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Igreja de Santa Quitéria

Igreja de Santa Quitéria

O ponto de interesse Igreja de Santa Quitéria encontra-se localizado na freguesia de Meca no municipio de Alenquer e no distrito de Lisboa.

Arquitetura religiosa, setecentista. Igreja paroquial reconstruída no final do séc. 18, com harmonia arquitetónica e decorativa, de planta poligonal composta por nave, antecedida por nártex, transepto pouco saliente e capela-mor mais estreita, com sacristia e casa da confraria, adossados à fachada posterior, possuindo duas torres sineiras. Segue um esquema planimétrico semelhante ao da Igreja de Santo António de Lisboa (v. IPA.00003143) e tendo afinidades com o da Basílica da Estrela (v. IPA.00010613), edifícios do arquiteto régio Mateus Vicente de Oliveira, pelo que se deduz que a sua intervenção no imóvel, a partir do momento em que a rainha D. Maria I passa a proteger o novo templo, não terá sido meramente de acompanhamento, mas terá tido influência direta na sua traça. Aliás os elementos de inspiração borromínica, praticamente uma assinatura do mestre, estão claramente presentes, especialmente no remate da fachada principal, com frontão contracurvo. A estrutura planimétrica revela que se trata de um templo com grande afluência de peregrinos, com a criação de corredores laterais e um pequeno corredor por detrás da tribuna, permitindo a visualização da imagem do orago e a rápida circulação dos fiéis, sem afetar o culto no interior. As pessoas régias e nobres que o visitavam tinham entrada própria, a partir de uma porta rasgada na fachada lateral direita que ligava diretamente às escadarias e aos corredores das tribunas, no segundo piso. A fachada principal é do tipo harmónico, flanqueada por duas falsas torres sineiras, que abrem inferiormente em nártex profundo com acesso por amplos vãos de volta perfeita e sobre o qual se ergue o coro-alto. As fachadas laterais são semelhantes, mas com as várias dependências marcadas exteriormente por diferenças volumétricas e rasgadas por vãos retilíneos, com molduras recortadas. O interior obedece à simplicidade decorativa imposta pelo recurso sistemático à cantaria que imperou no final do séc. 18, sobretudo nos imóveis (re)construídos no pós-terramoto. É marcado por capelas laterais à face na nave e braços do transepto, estas de linguagem mais classicizante com remates em frontões, que contrastam com os espaldares recortados dos exemplares existentes na nave. Tem coberturas em abóbadas de lunetas, revestidas a telas pintadas com episódios da vida do orago, que centram o cruzeiro, onde surge a representação dos Evangelistas. As pinturas têm semelhanças com outros templos de Lisboa, revelando a coexistência de uma tendência decorativa rococó e neoclássica que marcou os anos finais de Setecentos e o início do séc. 19, bem como a predominância da escola de Pedro Alexandrino de Carvalho, que se terá envolvido diretamente na pintura das telas dos retábulos do braço do transepto. A capela-mor revela os regulamentos impostos pela construção pombalina, com grande profusão de vãos e um caráter palaciano no recurso a um segundo registo de janelas, que constituem tribunas.

