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Igreja Paroquial de Cheleiros

Igreja Paroquial de Cheleiros

O ponto de interesse Igreja Paroquial de Cheleiros encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Igreja Nova e Cheleiros no municipio de Mafra e no distrito de Lisboa.

Igreja paroquial rural de primitiva construção gótica, apresenta vestígios de diferentes períodos construtivos. Integra-se no conjunto de edifícios religiosos da denominada região saloia, caracterizados por exterior de tratamento arquitetónico austero e por interior organizado segundo um esquema planimétrico básico, de que resulta uma planta poligonal, resultado da articulação escalonada num eixo longitudinal, de dois corpos retangulares, a nave única e a capela-mor. Portal gótico, em arco quebrado, em alfiz, sobre colunas de capitéis decorados, e com pia de água benta esculpida encrustada. Arco triunfal em arco de asa de cesto preenchido com rosetas. Abside com abóbada de dois tramos, polinervada, estrelada, sobre mísulas vegetalistas e com bocetes vegetalistas e heráldicos. Nos arranques dos feixes de nervuras centrais da abóbada sobressaem duas cabeças coroadas esculpidas em baixo-relevo. Na nave os azulejos de padrão, polícromos, são aplicados em dois andares com barra intermédia, acentuando a sua horizontalidade. Pelas suas pequenas dimensões, Pedro Dias (1986) considera-a um dos exemplares típicos de igrejas paroquiais da segunda metade do reinado de D. Manuel I da região costeira.

Planta poligonal, resultante da articulação longitudinal de dois corpos retangulares, correspondentes à nave única e à capela-mor, a que se adossa, a norte, o volume de base quadrangular da torre sineira e um pequeno anexo, junto à cabeceira, do lado sul, encontra-se um novo corpo retangular, referente à sacristia. Coberturas telhadas diferenciadas, a duas águas, na nave e cabeceira, a uma só água nos anexos e em coruchéu bolboso com fogaréus nos acrotérios na torre sineira. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, rasgadas por pequenas janelas retilíneas e estreitas frestas de iluminação na cabeceira. Fachada principal orientada a poente terminada em empena angular encimada por cruz de pedra e delimitada, no seu lado direito por cunhal perpianho, apresenta-se em dois registos, sendo o primeiro centralizado pelo pórtico principal, em alfiz, apresentando arco quebrado sobre colunas de capitéis decorados, e com pia de água benta esculpida com gomos torsos sobre anel encordoado apoiada em mísula de folhagens sobre alcachofra acoplada; encima-o janela retangular com moldura de cantaria simples. Torre sineira adossada à esquerda, delimitada por cunhais de cantaria, com dois registos, o primeiro cego e o superior com quatro sineiras em arco pleno. Fachada lateral esquerda, a norte, com porta e duas janelas retangulares e pequeno corpo do anexo. Fachada posterior com estreitas frestas de iluminação e empena angular. Fachada lateral direita, a sul, com portal de verga reta sob frontão triangular e duas janelas retangulares com moldura de cantaria simples; anexo com porta retangular a ocidente, duas lápides e relógio de sol sobre o beirado; pano da capela-mor com uma janela retangular. INTERIOR: nave única, paredes percorridas por silhar de azulejos de padrão, polícromos, aplicados em dois andares com barra intermédia, acentuando a sua horizontalidade; coro-alto com balaustrada de madeira sobre colunas pétreas; batistério no subcoro, púlpito retangular com base de pedra e guarda de madeira com colunas torsas, no lado do Evangelho *1 encontra-se um nicho com imagem da Virgem em pedra policroma. Cobertura em teto de masseira. Arco triunfal em asa de cesto de duas arquivoltas idênticas e simétricas, formando um V, delimitadas perifericamente por feixes de três colunelos lisos e divididas por colunelo saliente, torso, cingido no fecho por anel vegetalista, tudo sobre bases facetadas e providas de capitéis de folhagem. As duas arquivoltas são decoradas com série de rosetas quadrangulares, quadrifoliadas, dispostas de forma nem sempre simétrica. Na pedra de fecho um escudo com a esfera armilar. A abóbada da capela-mor é polinervada de perfil rebaixado, dividida em dois tramos simétricos, compondo um desenho em forma de estrela resultante do jogo das nervuras primárias, lançadas na diagonal, e secundárias (liernes e terceletes), apoiadas em mísulas vegetalistas com acantos, folhas denticuladas e anéis, e, nos encontros, bocetes esculpidos com rosetões ou florões circulares, sendo o central uma pedra de armas com o brasão dos Ataídes. Sob o arranque do arco toral, encimando as mísulas centrais, duas cabeças masculinas coroadas. Os liernes são torsos e as restantes nervuras compostas por feixe saliente de três elementos de secção semicircular lisos, interrompidos a meio por anel lavrado, vegetalista. Frontal de altar do retábulo-mor revestido de azulejos hispano-mouriscos.

Materiais

Alvenaria rebocada e cantaria calcária; revestimento interior azulejar. Pavimento de madeira e cobertura de telha.

Observações

*1 Invocação a Nossa Senhora de Rocamador ( ou Reclamador) .