Arquitetura religiosa, do séc. 20. Santuário cristológico composto por ampla estrutura de betão armado, tronco-piramidal, formada por quatro pilares, unidos no topo, em arcos, sobre os quais tem plataforma, formando terraço com vista panorâmica, e no centro do qual se dispõe a escultura de Cristo Rei. Os pilares têm planta quadrangular com espaço intermédio aberto, à exceção da zona inferior, onde se desenvolve capela, em cruz grega, interiormente com os braços parabólicos e abóbada de aresta no cruzeiro. A capela apresenta as fachadas em betão, formando apainelados côncavos, possuindo amplo portal em arco de volta perfeita, em cantaria, com porta envidraçada em serralharia artística. No interior possui capela do Santíssimo no lado do Evangelho e a capela-mor com pinturas murais. Os pilares são ocos, ocupados pela sacristia, zonas de exposição e um deles com as escadas e o elevador de acesso ao terraço. Aí, a estátua do Cristo Rei, implanta-se sobre plataforma sobrelevada e surge representada com os braços abertos, vestindo ampla túnica de caneluras verticais, presa na cintura, tendo no peito coração inflamado, representando a dedicação ao Sagrado Coração de Jesus. Apresenta afinidades com o Cristo Redentor, do Rio de Janeiro, ainda que este seja sensivelmente maior e as vestes tenham maior dinamismo na queda dos drapeados. O edifício de acolhimento do santuário, iniciado na última década de 1990 e concluído em 2007, possui planta em U, composta por vários corpos articulados, com fachadas revestidas a placas cerâmicas, de dois tons, e em faixas alternadas a desperdício de mármore e tijoleira, num jogo rítmico. Monumento do Cristo Rei concluído em 1959, em posição dominante da margem S. do rio Tejo e voltado à cidade de Lisboa, constituindo o ex-líbris de Almada e um dos monumentos mais altos do país. A ideia da sua construção deve-se ao então Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira, após a visita ao Cristo Redentor, no Monte Corcovado, em 1934, sendo erigido com verbas provenientes de subscrições realizadas a nível nacional e entre portugueses noutros continentes, em agradecimento a Portugal ter sido poupado à II Guerra Mundial, justificando-se assim a dedicação da capela a Nossa Senhora da Paz. Apesar de todo o monumento ser feito em betão, deixado à vista, procurou-se conferir um tratamento e acabamento mais cuidado à estátua, através da utilização de uma brita mais escura na figura e do seu bujardamento, e de aparelhar a pico grosso a estrutura de suporte. Cada um dos arcos da estrutura surge virado a um dos pontos cardeais, sendo encimados por plataforma intermédia, onde se inaugurou, em 2008, uma segunda capela, dedicada aos Confidentes do Coração de Jesus, e se localiza uma loja de recordações. Na capela de Nossa Senhora da Paz o acesso processa-se pelo braço do lado da Epístola, ficando no oposto a capela do Santíssimo. Toda a decoração do interior é contemporânea, possuindo inúmeras alusões às Aparições de Nossa Senhora de Fátima, ao Papa João Paulo II, representados na pintura mural e tríptico da capela-mor, ao Papa João XXIII, e ao Sagrado Coração de Jesus e de Maria, a quem o monumento é dedicado. No interior, possui ainda uma Via Sacra composta por painéis pintados com passos da Paixão de Cristo conjugadas com cenas dolorosas da história recente do nosso país e do mundo, identificadas por inscrições. O portal principal, de estrutura convexa em cantaria, integra dez baixos-relevos em bronze com os Dez Mandamentos, também identificados com inscrições. A representação da escultura monumental de Cristo Rei, com os braços abertos, foi uma exigência da arte, para que os contornos da figura humana fossem visíveis e não se confundissem com um vulto uniforme vertical. Em frente do monumento foi colocado recentemente a Cruz Alta, proveniente do Santuário de Fátima e existe uma outra Via Sacra, com as cruzes inclinadas, contendo a representação do passo em baixo-relevo e contendo uma inscrição com o texto do Evangelho alusivo, uma meditação e uma oração.
