe também a sede da Estação de Experimentação do Pinheiro e uma pequena ccasa habitada actualmente pelo mestre resineiro francês contratado. Esta construção é de um piso com paredes de 0,60 cm de espessura, o que permite levantar sobre ela um outro piso com acesso por escadas colocadas no topo do edifício.