Casa corrente de três pisos. A fachada principal, muito estreita, aberta no 1º e 2º pisos por porta e janela, respectivamente, colocadas a eixo e no 3º piso, é rasgada por uma porta colocada à esquerda, que abre para varanda de sacada, assente sobre mísulas, com guarda em balaustrada, sendo todos os elementos em madeira. No âmbito da intervenção o interior do edifício foi reestruturado, com ligação dos três pisos por uma escada central, de modo a tirar o máximo partido das suas dimensões, ocupando o rés-do-chão a recepção, laboratório, instalação sanitária e arrumos, o primeiro piso duas salas de trabalho e o segundo de uma sala de trabalho, outra de reuniões e ligação com a varanda. Edifício de estética rectilínea, de grande verticalidade. A implantação das fachadas laterais é irregular, apresentando uma linha côncava na fachada direita e convexa na esquerda. No interior o tecto apresenta-se como um barco invertido de vigamento e asnas à vista.
Planta longitudinal de acentuada verticalidade, de 3 pisos, formando gaveto; cobertura em telhados de 3 águas com remates em beiral saliente, elevando-se no topo direito uma chaminé de forma prismática de grelhagem com aberturas rectas em duas das faces. Fachadas rebocadas e pintadas de branco. Fachada principal voltada a E., apresentando 2 frades nos cunhais; 1º piso rasgado por uma porta de moldura rectangular com recorte no lintel; 2º piso com friso separador em cantaria, é aberto por uma janela rectangular de 2 folhas, colocada a eixo da porta principal; 3º piso com varanda corrida em toda a extensão da fachada, com balaustrada em madeira, assente em quatro mísulas, também de madeira, e aberta por pequena porta colocada à esquerda da fachada. Fachadas laterais sem elementos divisores dos pisos, somente demarcados no primeiro por portas de moldura recta e nos pisos restantes por pequenas fenestrações que se abrem de forma irregular. INTERIOR: paredes rebocadas e pintadas de branco com estrutura interna sustentada com vigamento em ferro; os pisos apresentam espaços amplos, ligados entre si através de escadaria central de lanços rectos em madeira com guarda em metal. O piso térreo tem a zona de laboratório, recepção, instalações sanitárias e arrumos, e ainda uma pequena zona utilizada para exposições temporárias; o 2º piso tem instalada a área administrativa dividida em duas salas e o 3º piso apresenta igualmente duas salas onde funcionam o núcleo documental. Os pavimentos são em madeira e a estrutura do tecto é composta por vigamento de asnas à vista.
Materiais
Adobe, madeira, cantaria, telha, vidro; ferro.
Observações
*1 - passou a ser chamada de travessa da Esperança em 18.12.1887, sendo antes conhecida por travessa do Forno; em 1921, 29.12 chama-se travessa dos Banhos e em 1963 até à actualidade é designada por rua Acácio Paiva; a Rua Manuel António Rodrigues passou a ter esta designação em 29.12.1921, tendo sido também conhecida por rua da Esperança e travessa da Clemência. *2 - trata-se da inscrição indicativa da altura das águas da cheia de 21 de Dezembro, dia de São Tomé, de 1600, cuja leitura reconstituída e modernizada é a seguinte: [2]1 DEZEMBRO DE 1600 DEU POR AQUI A ESPANTOSA CH[EIA]. Do espólio das intervenções arqueológicas efectuadas durante a reconstrução do edifício foram encontradas uma lápide funerária contemporânea da construção da casa, algumas moedas e outros artefactos de menor importância datáveis do séc. 20. *3 - a designação Casa dos Pintores tem a ver com a frequência que este edifício é procurado e retratado por artistas, tanto locais como visitantes; algumas representações desta casa foram feitas por Raúl Lino.