Quinta de Recreio de caracterização estilística renascentista italina e portuguesa. Com funções marcadamente recreativas associada a uma habitação permanente e a turismo de habitação e contendo jardim, olival e mata. Características renascentistas italinas de simetria e atitude racionalista, avançadas em relação aos conceitos da época, sugerindo um programa arquitectónico de importação patentes na casa e no eixo gerador de todos os espaços, decorrente de uma estrutura ordenadora. Características quinhentistas tipicamente portuguesas presentes no grande tanque com o templete ao centro e no páteo interior do edifício. A quinta remete para uma época de prosperidade e de harmonia reflectidas pela diversidade de espaços, pela paz e silêncio de que desfruta pelo conjunto edificado imponente que apresenta um traçado particularmente destacado dos traçados utilizados na época, como é exemplo o tanque junto à fachada E.. A tranquilidade presente na quinta é acompanhada por uma biodiversidade abundante com permanência de habitats animais que ali encontram boas condições de existência. "A Quinta das Torres conserva uma atmosfera compassada, de corte bucólica, tão ao avesso dos tempos de hoje que o viajante cuida ter feito uma viagem no tempo e andar por aqui vestido à moda do sec XVIII." (SARAMAGO. 1999: 307) A Quinta surge no meio de outras como um maciço verde elevado envolto por áreas de vinha.
Murada em 3/4 do perímetro, de planta irregular. Estruturada por alameda de plátanos que liga o portão principal ao palácio, antecedido por terreiro. A N. do palácio, espelhando a sua fachada, implanta-se um grande tanque rectangular com um templete de doze colunas no centro, apenas acessível por barco. O muro de suporte que separa esta zona da alameda está revestido com dois «soberbos painéis majólica, quinhentistas, que representam "O incêndio de Tróia" e "A Morte de Dido", casos da Eneida, como é sabido.» (SARAMAGO. 1999). Junto à fachada O. da casa desenvolve.se um jardim de planta rectangular com dois lagos circulares alinhados ao meio e canteiros de buxo preenchidos com diversas espécies autóctones como as couves-de-nossa-senhora ou exóticas como as corisias. Neste jardim existe um relógio de sol assente sobre um plinto de pedra. A cota inferior ao jardim, com acesso por escadaria, zona da piscina que ocupa parte do antigo laranjal do qual foram mantidas em caldeira algumas laranjeiras. Junto à escadaria está um antigo tanque da roupa inserido numa pequena construção com a parede rasgada em três arcos com vista para o laranjal. Zona pavimentada em redor da piscina termina em muro com conversadeira e para lá do qual se prolonga o restante laranjal. A O. do edifício a quinta é dividida em duas áreas por uma alameda com latada de vinha e cuja entrada é marcada por pórtico com colunas de pedra ficando à direita um eucaliptal e à esquerda uma zona actualmente sem função definida onde se situam dois tanques em betão hoje vazios e em degradação. Esta zona é limitada a O. pelo muro da quinta junto ao qual está o actual depósito de onde sai a água por tubos colocados nas antigas caleiras de tijolo. A S. termina num antigo Pombal por trás do qual se inicia a mata com um grande tanque em betão que enche naturalmente no Inverno. Para E. estende-se um olival com cerca de mil oliveiras, de encontro ao muro e à alameda de entrada na quinta.
Materiais
Material vegetal: plátano (Platanus hybrida); corisia (Chorisia speciosa), oliveira (Olea europeia var europeia; couves-de-Nossa-Senhora (Bergenia crassifolia); tipuana (Tipuana tipo); vinha japonesa (Parthenocissus tricuspidata); Inertes: calcário.
Observações