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Convento de Santo António

Convento de Santo António

O ponto de interesse Convento de Santo António encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Covilhã e Canhoso no municipio de Covilhã e no distrito de Castelo Branco.

Arquitectura religiosa, maneirista e do séc. 20. Convento franciscano capucho da Província da Soledade, de planta rectangular simples, com a ala esquerda prolongando-se em novas dependências, composto pela igreja de planta longitudinal, antecedida por galilé com acesso por arco abatido e cobertura em abóbada de aresta, e a zona conventual, que se desenvolve em torno de claustro quadrangular, evoluindo em dois pisos, com três arcadas por ala, de volta perfeita no piso inferior e assentes em colunas toscanas e rectilíneos no superior, formando janelas de varandim; no centro, chafariz do claustro maneirista. Em torno do conjunto, resta parte do perímetro da cerca. A igreja possui planta longitudinal simples, composta por nave e capela-mor mais estreita, iluminada unilateralmente por janelas rasgadas na fachada lateral esquerda. Fachada principal em empena, rasgada pelo acesso à galilé, para onde abre o portal da igreja, o da capela adossada e o da antiga portaria, todos de verga recta, encimada pela janela do coro, envolvida por nichos em arco de volta perfeita e abóbada de concha, com iconografia franciscana. Interior com púlpito no lado da Epístola, com acesso por porta de verga recta, através do claustro, e o primitivo arco de acesso a este espaço de circulação. Possui arco triunfal de volta perfeita. Edifício relativamente bem preservado, apesar das obras que o transformaram ao longo do tempo em residência e em serviços administrativos, descaracterizando a zona regral. Apesar da descaracterização, permanecem ainda as vistas para a cidade da Covilhã e Vale do Zêzere, bem como a estrutura geral do edifício, destacando-se a fachada principal decorada com nichos recortados e rematados em cornija e aventais. Na galilé, o portal axial é sublinhado por amplo elemento de cantaria em arco abatido, reproduzindo o perfil do acesso, criando uma homogeneidade no espaço. Mantém-se, no centro da quadra do claustro, o antigo chafariz, seiscentista, assente em plataforma de planta quadrangular, com tanque lobulado e bordo saliente, possuindo coluna galbada e uma taça, com carrancas; surgem, ainda, vestígios das antigas gárgulas e sistema que permitia a manutenção das águas pluviais nesta zona do claustro. A igreja, muito descaracterizada, mantém a zona do antigo púlpito, o arco triunfal, almofadado, o vão que marcava o acesso à zona regral e a capela-mor. Parte da calçada de acesso ao Convento encontra-se preservada, bem como o patamar final que liga ao terreiro, onde surge o usual cruzeiro, composto por plinto galbado e cruz latina, assinalando, ao crente, o acesso a uma zona sagrada.