Planta poligonal regular composta por templo em cruz latina, com a nave antecedida por nártex, de onde evoluem falsas torres sineiras, e por vários anexos adossados, de volumes articulados e escalonados com coberturas diferenciadas em telhados cerâmicos com telha de aba e canudo, de duas (nave, nártex, braços do transepto, capela-mor e anexos), quatro (cruzeiro do transepto) e cinco (corpo posterior) águas, rematadas em beiradas simples; as torres têm coberturas em coruchéus bolbosos com esferas e cruzes metálicas nos vértices. Fachadas com paredes em alvenaria de pedra rebocada e pintada de branco, exceto a principal em cantaria de calcário, com socos do mesmo material, flanqueadas por cunhais de cantaria e rematadas em cornijas. Fachada principal virada a S., em cantaria de calcário, composta por corpo central e duas falsas torres, definidos por seis pilastras de ordem colossal e com capitéis coríntios. O corpo central remata em frontão contracurvo, de perfil borromínico, vazado por óculo cego e encimado por cruz latina ladeado por fogaréus. Na base, três arcos de volta perfeita assentes em pilastras e com os seguintes almofadados, o central mais largo e encimado pelo escudo de Portugal; possui, ainda, dois arcos laterais. Todos eles estão encimados por janelões de varandim em cantaria, de perfis recortados e molduras salientes, com fecho saliente e ornado por estrias, encimados por cornija angular, o central ladeado por palmas e com as pilastras laterais ornadas por folhagem. As torres possuem dois registos separados por cornijas recortadas, os inferiores com os mostradores dos relógios e os superiores com ventanas de volta perfeita e remates em frisos cornijas e fogaréus. O nártex tem coberturas em abóbadas de aresta, rebocadas e pintadas de branco, dando acesso ao portal axial de moldura recortada e encimado por frontão semicircular. Os vãos das fachadas laterais são retilíneos com as molduras recortadas. A fachada lateral esquerda rasgada por um eixo de duas janelas na zona do coro-alto, surgindo duas no corpo da nave e duas no da capela-mor; o transepto, saliente, remata em frontão triangular sem retorno e vazado por óculo circular, possuindo, nas faces laterais, um eixo de duas janelas. Sobre a estrutura, é visível o corpo do cruzeiro, cego e encimado por pequenos pináculos. O corpo adossado à nave evolui em dois pisos, onde funcionava o batistério, a capela mortuária e dependências paroquiais, dividido em dois panos, o do lado direito com ampla porta e remate em ática de perfil curvo. No pano do lado esquerdo, duas portas e uma janela no primeiro piso, a que correspondem três janelas de peitoril no segundo; no extremo direito, pequena fresta. Os corpos adossados à capela-mor, correspondentes a corredores de circulação e ao corpo posterior, este saliente, evoluem em dois pisos, rasgados por janelas de peitoril, semelhantes às anteriores. Fachada lateral direita rasgada, no pano correspondente ao coro-alto por porta e um eixo de duas janelas, tendo a nave, transepto e capela-mor semelhantes aos da fachada oposta. À nave, adossa-se corpo de um piso, correspondente a zona de arrumos, com duas janelas retilíneas. Os corpos adossados à capela-mor e ao corpo posterior, este saliente, evoluem em dois pisos, rasgados por janelas de peitoril, semelhantes às anteriores, surgindo no adossado à capela-mor porta de verga reta. Fachada posterior com remate de perfil tipo mansarda, evoluindo em dois pisos, o primeiro com cinco janelas, duas entaipadas, a do lado direito rasgada por óculo circular; no segundo piso, cinco janelas de peitoril, as dos extremos de menores dimensões. INTERIOR em cantaria de calcário, com o corpo da nave dividido em três tramos por pilastras colossais com capitéis da ordem jónica, ornados por festões; tem cobertura em abóbada de lunetas, com forro de madeira, revestido a telas pintadas com elementos decorativos e figurativos; pavimento em cantaria. Coro-alto sobre pilastras e tribuna de madeira assente em modilhões, com guarda de balaústres de madeira pintada a imitar pedra, com acessos por portas laterais a partir das torres sineiras, acedidas por portas no sub-coro encimadas por áticas e cornijas angulares. Possui órgão de tubos com caixa de madeira pintada. O portal axial encontra-se protegido por guarda-vento de madeira e vidro. Confrontantes, as capelas laterais, rasgadas por arcos de volta perfeita, à face, dedicadas a São Sebastião e a São Miguel Arcanjo (Evangelho) e a São Bernardo e a Santa Marinha (Epístola). Ainda confrontantes, os púlpitos quadrangulares, em cantaria e com mísulas do mesmo material, formando um caule de flor, tendo guardas plenas e acessos por portas de verga reta a partir do transepto, encimadas por guarda-vozes em cantaria, rematados por pináculos. A nave e o cruzeiro são percorridos por teia de madeira com acrotérios de pedra, encimados por lampadários. Os braços do transepto possuem, nos topos, capelas retabulares dedicadas ao Santíssimo Sacramento (Evangelho) e a São João Baptista (Epístola). Junto a este, um órgão elétrico e a pia batismal em cantaria, composta por coluna galbada e taça hemisférica. O cruzeiro tem cobertura pintada a representar os quatro Evangelistas. Capela-mor marcada por pilastras semelhantes às da nave, que ritmam eixos, onde se rasgam duas portas e uma janela com consola, que ligam aos corredores laterais, e se encontram encimadas por duas janelas que abrem para as salas do piso superior, formando as antigas tribunas; cobertura em abóbada de lunetas, com telas pintadas. Na parede testeira o retábulo-mor em cantaria de calcário, de planta reta e um eixo definido por duas colunas de fuste liso e negro, capitéis coríntios e assentes em altos plintos paralelepipédicos, de faces almofadadas. Ao centro, tribuna de volta perfeita com moldura saliente e contendo trono expositivo com a imagem do orago, ostentando pintura decorativa, com quadraturas e apainelados. A estrutura remata em entablamento e frontão semicircular contendo querubim. Está ladeado por dois painéis pintados com molduras de cantaria, representando a "Aparição de Santa Quitéria" e a "Entrada da Imagem na Nova Igreja", sob os quais surgem as portas de circulação pela tribuna, rematadas por áticas angulares. A ladear a capela-mor, dois amplos espaços de circulação, contendo pias de água benta em cantaria de calcário, que ligam à sacristia e a escadas de cantaria, de acesso às tribunas e à Sala da Confraria.

