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Quinta do Aranda

Quinta do Aranda

O ponto de interesse Quinta do Aranda encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Paradela e Granjinha no municipio de Tabuaço e no distrito de Viseu.

Arquitectura agrícola e arquitectura residencial, de encosta. Quinta de produção vitivinícola, implantada em solos de xisto e de granito de declives acentuados, numa região de clima seco, apresentando diversos tipos de armação do terreno vitícola, correspondentes a diferentes épocas: vinha pré e pós-filoxérica em socalcos, patamares, taludes de terra, vinha ao alto e em linha, com zonas de mato nos níveis superiores e junto ao rio e oliveiras em bordadura e em socalcos em algumas áreas. Área construída localizada em local estratégico, cenográfico e centralizado. Construções de arquitectura vernacular edificadas até ao séc. 18, e ecléctica oitocentista e novecentista adossadas e dispostas ao longo da encosta. Quinta caracterizada pela diversidade de espaços produtivos, formando anfiteatro na encosta, de elevado carácter cénico, perfeitamente delimitado por elementos naturais ou edificados, como por exemplo um ribeiro, a S., ou os muros da Cerca do Mosteiro de São Pedro das Águias, a N.. Subsiste um pequeno núcleo de vinha em socalcos pré-filoxéricos. Grande parte das vinhas implanta-se em socalcos pós-filoxéricos, encontrando-se ¼ das vinhas dispostas em patamares de taludes de terra, sendo ainda possível observar cinco parcelas de vinha dispostas em linha. Áreas de pomar e de horta localizam-se perto da área edificada. O núcleo edificado encontra-se localizado em local central, dominando toda a propriedade, sendo acedido por estrada particular calcetada. Toda a área edificada encontra-se assente em patamares dispostos em cotas diferentes. Casa do Caseiro de arquitectura vernácula, tal como a maioria dos anexos. Casa Principal, de linhas clássicas, algo ecléticas, lembrando um "chalet" de montanha. Capela de risco vernacular com retábulo revivalista de estilo neoclássico. Embora nos encontremos perante uma construção mais cuidada, com aparelho de alvenaria de granito rebocada e pintada de branco, com formas regulares e vãos de janela de guilhotina com venezianas, quando observado todo o conjunto, deparamo-nos com um ambiente geral que nos remete para a arquitectura vernácula; no entanto, e ao examinar-se a fachada principal, voltada a O., poder-se-á concluir que houve uma tentativa de criação de um novo corpo influenciado pela arquitectura dos "chalets" de montanha oitocentistas, pautado por uma varanda alpendrada em que o lambrequim se encontra profusamente decorado por placas lavradas de ferro fundido com motivos de sabor neogótico.

Propriedade composta por parte agrícola e vitivinícola, que corresponde à designada Quinta das Herédias, em sentido estrito, e por uma parte florestal (excluída da classificação), fora do limite daquela e em plano superior à estrada nacional, constituída por três prédios, denominados Patalão ou Ribeiral, Mata ou Souto do Alho e Passa Frio, este último já dentro dos limites da freguesia de Távora, atravessada, na metade S., por ribeiro no sentido O. / E., indo desaguar no rio Távora; é atravessado por pequena ponte de granito, por onde passa o caminho público antigo, no extremo SO. da quinta. Esta encontra-se implantada em encosta com declives acentuados e solos cascalhentos de xisto, conjugados em alguns locais com massas graníticas, sendo toda delimitada por muros de xisto com cerca de 1 m. de altura, bordejados, a N., por oliveiras. A estrada particular, de acesso ao núcleo construído, encontra-se toda calcetada, sendo acompanhada lateralmente por muros de xisto de suporte dos socalcos onde se implanta o olival, com vários especímenes centenários; perto do portão, junto ao caminho, conserva-se uma pequena construção oitocentista em aparelho de xisto caiado com cobertura, em telha, de quatro águas, e que serve de apoio à lavoura. Pequena zona de mata e de souto subsiste em parte da propriedade, nas cotas superiores, a SO., sendo atravessada pelo caminho público antigo que liga as povoações de Távora e Granjinha; um extenso olival implanta-se em mais de ¼ da propriedade, a N. e E. do núcleo edificado, em zona que indicia antigos mortórios de vinha, devido aos inúmeros socalcos de pequena altura murados com xisto e que acompanham naturalmente as curvas de nível, sendo algumas parcelas do lado S. demarcadas por oliveiras dispostas em linha. Em diversos patamares localizados junto ao núcleo edificado implantam-se extensos laranjais, com alguns especímenes bastante antigos, vislumbrando-se ainda, em alguns pontos, algumas amendoeiras. Diversas hortas encontram-se implantadas longitudinalmente, na parte central da propriedade, no sentido N. / S., entre as casas de habitação e os edifícios da oficina vinária e da casa do azeite. As vinhas de uma pequena parte da propriedade, a E. das casas de habitação, permanecem plantadas em socalcos pré-filoxéricos (anteriores à invasão da filoxera), acompanhando as curvas de nível, com cerca de 2 m. de largura e 1 m. de altura, sendo conduzidas por 2 fiadas de arame por bardo, com altura de 1 m. em média, sustentados por poios (esteios) de xisto. Na parte central e O. da quinta, os terrenos permanecem armados com socalcos pós-filoxéricos, de muros graníticos largos e altos, de construção sólida, criando uma paisagem geometrizada com parcelas seguindo as curvas de nível, mas de desenho regular, ocasionando orientações diversas das várias vinhas que se desdobram em várias fiadas de bardos por socalco, pontuando em alguns sítios oliveiras e amendoeiras. A ligação entre os diversos socalcos é feita através de escadas embutidas nos muros de granito. Na parte S. da quinta, em três largos patamares de inclinação relativamente acentuada, desenvolvem-se vinhas dispostas em linha, paralelamente às curvas de nível, sendo rasgadas na perpendicular por caminhos de lavoura *1. Numa pequena parcela, localizada junto ao caminho privado na parte NO. da propriedade, implanta-se, rodeada pelo olival, uma vinha disposta em linha, da mesma época. Na parte SE. da quinta, mais precisamente em cerca de ¼ da propriedade, desenvolvem-se vinhas armadas em patamares, com taludes de terra, em terraços de cerca de 2,80 m. de largura e 3 m. de altura, com uma fiada de bardos por patamar. Os seus bardos possuem duas fiadas de arame e alturas de 1,5 m. A conexão entre os taludes é feita por caminhos de terra que riscam a paisagem na diagonal. No centro da propriedade, em lugar de destaque, observável de qualquer ângulo da quinta, desenvolve-se a maior parte do núcleo edificado. A articulação entre os espaços é feita através de escadarias de granito, rampas calcetadas e de terra batida. Algumas vinhas armadas em latada bordejam as rampas e caminhos. O núcleo edificado é composto pelos edifícios da Casa Principal, Casa do Caseiro, capela, estábulo e casa do forno, e, em plano superior, pela antiga casa do azeite e pela oficina vinária, composta pela casa dos lagares e pelo armazém. O espaço edificado encontra-se organizado de modo funcional, ao longo dos diversos patamares, adaptando-se ao desnível do terreno. Os diversos edifícios apresentam coberturas diferenciadas com telhados de 1, 2, 3 e 4 águas. O núcleo primitivo de arquitectura vernácula, corresponde à actual Casa do Caseiro, quinteiros adjacentes, Estábulo, Casa do Forno e Telheiros. Um moinho desactivado, em aparelho de granito com cobertura de uma água e panos rasgados por vãos simples, conserva-se sensivelmente a meio do referido ribeiro, no centro da propriedade, perto do núcleo edificado.

