Sítio pré e proto-histórico. Arte rupestre paleolítica de ar livre. Gravuras picotadas, abradidas e pintadas representando motivos zoomórficos naturalistas de estilo atribuível ao Magdalenense. Arte rupestre neolítica. Pinturas de motivos zoomórficos semi-naturalistas e antropomórficos semi-esquemáticos. Arte rupestre do neolítico final ou calcolítico. Pinturas de antropomorfos esquemáticos.Único caso no contexto do Vale do Côa em que está documentada a presença de pinturas atribuíveis ao período Paleolítico em associação com motivos gravados do mesmo período. O facto de ter sido utilizado apenas nestes núcleos da Faia um suporte granítico para a gravação e pintura dos motivos, combinado com a constatação que a pintura a ocre excepcionalmente conservada na cabeça de bovídeo se situa na zona mais resguardada do painel, levou os investigadores a colocarem a hipótese de muitos outros motivos da arte paleolítica do Côa poderem ter sido pintados tendo a pintura desaparecido por acção combinada dos vários agentes erosivos ( BAPTISTA, 1999 ).
Constituído por seis sítios que acompanham o curso do rio Côa ao longo de cerca de 800m, na sua margem esquerda *2. Distribuem-se pelas formações escarpadas, aproveitando os painéis verticais e lisos virados ao rio. O sítio que os investigadores designam Faia 1 integra três painéis. Num deles figuram dois bovídeos semi-naturalistas pintados a vermelho. Outro painel ostenta um antropomorfo esquemático e um outro indeterminado. O terceiro painel tem pintado um orante esquemático. O sítio designado Faia 2 é constituído por um grande painel com dois grupos de barras pintadas a vermelho ladeadas por manchas inderminadas. A Faia 3 é um painel superiormente protegido por uma pala ao centro do qual é reconhecível um grande antropomorfo semi-esquemático, pintado a preto, que parece segurar um objecto em cada uma das mãos ( talvez um arco e um outro objecto indeterminado ). Identificaram-se outras manchas de pintura mas sem que sejam reconhecíveis. A Faia 4 apresenta apenas uma mancha de ocre que não forma qualquer motivo. A Faia 5 é um painel no qual figuram dois pequenos antropomorfos esquemáticos pintados a vermelho apresentando mãos com longos dedos. A Faia 6 é uma grande superfície vertical, com cerca de 30 m de altura, na qual as pinturas e gravuras se encontram figuradas em vários painéis, a cota relativamente baixa, pouco acima do nível actual da águas. O núcleo mais meridional, constituído pelo maior painel, apresenta quatro cabeças de bovídeo gravadas por abrasão, cujo traço foi pintado a ocre. Nalguns casos foram pintados a ocre pormenores da boca e narinas. A cabeça de um destes auroques, que recebeu pintura sobre os traços gravados que a definem, excepcionalmente conservada, encontra-se numa localização muito protegida, sob um ressalto da rocha. Dentro da cabeça do auroque e sob a cabeça, encontram-se dois antropomorfos esquemáticos pintados a vermelho. Destaca-se a relação dos motivos com o suporte em que foram gravados, parecendo emergir da rocha. Para jusante destas figuras encontra-se um grande capríneo gravado por picotagem e abrasão e, no painel mais meridional, duas cabeças cruzadas, uma de auroque e uma outra de equídeo, gravados também por picotagem e abrasão ( CNART, 1999; BAPTISTA, 1999 ).
Materiais
Granito, tinta ocre e negra.
Observações
*1 - Parte dos painéis são inacessíveis sem equipamento adequado e o núcleo não é ainda visitável em esquema de visita organizada pelo Parque Arqueológico; *2 - Área de dispersão das rochas gravadas; *3 - O Parque Arqueológico Vale do Côa encontra-se em fase de preparação ou negociação da aquisição dos terrenos correspondendo aos núcleos de gravuras rupestres.