Planta rectangular, com algumas dependências adossadas à fachada posterior, prolongando a ala lateral direita, composta pela antiga zona conventual, em torno de um claustro rectangular, e pela antiga igreja. IGREJA de planta rectangular com eixo longitudinal interno, composta por galilé, nave e capela-mor ligeiramente mais estreita. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, flanqueadas por cunhais apilastrados em cantaria de granito, encimados por pináculos do tipo balaústre, assentes em plintos emoldurados, e rematadas em cornija e beirada simples, excepto na fachada principal, em friso e cornija. Fachada principal, virada a E., rematada em empena com plinto no vértice, que sustentava uma cruz latina; é rasgada por amplo arco abatido assente em pilastras toscanas e com fecho volutado, de acesso à galilé, encimado por escudo português, envolvido por concheados e encimado por coroa fechada; sobre o arco, a janela do coro, com os extremos curvos e remate em pequeno friso em toro; este encontra-se ladeado por dois nichos em arco de volta perfeita, rematados por cornija e com pedra de fecho ornada concha, possuindo, inferiormente, avental; contêm imaginária, a figura de São Bernardino no lado esquerdo e a de São João de Capristano no lado direito; sobre o janelão, um nicho semelhante aos anteriores, onde figura a imagem de Nossa Senhora da Conceição, surgindo, no fecho do arco a inicial "M" (Maria). Fachada lateral esquerda rasgada por duas janelas em capialço no corpo da nave e duas rectilíneas na capela-mor *1. Fachada posterior em empena, rasgada por dois vãos rectilíneos. INTERIOR com a galilé rebocada e pintada de branco, tendo pavimento em lajeado de cantaria e cobertura em abóbada de aresta abatida, assente em mísulas de cantaria nos ângulos. Ao centro, o portal axial de verga recta e moldura recortada, formando almofadado em ponta de diamante na base e possuindo brincos em forma de pingentes e remate em cornija interrompida por concha, formando um falso frontão que contém uma cartela ladeada por acantos. A estrutura é sublinhada por arco de cantaria, de perfil abatido, assente em pilastras toscanas. No lado esquerdo, porta de verga recta e moldura simples, encimado por cornija e nicho em arco de volta perfeita, ladeado por volutas e com abóbada de concha, contendo a imagem pétrea de São Francisco; a porta dava acesso a uma antiga capela e encontra-se entaipada, possuindo as armas da Universidade da Beira e um poema de Fernando Pessoa. No lado oposto, porta de verga recta e moldura simples, rematada por friso em toro, encimado por nicho semelhante ao anterior, contendo a imagem de Santo António. No lado direito, uma placa metálica com inscrição. Igreja rebocada e pintada de branco, com as paredes parcialmente revestidas a madeira e coberturas planas, também em madeira. No lado da Epístola, vestígios do antigo púlpito, formando janela de varandim e moldura simples; no mesmo lado, um vão de volta perfeita, enquadrava o acesso à antiga zona regral. Arco triunfal de volta perfeita, assente em pilastras tocanas, todo ele emoldurado *2. Capela-mor elevada por um degrau. A ZONA REGRAL possui fachadas rebocadas e pintadas de branco, percorridas por embasamento de cantaria, flanqueadas por cunhais apilastrados e rematadas em cornija e beirada simples. Evolui em dois pisos e é rasgada por vãos rectilíneos com modinaturas simples em cantaria, protegidos por caixilharias de alumínio lacado de branco, algumas com portadas internas de madeira pintada de branco. Fachada principal, virada a E., com portal central em arco abatido, protegido por porta de duas folhas de madeira pintadas de verde e almofadadas, flanqueado por seis janelas de peitoril e, no extremo esquerdo, por uma rectangular jacente; no segundo piso, surge, sobre o portal, uma sacada corrida, em cantaria, assente em duas mísulas, com guarda em ferro, para onde abrem uma porta-janela em arco abatido e duas janelas de peitoril; encontra-se ladeado por quatro janelas de peitoril e, no extremo esquerdo, por uma rectangular jacente *3. Fachada lateral esquerda adossada à igreja, possuindo, no lado oposto, virado a N., várias janelas de peitoril e uma porta em arco de volta perfeita, surgindo, no segundo piso, janelas de peitoril e, no lado esquerdo, uma janela de sacada, em cantaria e guarda metálica, para onde abre porta-janela. Esta zona desenvolve-se em torno de um claustro rectangular, regular, evoluindo em dois pisos definidos por friso e cornija, o inferior marcado por três arcadas de volta perfeita, sustentadas por colunas toscanas e abertas para a quadra, encimadas por três janelas de varandim, com molduras de cantaria recortadas e guardas em ferro *4. Nos ângulos surgem pilares compostos por feixes de colunas, encimados por gárgulas de descarga das águas pluviais. As alas são rebocadas e pintadas de branco, com tectos planos e pavimentos em lajeado de granito, para onde abrem vãos rectilíneos, compondo portas, janelas e um nicho *5. Na quadra, pavimentada a lajeado de granito, o chafariz do claustro, em cantaria de granito, assente em plataforma rectangular, com tanque lobulado, com base e bordo saliente, com coluna central galbada, que sustenta taça lobulada com carrancas nos ângulos, que servem de bicas, possuindo remate em plinto galbado e ornado por acantos. No interior, possui várias dependências, como escritórios e salas de recepção *6.