Santuário composto pelo monumento dedicado ao Cristo Rei, edifício de acolhimento do santuário, Via Sacra ao longo do miradouro N., a Cruz Alta, várias esculturas, edifícios de apoio com cafetaria e instalações sanitárias e zona de merendas. MONUMENTO AO CRISTO REI: estrutura em betão armado, tronco-piramidal, formada por quatro pilares de planta quadrangular, que se unem no topo, em arcos de volta perfeita, encimados por plataforma, formando terraço, no centro do qual se dispõe, sobre plataforma mais pequena, a escultura de Cristo Rei, possuindo o conjunto o total de 110 m de altura. A ESTRUTURA DE SUPORTE da escultura tem 82 m de altura e cada um dos pilares, com 25 m por face ao nível da base, é oco, tendo as paredes, com cerca de 90 cm de espessura, ligadas, a intervalos aproximadamente iguais, por septos dispostos horizontalmente. A exceção ocorre no pilar NE. onde os reforços são constituídos por pequenos elementos triangulares dispostos de ângulo, ligando duas das paredes adjacentes, e mais próximos entre si que os dos outros pilares, dado que o desenvolvimento da escada e o elevador impedem que os septos abrangem as quatro paredes. O espaço entre os pilares é aberto, e cada um dos arcos surge virado a um ponto cardeal, formando na zona de interceção dos mesmos, sob a plataforma, falsa abóbada de aresta. A plataforma superior forma terraço, acedido por escadas desenvolvidas na face E. (atualmente encerrada) e O., com as guardas revestidas a pastilhas azuis, as do terraço encimadas por gradeamento em ferro. No plano inferior, entre os pilares, desenvolve-se a CAPELA DE NOSSA SENHORA DA PAZ, de planta em cruz grega, com cobertura plana, e com as paredes de betão sensivelmente recuadas relativamente aos pilares, pintadas de ocre e formando apainelados côncavos. A face principal da capela surge virada a N., sobreposta por cruz luminosa, e é rasgada por portal retilíneo convexo, de cantaria, integrando dez baixos-relevos, retangulares, em bronze, cinco de cada lado, com a representação dos Dez Mandamentos; possui ampla porta envidraçada e com estrutura em ferro, pintada de preto e dourado, formando quadrícula. A face lateral esquerda da capela é rasgada, nos apainelados centrais, por porta de verga reta, com moldura pintada de branco, e por três vãos envidraçados, a fachada oposta é cega e a posterior é rasgada por porta de verga reta, envidraçada, e com moldura pintada de branco. Este portal permite a visualização de amplo nicho, de perfil curvo com representação escultórica do Anjo de Portugal (da Paz) a dar a comunhão aos pastorinhos de Fátima, encimado por um sagrado coração, em bronze. O nicho tem acesso interiormente por escadas e corredores laterais. O portal S. acede ao INTERIOR do monumento, possuindo vestíbulo retangular de distribuição espacial. Em frente, dispõe-se guarda-vento envidraçado, com molduras de madeira, de acesso à capela, pelo braço do lado da Epístola. A capela, com os braços parabólicos, formando no cruzeiro abóbada de aresta, com candeeiro em cruz, apresenta os paramentos rebocados e pintados de branco e pavimento em tacos de madeira e as coxias, capela do Santíssimo e capela-mor em mármore. A parede fundeira possui os vãos preenchidos com vitrais policromos, alusivos à Santíssima Trindade, e, de ambos os lados, surgem painéis pintados a óleo, longilíneos e de perfil curvo, com dez Passos da Via Sacra. O braço do lado do Evangelho integra a capela do Santíssimo Sacramento, com supedâneo de três degraus e possuindo de ambos os lados portas de verga reta de ligação à sacristia, no pilar SE., e a uma sala de exposições, no pilar SO., ambas encimadas por painéis pintados, alusivos, respetivamente, às Revelações de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque, ladeada por estrutura metálica de suporte de lamparina, e à Agonia de Jesus no Horto. Ampla cortina azul protege a parede fundeira do braço da capela, onde surge painel com pintura a óleo alusivo ao Apocalipse de São João, encimada por uma outra triangular referente ao convite à Hora Santa. O braço da Epístola apresenta o guarda-vento encimado por painel pintado com o Anjo Custódio de Portugal e ladeado por vários painéis: do lado do Evangelho existe maquete do quadro da capela-mor do Santuário de Fátima (v. IPA.00020204) e a maqueta do quadro da capela-mor da Catedral de Nampula, Moçambique, referente à glorificação de Nossa Senhora de Fátima pelos povos africanos; e do lado da Epístola tem painel de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. A capela-mor, com supedâneo de três degraus e alto rodapé de madeira, possui lateralmente os quatro últimos Passos da Via Sacra e, na parede testeira, pintura mural alusiva à terceira parte do terceiro Segredo de Fátima, sendo visível o Papa João Paulo II