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Igreja de Santo António

Igreja de Santo António

O ponto de interesse Igreja de Santo António encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Alcácer do Sal (Santa Maria do Castelo e Santiago) e Santa Susana no municipio de Alcácer do Sal e no distrito de Setúbal.

Arquitectura religiosa, renascentista, maneirista. Igreja conventual; capela lateral funerária (Onze Mil Virgens). Portal axial da igreja com relevos decorativos renascentistas semelhantes aos do claustro principal de Castilho, no convento de Cristo em Tomar; síntese harmoniosa entre o espaço longitudinal da nave e o espaço centralizado do cruzeiro, delicadeza no traçado de molduras e perfis, utilização do motivo de Serlio. Portal axial da capela, portais do altar e capela lateral N., galilé de proporções maneiristas. Capela sepulcral de grandes dimensões construída paralelamente à igreja conventual. A junção do corpo da galilé mais alto que a igreja e capela anexa veio adulterar o equilíbrio pré-existente.

Planta longitudinal composta por 2 rectângulos de diferentes dimensões: a nave e a capela-mor; adossada à nave do lado N. uma capela rectangular; paralela à igreja do lado S. uma capela longitudinal composta, a S, também longitudinal e composta pela nave rectangular, cruzeiro de planta quadrada e ousia rectangular; pequena sacristia quadrangular adossada à nave, a S.; antecede a igreja e capela uma ampla galilé rectangular disposta transversalmente. Volumes articulados com coberturas diferenciadas, em telhados de 2 águas nas naves e capela-mor, de 4 sobre a galilé, em cúpula rematada por lanternim sobre o cruzeiro da capela. O corpo da galilé de 2 andares, para o qual abre a igreja e capela, é rasgado por 3 arcadas redondas a O., por 2 a S. e por janelas de sacada no 2º piso. No INTERIOR a nave da igreja coberta por abóbada de berço abre para a capela-mor, também abobadada, por arco triunfal a pleno centro sobre pilastras; a comunicação com a capela a S. faz-se por tripla arcada a pleno centro, com o motivo de Serlio na zona de comunicação entre as naves, repetindo-se em arcada cega no paramento interno da parede S; abóbada a berço sobre a nave da capela, cúpula em meia-laranja sobre pendentes no cruzeiro, esteira horizontal sobre a ousia.

Materiais

Alvenaria de pedra e de tijolo rebocada e caiada, cantaria em cunhais, molduras e pavimentos; mármore rosa de Estremoz na parede divisória entre a igreja e a capela das Onze Mil Virgens, no seu revestimento interno, na construção da cúpula (intradorso e extradorso) e nos enxalços das janelas; mármore vermelho e negro nos portais da capela e altar a N; azulejos, ferro, vidro, madeira, telha cerâmica.

Observações

*1 - Maria da Conceição Pires Coelho põe a hipótese da autoria do projeto da capela das Onze Mil Virgens ser da autoria do arquiteto italiano "Jam Francisco de Solle, venezeano", devido aos documentos existentes na correspondência entre D. Pedro de Mascarenhas e o rei, ainda que esses apenas aludam à actividade daquele à arquitetura militar. Outra hipótese seriam os arquitetos, pedreiros e carpinteiros do Convento de Cristo em Tomar, devido à correspondência de D. Pedro com Frey António de Lisboa, Dom Prior do Convento e então à frente das obras do mesmo. A autora admite ainda a intervenção de João de Castilho na igreja do convento de Alcácer, ainda que a capela não caiba no estilo desse mestre, e a de Filipe Terzi nos acabamentos da capela. Não exclui Francisco de Holanda, mas aponta-o com reservas como provável autor do risco. *2 - Na capela sepulcral das Onze Mil Virgens guardaram-se relíquias trazidas por D. Pedro de Mascarenhas da Alemanha e Itália, entre outras a cabeça de Santa Responsa, uma das Onze Mil Virgens, um pelo da barba de Cristo, um retalho da sua túnica, partículas do Santo Lenho, um dos 30 dinheiros, gotas do leite da Virgem. Segundo Segurado (1970), o Crucifixo que aí se encontra seria um auto-retrato do artista, o próprio Francisco de Holanda.