Materiais

Estrutura em alvenaria de granito, rebocada e pintada; modinaturas, cruzes, pavimentos, arco triunfal, colunas, bacia do púlpito, modinaturas em cantaria de granito; portas e portadas de madeira; janelas com vidro simples; cobertura exterior em telha.

Observações

*1 - a fachada lateral esquerda da igreja era distinta, possuindo vãos simples em capialço e, junto à galilé, uma capela adossada, composta por nave e capela-mor mais baixa, a primeira rematando em pináculos piramidais e iluminada por fresta no lado do Evangelho; nesta zona, em 1949, não existe a capela, surgindo no espaço sobre o local em que se erguia, uma janela mainelada, separada por coluna toscana e formando dois vãos em arco de volta perfeita; surgiam, ainda, várias bífidas, que permitiam iluminar as dependência da zona superior, após a igreja ter sido truncada em dois pisos. *2 - o arco triunfal tinha uma aduela de fecho volutada, estando encimado por uma pedra de armas com paquife, que representava as insígnias da Ordem Franciscana, ostentando vestígios de pinturas no intradorso, o que desapareceu com as intervenções mais recentes. *3 - a fachada principal da zona regral teve, até 1834, alguns vãos rectilíneos no primeiro piso, sendo marcado, no segundo, pela janelas da cela, quadrangulares e ladeadas por mísulas, possuindo, nos extremos, as janelas regrais, de maiores dimensões e com guardas de peito em cantaria de granito; em 1949, o proprietário possuía esta zona completamente alterada, tendo rasgado um pórtico no piso inferior, ladeado por vãos, e introduzindo uma sacada corrida assente em mísulas e com guarda em ferro, para onde abriam uma porta janela em arco de volta abatido e duas janelas de peitoril rectilíneas, ladeado por cinco semelhantes. *4 - estes vãos eram amplos, tendo sido, posteriormente, fechados e transformados em janelas de peitoril; com a intervenção da Universidade da Beira Interior, optou-se por transformá-las em janelas de varandim. *5 - este nicho era primitivamente um vão de iluminação. *6 - primitivamente, a abóbada era de tijoleira, aquando da intervenção pela Universidade da Beira Interior, apenas duas alas eram em abóbada e as restantes em tecto plano em laje aligeirada de betão; tem-se conhecimento que foram retiradas, do pavimento, lajes sepulcrais com inscrições e aplicadas na construção de uma fossa asséptica no exterior. *7 - os conventos da Província da Soledade eram: Nossa Senhora dos Anjos de Azurara (1424, v. PT011316040016), Bom Jesus do Monte da Franqueira (1497, v. PT010302590178), São Frutuoso de Real (1522, v. PT010303370061), Santo António de Aveiro (1524, v. PT020105060012), Nossa Senhora do Seixo, no Fundão (1526, v. PT020504170016), Santo António de Abrantes (1526, v. PT031401130058), Nossa Senhora da Anunciada, em Tomar (1528, v. PT031418070028), Santo António dos Olivais, em Coimbra (1539, v. PT020603180030), Santo António de Castelo Branco (1562, v. PT020502050088), Santo António do Vale da Piedade (1569), Nossa Senhora da Caridade do Sardoal (1571, v. PT031417030004), Santo António de Penamacor (1571, v. PT020507100006), Santo António de Ourém (1600), Santo António de Idanha-a-Nova (1630, v. PT020505030039), Santo António de Barcelos (1652), Santo António de Guimarães (1663, v. PT010308040086), Santo António de Penafiel (1663, v. PT0101311240074), São Francisco de Chaves (1673, v. PT011703500100), Santo António do Calvário, Porto (1735).