baleado, junto a uma Cruz tosca, ladeado por milhares de mártires do século 20 e tendo, de cada lado, um anjo a derramar o sangue desses mártires pelo mundo inteiro. Ao centro dispõe-se tríptico alusivo à sexta e última Aparição de Nossa Senhora aos Pastorinhos (13-10-1917), representando no topo Cristo a abençoar o mundo. À parede testeira encosta-se, a toda a largura, o assento dos celebrantes, de linhas retilíneas, com três lugares centrais mais altos, separados por braços e com espaldar recortado, tendo frontalmente estrado. No lado do Evangelho dispõem-se ainda tocheiro em bronze e ambão de madeira. No ângulo entre a capela do Santíssimo e a capela-mor dispõe-se, sobrelevada, a imagem da Virgem. No pilar SE., a SACRISTIA, com um pé-direito de 14 metros, alberga a maqueta da imagem de Cristo Rei e um quadro representando a Imaculada Conceição. No pilar SO., a denominada SALA DA MISERICÓRDIA, possui espaço de arrumos e três painéis pintados a óleo: o do lado esquerdo alusivo à instituição do Sacramento da Reconciliação, segundo São João, o políptico disposto frontalmente, dedicado a Nossa Senhora da Misericórdia, enquadrado por catorze quadros com representação de Obras de Misericórdia, e o do lado direito, alusivo à Hora da Misericórdia, segundo as Revelações de Jesus a Santa Faustina Kowalska. Regressando ao vestíbulo, existe, de cada lado, porta de ligação a cada um dos pilares da vertente N.. O pilar a NO., tem SALA DEDICADA AO PAPA JOÃO XXIII, albergando algumas obras de arte a ele ligadas, nomeadamente a representação do cálice oferecido por João XXIII ao Santuário de Cristo Rei (que lhe tinha sido oferecido pelo Santuário de Fátima, em 1956, aquando da sua visita) e oito quadros a óleo, baseados na encíclica "Pace in Terris" do mesmo Papa. O pilar a NE., com espaço público elíptico, apresenta as paredes revestidas a placas cerâmicas, teto envidraçado, a bilheteira e o acesso ao ELEVADOR, integrado na caixa das escadas, que se desenvolvem à volta do pilar, com guarda em ferro. O elevador não atinge o nível da plataforma superior, mas fica a uma cota inferior, onde o troço final das escadas, em cantaria, se desenvolve em hélice, com as paredes revestidas a pastilhas de cor roxa, e, já ao nível da plataforma intermédia, em vidro. Este piso, de distribuição espacial, apresenta as paredes revestidas a placas cerâmicas e o pavimento em cantaria. Junto às escadas, dispõe-se painel de Nossa Senhora, sob a invocação "Arca da Aliança". À esquerda e com acesso por porta de vidro, protegida por cortina azul, fica a CAPELA DOS CONFIDENTES DO CORAÇÃO DE JESUS, de tem planta poligonal composta por nave e capela-mor, separados por arco abatido sobre pilastras. Apresenta pavimento de cantaria, paredes rebocadas e pintadas, ou revestidas a placas cerâmicas (duas do lado da Epístola), com painéis representando a Beata Maria do Divino Coração (Evangelho), Santa Faustina Kowalska, São João Eude e Santa Margarida Maria Alacoque (Epístola). Sob o arco triunfal dispõe-se altar de mármore com frontal integrando maquineta envidraçada, albergando as relíquias de Santa Margarida Maria Alacoque, Santa Faustina Kowalska, Beata Maria do Divino Coração e São João Eudes. Na capela-mor facetada, sobre supedâneo de um degrau, surge cadeiral dos celebrantes, de três lugares, o central com espaldar sobreposto por imagem do Crucificado. Lateralmente dispõem-se dois baixos-relevos, em bronze, representando a Anunciação (Evangelho) e o Sagrado Coração de Jesus (Epístola). Na parede do lado da Epístola existe embutida na parede sacrário policromo, com símbolos Cristológicos. A zona dos outros pilares é ocupada por sacristia e arrecadação. Ainda neste piso, desenvolve-se em L a loja de recordações, com porta de acesso ao terraço a E. e a O.. Ao centro do terraço, existe uma outra plataforma, quadrangular, com as paredes em esbarro, revestidas a pastilha azul, com escadas salientes a E. e a O., de acesso a sacada de circulação, com guarda em ferro. Sobre esta plataforma assenta a ESTÁTUA DO CRISTO REI, com 28 m de altura, virada a Lisboa, representada de pé, com os braços abertos, vestindo comprida e ampla túnica, presa na cintura, de caneluras verticais e com dobra na zona dos punhos. No peito, a túnica é sobreposta por coração inflamado, envolvido por resplendor. A figura de Cristo é representada com a cabeça erguida, de cabelo solto e ondulado sobre os ombros, com