Igreja paroquial renascença muito simples segue tipologia da arquitectura que Diogo de Castilho e João de Ruão introduziram na região centro do país. Porta axial e arcos das capelas interiores, integram-se na primeira renascença coimbrã. Boa articulação e integração entre a arquitectura, a funcionalidade das diversas capelas e sua decoração. Boa escultura do renascimento, toda saída das oficinas de Coimbra e de assinalável erudição. De notar os azulejos de Coimbra que foram aplicados nas várias capelas em tempos diferentes. Um dos sinos está dedicado a Santa Bárbara e assinado José Argos, e outro datado de 1735. Da imaginária é de destacar o retábulo da capela do Espírito santo e uma escultura de pedra quatrocentista representando a Virgem com o Menino.
Planta poligonal composta pelos rectângulos da nave e da cabeceira, com coincidência exterior / interior, de volumes articulados horizontalmente, com coberturas diferenciadas em telhado. Fachada principal orientada a 0., embasamento elevado que corre ao longo de todos os alçados, permitindo o lançamento de uma escadaria com balaustrada de acesso ao portal principal, com dois lanços opostos de dez degraus cada. Esta fachada tem três panos, sendo o central mais elevado com empena angular. Aqui se rasga o portal principal renascença, com inscrição de 1551, apresenta verga recta e tabelas finamente decoradas. Acima rasga-se óculo de boa proporção e no espaço intermédio dois «tondos» com bustos. No plano da fachada, ligeiramente avançada, a torre sineira com forte embasamento de silhar aparente, com três registos, duas frestas nos primeiros e quatro vãos para sinos. A N., ligeiramente recuado em relação ao plano da fachada central, o corpo da sacristia com telhado único de uma água, articulado com o da nave lateral. O alçado N. tem dois panos, um reentrante permite a inserção de escada exterior de acesso à porta. Esta é de verga recta e emolduração simples. Ao lado janela pequena de verga curva permite iluminar o interior. A capela-mor a E., constitui corpo saliente com uma janela. As naves são iluminadas por 2 janelas rectangulares que se rasgam no alçado S. INTERIOR: três naves, com quatro tramos, tecto de madeira, arcaria dórica com bases áticas. O primeiro tramo é ocupado pelo coro alto que sustenta colunas jónicas datas de 1665 e 1739. Tem três capelas na cabeceira, com decoração renascença e outras na nave, idênticas. A capela-mor é abobadada em berço com quatro tramos. Aqui fica porta de acesso à sacristia. Possui retábulo de madeira, com pintura do orago, regionalista, assinada e datada «Dom. Brandão Coimbra 1837. Capela colateral N., planta simples rectangular com abóbada de cruzaria apoiada em mísulas, iluminada por uma janela rectangular de moldura despojada. Retábulo barroco em estilo nacional, decorado por silhares de azulejo da mesma época. Capela colateral S., planta simples quadrangular com abóbada de cruzaria apoiada em mísulas, apresentando a pedra de fecho com heráldica. Arco de acesso renascença com «tondos» nas enjuntas e vestígios de grade até às impostas; altar apresenta decoração azulejar. Capela de Santo António, com arco renascença com capitéis compósitos e abóbada de berço de dois tramos, esquartelada e decorada com florões. Capela cronografada numa cartela do arco de acesso 1561, com retábulo. Capela do Espírito Santo, rasga-se na nave S. e tem arca a pleno centro com decoração renascença, e retábulo de pedra representando a Descida do Espírito Santo. Capela baptismal a N., com planta rectangular e cobertura em abóbada de cruzaria. Capela de São João, igualmente a N., com arco de acesso tendo brasão dos Álvares e inscrição.
Materiais
Alvenaria, pedra, madeira, tijolo, calcáreo, cimento, azulejo, vidro.
Observações