Espaço verde de recreio / Espaço verde de produção agrícola. Jardins com uma caracterização estilística romântica e jardins formais. Quinta de recreio definida por espaço com funções essencialmente recreativas mas também produtivas associado a uma antiga casa de habitação convertida em hotel e contendo antigos campos agrícolas, horta, mata e jardim. A mata apresenta construções harmoniosas em rochas salientes e uma complexa rede de caminhos curvilineos formando um cenário romântico, paradisíaco, insólito e enigmático reforçado pelo denso tecto vegetal de plantas exóticas e autóctones. Seteais é um marco de viragem na tipologia da arte paisagista surgindo, a par com Monserrate, como introdução ao romantismo. Este facto teve repercursões significativas a outros níveis, despertando o gosto pelos bons ares e boas vistas da serra de sintra aso habitantes da vila, aos estrangeiros e mesmo aos reis.
Planta aproximadamente rectangular levemente apertada ao meio. Murada a toda a volta exepto a SE., onde gradeamento de ferro com três portões acompanha a fachada principal do palácio. Nos extremos do gradeamento, mirantes com passagem sob o da esquerda pertencendo o da direita à quinta da alegria. Muros interiores separam a quinta em três faixas: a NE., campo de setais, palácio e jardim formal; ao meio, a zona de recreio activo (antigos campos agrícolas) e a SO., a mata. O CAMPO DE SETEAIS é o espaço entre o palácio e o gradeamento de ferro. No seguimento do portão central do gradeamento, escadaria com sete degraus dá acesso a extenso relvado ladeado por buxo talhado em formas geométricas e limitado, junto à fachada do edifício, por canteiro de buxo contínuo preenchido com rosa e berberis e por dois cedros alinhados com o arco triunfal. Paralelas ao relvado, alamedas com alinhamento de plátanos iniciam-se nos portões laterais do gradeamento; No palácio (v.IPA.00006094), CLAUSTRO rectangular com parterres de buxo em desenho geométrico em simetria quadripartida e e bicentrada (em canteiro e em poço, ambos circulares). Sobre a COBERTURA N. do palácio, terraço pavimentado com calçada, limitado por canteiro a toda a volta, termina em murete com vista sobre os jardins formais e toda a várzea de Sintra até ao mar. Centrado em taça octogonal com chafariz ao meio. No extremo N., grande penedo denominado penedo da saudade; JARDIM FORMAL estende-se a NO. do edifício acompanhando toda a fachada posterior. Dividido por muro rasgado por passagem e por janela com namoradeira, separando a zona do séc. 18 da do séc. 20. A primeira, limitada por muro com alegrete, apresenta desenho geométrico de canteiros de buxo preechidos com topiária em forma arredondada. A NO., namoradeiras no muro de onde se avista toda a várzea de Sintra até ao oceano. Tanque com taça de quatro bicas na base da escadaria que dá acesso ao palácio. A zona do séc. 20 apresenta desenho geométrico irregular de canteiros de buxo e termina na antiga vacaria e pombal. Entre muro com alegrete e muro que separa as duas zonas, corredor tem ao fundo, sob castanheiro, banco rectangular de costas elevadas e ornamentadas. A SO. pequeno terreiro também limitado por muro com alegrete serve de miradouro, sob cedro-do-buçaco; A ZONA DE RECREIO ACTIVO desenvolve-se em cinco patamares: zona junto ao muro NO, piscina, com grandes canteiros de buxo a NO, prado sob limoal, campo de ténis e picadeiro com cavalariça. Este espaço termina numa horta antes de iniciar a subida para a mata; A caminho da MATA, grande tanque separado da rampa por muro de suporte com namoradeira. A cota superior, grotto com frescos ainda visíveis na parte superior das paredes da alas. Surge o coberto vegetal denso com abundância de espécies exóticas, caminhos orgânicos, rochas salientes intercaladas com escadarias ou bancos. A NO. miradouro permite larga vistas sobre a envolvente. Adjacente ao muro de suporte da mata, escadaria com três lances faz ligação ao limoal. Junto ao muro NO., ZONA AGRÍCOLA ABANDONADA com portão para o caminho da fonte dos amores. Zonas de pomar em terraços e escadaria que acede ao canto E. do edifício passando por miradouro sob plátano.
Materiais
VEGETAL: árvores -árvore-do-incenso (Pittosporo undulatum). castanheiro (Aesculus hipocastanus), cedro-do-buçaco (Cupressus lusitânica), magnólia (Magnolia grandiflora), palmeira-das-vassouras (Chamaeropsis humilis), plátano (Platanus hybrida), teixo (Taxus bacatta); arbustos -aloé (Aloe vera), brincos-de-princesa (Fuchsia sp.), buxo (Buxus sempervirens).
Observações
1* - DOF: Palácio de Seteais, construções e terreiro vedado, jardins, terraços e quinta; Existem várias lendas a respeito do nome de Seteais mas provavelmente a sua origem provém do antigo uso daquele terreno para a produção de centeio - centeais.«Um manuscrito anónimo de 1851 diz-nos que Daniel Gildemeester «em 1783 comprou, no fim do Campo do Alardo (antiga denominação do Campo de Seteais), os ginjais e serrados que antigamente parece que produziram centeio (...)» (SILVA, 1989). *2 - (do manuscrito anónimo): «mandou demolir o grande morro de pedra e construir um palácio que hoje ali se encontra» e «construiu também da parte Norte do palácio um pequeno pombal e entre este e o jardim das cozinhas. Fez juntamente ao grande morro de pedra, a quinta a que chamou da alegria; para o que mandou quebrar muitos rochedos e conduzir de fora muita terra, fez um largo jardim, conduziu da serra água em abundância, semeou e plantou muitas árvores. Também povoou futuros bosques de grutas e mirantes, casa de banho, grandes tanques, pomares de espinho e pevide» (CARVALHO, 1962).