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Bairro de Casas Económicas de Braga

Bairro de Casas Económicas de Braga

O ponto de interesse Bairro de Casas Económicas de Braga encontra-se localizado na freguesia de Braga (São Vítor) no municipio de Braga e no distrito de Braga.

Setor urbano. Área com unidade morfológica contemporânea de traçado regular com perímetro poligonal. Habitação económica de promoção pública estatal (DGEMN). Bairro de casas económicas de média dimensão composto por casas geminadas unifamiliares térreas e de dois pisos das classes A (tipo 1, 2 e 3) e B (tipo 1, 2 e 3), com logradouro à frente e no tardoz. Inclui zona comercial e edifícios de equipamento coletivo (escola-cantina).

Conjunto de moradias unifamiliares delimitadas por pequeno muro com acesso por portão de ferro, que individualizam o espaço de jardim da fachada principal e do logradouro na fachada posterior, este por sua vez adaptado a quintal ou possuindo pequenas construções anexas. Organizadas num espaço de forma quase triangular, delimitado pelas três principais artérias de acesso. É constituido por 132 casas, das quais 112 são da classe A e 20 da classe B. Da classe A, 14 casas são do tipo 1, 60 casas do tipo 2 e 38 casas do tipo 3. Da classe B, 4 casas são do tipo 1, 6 casas do tipo 2 e 10 casas do tipo 3. Apresentam plantas rectangulares, de massa simples e volume horizontal, com coberturas em telhados de duas, três e quatro águas. Fachadas rebocadas e pintadas, com fachada principal rasgada por porta e janelas de verga recta, cujo número varia consoante a tipologia. As casas da classe B, de dois pisos, apresentam varanda na fachada principal. Interiormente, são organizadas por espaços destinados à sala de jantar, cozinha, quarto de banho e quartos de dormir, cujo número varia consoante a constituição do agregado familiar. A classe B, para além destas divisões, ainda possui uma sala de estar e um hall de entrada. Praticamente todas as divisões, da classe A e B, apresentam luz direta.

Materiais

Fundações em alvenaria de pedra, com paredes exteriores rebocadas e impermeabilizadas, em alvenaria hidráulica com a espessura de 0,40 nas casas de classe A, em alvenaria de juntouros de granito, de 0,40 de espessura, assentes em argamassa de cimento, cal hidráulica, areia e saibro, nas casas da classe B; portas exteriores e caixilharias em madeira de castanho e as interiores em pinho; estrutura do telhado e pavimentos das casas da classe A e do primeiro piso das casas da classe B, em madeira; mosaicos nas cozinhas e casa de banho; vidros simples nas janelas; cobertura exterior de telha; as vedações dos quintais das casas da classe A são em rede de arame e esteios de betão armado, na classe B, as vedações dos muros são de alvenaria rusticada; em redor das casas foram construídas valetas em cimento para o escoamento das águas pluviais; pavimento urbano com revestimento betuminoso.

Observações

*1 - Trabalhavam na elaboração dos projectos-tipo de casas económicas, arquitectos como Raul Lino, Eugénio Correia, Rebelo de Andrade, Couto Martins, Alberto Cruz, Rogério de Azevedo, entre outros. Os projectos dos diferentes tipos de casa económica de cada classe eram realizados de forma a permitir a ampliação futura, sem desvirtuar a volumetria e a estética do imóvel. *2 - O programa das casas económicas estruturavam-se em torno de duas estratégias: defender a família enquanto instituição de base da sociedade (art. 14 nº 1 da Constituição de 1933), com a obrigatoriedade de os beneficiários constituirem com a casa que ocupem, um casal de família e de assegurar a transmissão deste por sua morte; e facultar o acesso à propriedade da casa como factor de conservação da ordem social existente (D.L. nº 28912 de 12 Agosto de 1938). *3 - A distribuição das moradias da classe A eram destinadas aos sindicatos nacionais, em 75%, sendo os restantes 25% reservados a funcionários públicos e operários dos quadros do Estado e Câmaras Municipais; as moradias da classe B eram repartidas em partes iguais pelos três grupos referidos anteriormente. *4 - As casas económicas eram atribuidas em função das garantias económico-financeiras dos candidatos (idade activa, montante dos rendimentos auferidos, para a classe A, correspondem salários familiares até 20$00, para a classe B, salários compreendidos entre 20$00 e 45$00. *5 - A questão da localização das casas económicas era fundamental, devendo estar integradas harmonicamente nos planos de urbanização, delineados pelas Câmaras Municipais ou pelo Estado, e possuir boas acessibilidades com uma rede eficaz de transportes públicos. Regras rígidas regulavam o uso da casa: o não pagamento da mensalidade nos primeiros oito dias de cada mês implicava de imediato despejo dos ocupantes "pela polícia", assim como, a rescisão do contrato sem direito a qualquer compensação. As únicas excepções, respeitavam os casos de morte, invalidez, doença ou desemprego, que estavam contemplados pelo seguro obrigatório incluído no custo da casa. A proibição de quaisquer obras internas sem autorização prévia da Repartição das Casas Económicas, organismo que realizava uma vistoria anual de modo a vigiar as condições estéticas e sanitárias dos bairros, com inspecções aos alojamentos e actualizações de informação relativas às condições económicas e sociais dos candidatos a proprietários, os quais apresentavam certificado de boa conduta social e moral, onde se atestava a regularidade, a estabilidade e o comportamento profissional.