Materiais

Paisagem - inertes: xisto e granito aparelhado e taludes de terra; vivos: vinha, árvores de fruto, oliveira, sobreiro, cedro, castanheiro, azinheira, carvalho-negral, medronheiro, etc., vegetação arbórea-arbustiva (aveleira, cornalheira, urze, esteva, zimbro, etc.). Núcleo construído: granito e xisto aparelhado e cimento armado; rebocos interiores e exteriores de cal; coberturas de telha portuguesa de barro, sobre armação de asnas de madeira e algumas, poucas, de betão, caixilharias de madeira pintada, retábulo de madeira de castanho; ferro fundido e forjado nas ferragens; bronze.

Observações

*1 - até à década de 1970, desenvolvia-se nessas parcelas uma das matas da propriedade. *2 - o núcleo edificado aparece descrito da seguinte forma: "Estas sam as propriedades do Prazo velho; o coal tem humas cazas que sam tilhadas e sobradadas com duas sallas e huma camarata no meyo e duas cozinhas ; na mesma salla da entrada huma e no meyo das cazas outra e hum coarto ou corte mista a entrada das mesmas cazas; tem mais duas loiges por baixo dos sobrados das mesmas cazas ; mais hum forno na cozinha da primeira salla e tem na frontaria das cazas para a parte do Sul hum quinteiro que serve de antrada as mesmas loiges e no fim do quinteiro para a mesma parte tem dois cortelhos descobertos ; e continuado a estes cortelhos hum pumar de espinho para a mesma parte, murado, em redordo com oito Arvores de espinho, sinco grandes e tres piquenas ; coatro oliveiras a roda e huma Figueira, huma Masieira ; e por baixo das cazas para a parte do Rio e nasente tem duas Amoreiras..." (Arquivo da Quinta das Herédias). *3 - deverá tratar-se do traslado formal de uma compra anteriormente feita, uma vez que o Dr. Francisco Herédia terá falecido 5 meses antes. *4 - a parte edificada da quinta aparece descrita da seguinte forma: "E dentro desta medisom esta hum Armazem que he tilhado que medindo pela parte de fora do Nascente ao Puente tem de comprido dezaseis varas e meia; e de largo do N. ao S. seis varas e meia e tem mais huma caza de lagar pegada ao mesmo Armazem tambem tilhada com dois lagares dentro que medida do E. a O. tem treze varas e meia e do N. a S. tem seis varas e meia; e tem mais duas moradas de cazas que sam telhadas e sobredadas com suas loges que medidas do N. ao S. tem dez varas; e de E. a O. tem dezasete varas; e tem mais noventa oliveiras; e arvores de fruto…" (Arquivo da Quinta das Herédias). *5 - a arrendatária ficou obrigada a manter o prédio arrendado nas melhores condições possíveis de produtividade, explorando o mesmo de acordo com as técnicas de cultivo aconselháveis; do mesmo modo, ficou a seu cargo a manutenção dos muros, da estrada de acesso e dos quatro patamares referidos, incluindo o tratamento das árvores de fruto neles existentes e a eventual apanha dos frutos, revertendo para si o produto da sua venda, mais se tendo obrigado, durante a vigência do contrato, à reconversão mecanizada dos 4,8 hectares de vinha existente e ao plantio, igualmente mecanizado, do restante terreno, com cerca de 15 hectares, incluindo o espaço de terreno actualmente ocupado pelo olival, sendo da responsabilidade da senhoria a obtenção gradual das licenças necessárias à execução do referido projecto de remodelação e extensão da vinha; o rendimento resultante da venda da madeira proveniente do mencionado arranque e corte do olival reverterá para a arrendatária.