Materiais

Paredes exteriores rebocadas (com argamassa de cal e areia) e pintadas de branco; paredes interiores rebocadas e estucadas com efeito marmoreado; elementos estruturais, cunhais, pilastras, molduras de vãos, embasamentos, frisos, cornijas, colunas, arcos, abóbadas, frontão, pias de água benta e batismal, supedâneos, lajes de pavimento, estrutura de escadas, cisterna, goteiras e outros elementos em pedra calcária; abóbadas em alvenaria de tijolo; retábulos e colunas em brecha polida; colunas em alvenaria de pedra imitando brecha; cadeiral da nave, estrutura do altar-mor, teias, piano, mobiliário, pavimentos, tetos, sancas, estrutura da cobertura, portas e caixilharia em madeira; teto, órgão e cadeira em talha pintada; painéis com telas pintadas; altar-mor com talha dourada; pavimento dos corredores e anexos em ladrilho; revestimento de pavimentos em alcatifa; pára-raios, antenas, vedações de altares, corrimão e fixação, ligadores entre pedras, ferragens de portas e janelas em ferro; folhas de portas reforçadas com chapa; chapas de remate na cobertura, caleiras e tubos de queda em zinco; canalização de água em chumbo; cablagens elétricas em cobre; sinos em bronze; relógio exterior em metal; janelas em vidro simples; coberturas exteriores em telhas cerâmicas.

Observações

*1 - A devoção a Santa Quitéria, protetora contra a raiva, é bastante antiga, e durante a sua romaria no dia 22 de maio, os romeiros costumavam ir em carroças e galeras de bois enfeitadas de buxo e flores, dando algumas voltas ao cruzeiro; depois da procissão benzia-se o gado e o pão que depois se dava aos animais que ficavam nas quintas, para que a Santa os livrasse da raiva. Hoje restam apenas as tradicionais voltas ao cruzeiro e a bênção do gado. *2 - A maioria da pedra utilizada na construção da igreja teve origem na vizinha Pedreira da Santa. A pedra denominada "brecha negra" usada em algumas colunas teve origem, segundo Guilherme João Carlos Henriques, numa pedreira que existiu em Monte Redondo, e que foi usada também no retábulo da Capela de Santo António, na Quinta da Abrigada. *3 - as telas, com a dimensão total de 11,20x7,40m, foram enviadas ao antigo Instituto José de Figueiredo em 1982; o Instituto Português de Conservação e Restauro que ficou com as atribuições daquele, remeteu as telas para o atelier Junqueira 220 em 11/10/2001.