Arquitectura religiosa, popular, gótica. Capela de proporções médias, com volumes e soluções estruturais características do gótico final alentejano, com forte cunho mudéjar: contrafortes de secção circular, pináculos piramidais, remate de merlões chanfrados na capela-mor; interior totalmente abobadado em cruzaria de ogivas; portal em arco levemente quebrado. A ermida filia-se no tipo de construções regionais próximas de São Brás de Évora (v. PT040705210021) ou de Santo André de Beja (v. PT040205130002) e apresenta afinidades volumétricas e espaciais com a Capela de São Bartolomeu de Alvito (v. PT040203010014). O murete vazado que coroa a nave substituíu certamente um remate de merlões chanfrados idêntico ao que existe sobre a capela-mor.
Planta longitudinal, composta por 2 rectângulos justapostos, a nave (9,60 x 5,40 m) e a capela-mor (4,60 x 4,30 m). Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhado. Fachada principal, orientada, rasgada por portal em arco quebrado encimado por óculo, e lápide com inscrição; empena recta coroada por murete vazado interrompido por sineira, contrafortes em tronco de cone, com pináculos piramidais sobre acrotérios prismáticos; fachadas laterais da nave cegas, com idêntico remate e contrafortagem; capela-mor mais baixa, rasgada por pequenos vãos rectangulares, rematada por merlões chanfrados. INTERIOR: nave única de 2 tramos coberta por abóbada de cruzaria de ogivas, estribadas em mísulas poligonais, decoradas com pinturas murais figurando anjos músicos, tocando os mais variados instrumentos de sopro e de corda, enquanto um segura a pauta; em parte das paredes da nave, sobre frescos imitando silhar de azulejo enxaquetado, estão representados santos: São Pedro e São Paulo, ladeando a porta, São Lourenço, São Fabião e Santo Estêvão do lado do Evangelho; púlpito com base em cantaria e guardas e escada de acesso em ferro; pia de água benta em mármore de forma hexagonal e encordoado manuelino. Arco triunfal de volta perfeita, sobre pilastras de capitéis moldurados; capela-mor, de pavimento alteado e com idêntica cobertura; na parede testeira ladeando os 3 nichos que encimam o altar-mor, pinturas murais figurando Santo António e São Francisco recebendo os estigmas, sendo o restante paramento pintado em azul celeste; altar-mor, repintado de azul.
Materiais
Alvenaria rebocada em estruturas, pavimentos de cantaria e tijoleira, cobertura de telha cerâmica.
Observações
*1 - A ermida, dedicada a São Sebastião, protector da peste, fica situada, como é hábito com santuários dedicados a este orago, no extremo da povoação, do lado de onde se julgava vir o terrível flagelo (MANIQUE, 1949).