Fábrica de cerâmica oitocentista. Muro-Mostruário revestimento com recurso a elementos formais ao gosto romântico revivalista, naturalista, Arte Nova, tais como grinaldas de flores, e elementos vegetais estilizados, ameias denteadas coloridas ou imagens naturalistas bucólicas, ou registos documentais figurando vultos do panorama artístico da época. Os azulejos eram utilizados por associação, constituindo um padrão, ou então um painel decorativo específico. As ameias, ou elementos decorativos introduzidos nas padieiras com recurso a formas vegetalistas, fazem parte de um reportório romântico, tipíco das construções do séc.19 portuense e gaiense.
O NÚCLEO FABRIL 1 é constituído pelo edifício da fábrica, propriamente dito, onde se instalam oficinas, armazéns e escritórios, e o NÚCLEO FABRIL 2 pelas oficinas e aí localizam-se duas chaminés, o forno cerâmico e o muro-mostruário. Fronteiro ao edifício da fábrica, separado por rua, implanta-se o muro-mostruário, flanqueado pelas construções que definem o núcleo fabril 2. O muro-mostruário, inicia-se na fachada de uma das construções, de dois pisos (n.º 206) definidoras da entrada no núcleo fabril 2, prolongando-se para O. ao longo do muro definidor deste quarteirão. O Muro é rematado por ameias recortadas e coloridas, e nele, distribuem-se diversos painéis entre os quatro vãos cegos da fachada, delimitados por frisos, com elementos florais. A contornar os vãos, azulejos de remate marmoreados, de arestas chanfradas, e dimensões alternadas. Ao longo do muro oito painéis de diferentes dimensões apresentam diferentes azulejos padrão, associados quatro a quatro, emoldurados por elementos cerâmicos, ou painéis figurativos, de paisagem, historicistas ou documentais. Destacam-se dois painéis monócromos a azul com a figura de Almeida Costa e Teixeira Lopes nos espaços da fábrica.
Materiais
MURO-MOSTRUÁRIO: Parede de alvenaria rebocada (suporte dos painéis); parede de alvenaria rebocada; azulejos ceramicos, alguns deles vidrados; remates em tijolo cerâmico vidrado.
Observações
*1 - Incluído no "Conjunto da Fábrica de Cerâmica das Devesas, incluindo núcleo fabril 1, núcleo fabril 2, Casa António Almeida da Costa, Bairro dos Operários, Bairro dos Contramestres, Creche Emília de Jesus Costa, Asilo António Almeida da Costa, Conjunto Habitacional e Depósito de Materiais do Porto (R. José Falcão e R. da Conceição)". A Fábrica de Cerâmica das Devesas estabelecida em Vila Nova de Gaia em 1865, constituía na época uma das maiores e mais bem equipadas unidades fabris no género. Fundada por António Almeida e Costa possuía também incorporada na mesma uma Fundição. Esta Fundição além da produção de artefactos de ferro produzia as máquinas ligadas á produção cerâmica. O sócio de António Almeida e Costa era o Mestre José Joaquim Teixeira Lopes, Mestre de Escultura Cerâmica. A sua formação vinha da Escola de Belas Artes do Porto e da Escola Imperial de Paris. A unidade industrial das Devesas, assim como a do Carvalhinho e a de Massarelos estão ligadas à produção de "azulejo de relevo". Este Muro Mostruário constituía em Vila Nova de Gaia um catálogo vivo dos elementos produzidos pela Fábrica. Dada a importância da cidade do Porto como um centro de comércio por excelência, foi construído pela Fábrica, em 1901, na antiga Rua D. Carlos I (actual Rua José Falcão), um edifício para depósito dos materiais produzidos para mostruário e comercialização dos mesmos.