risco ao meio, barba pequena e olhos abertos *1. EDIFÍCIO DE ACOLHIMENTO AO SANTUÁRIO de planta em U, pouco pronunciado e com topos das alas torreadas, composto por vários corpos, de volumes articulados e coberturas em telhados de uma e duas águas, integrando ao centro várias trapeiras, rematadas em beirada simples, e em terraço nos corpos torreados. Fachadas de três pisos, revestidas a placas cerâmicas, que nas pilastras dos cunhais e a definir os panos e nos frisos separadores dos pisos são de cor mais escura, e terminadas em friso, ritmado por falsas mísulas escalonadas, e cornija, de diferentes tons. Fachada principal virada a S. com corpos torreados revestidos a placas de cantaria, encimadas por desperdício de mármore e tijoleira, estas formando faixas alternadas, com ângulos recortados e côncavos, onde surgem pilares de betão, sustentando o remate e a cornija de betão bastante balançada. Sobre estes corpos, desenvolve-se lanternim quadrangular, rasgado, em cada uma das faces, por vãos facetados. A ala central do U tem cinco panos, o do centro com o mesmo tipo de revestimento dos corpos torreados, abrindo-se inferiormente arco abatido, encimado por falso balcão fechado, assente em consolas. Os panos intermédios têm o piso térreo vazado, possuindo a sustentar os pisos superiores pilares revestidos a desperdício de mármore e tijoleira, formando faixas alternadas, e pilares de betão, parcialmente canelados. Ao nível do segundo piso desenvolve-se largo corredor de circulação envidraçado, e no terceiro abrem-se janelas facetadas envolvidas por molduras denticuladas de placas cerâmicas, encimadas por janelas jacentes. Nos panos dos topos rasgam-se janelas de peitoril sobrepostas. Entre estes panos e os torreados, desenvolve-se escadaria, a disposta a E. de acesso à capela do Divino Coração. Fachadas laterais com três panos, o torreado; um central, mais estreito e recuado, com pilares sustentando corpo com ampla janela retangular; e um terceiro ritmado por pilastras, possuindo na cobertura ampla trapeira, terminada em frontão triangular, com o tímpano rasgado por óculo facetado, e os pisos rasgados por janelas retilíneas, com a verga em tijoleira mais escura, sendo a central do terceiro piso envolvida por moldura denticulada; na fachada E. os dois vãos laterais do piso intermédio são abatidos e formam varanda, e os do terceiro evidenciam os vitrais da capela. Fachada N. semelhante à principal, residindo a maior diferença no pano central, que tem o piso térreo avançado, coberto por terraço, com guarda em ferro, e um pano central avançado, terminado em frontão triangular com óculo facetado no tímpano, rasgado em dois registos por vãos facetados e sob o frontão por dois vãos quadrangulares; ladeiam este pano central janelas retilíneas. INTERIOR com as paredes revestidas a placas cerâmicas envernizadas, ou a tijoleiras e mármore, em faixas alternadas, pavimento cerâmico ou em soalho e cobertura predominantemente plana de betão aparente. Na subcave, existem duas camaratas, com capacidade para 52 pessoas, e na cave um salão polivalente, quatro refeitórios, que servem 350 pessoas, duas cozinhas, sanitários e balneários. No piso térreo, desenvolve-se o vestíbulo, um espaço de internet e sanitários, a residência do reitor e da comunidade religiosa. No segundo piso existem duas galerias polivalentes, a reitoria e serviços administrativos e, no superior, dois salões / auditórios, com capacidade total para 200 pessoas, com cobertura em falsa abóbada de berço, ornada com elementos de betão vazados e possuindo num dos lados pilares a suportar a estrutura, uma biblioteca e a Capela do Divino Coração. A comunicação entre os pisos faz-se por escadas localizadas nos corpos torreados, onde existe pilar central, canelado que, no topo, forma quatro braços de sustentação da cornija e lanternim, e nos corpos intermédios, possuindo guarda em ferro e rodamão de madeira. A CAPELA DO DIVINO CORAÇÃO possui planta composta por nave de dois tramos, o primeiro mais estreito e correspondendo ao corpo de ligação entre corpo torreado e ala do U., com acesso principal por portal de verga reta, envolvido por painel de azulejos figurativos, no cimo das escadas, do corpo torreado E.. No interior apresenta pavimento cerâmico, paredes pintadas de bege ou revestidas a placas cerâmicas envernizadas e cobertura de madeira, a do segundo tramo assente em pilares. Os vãos de ambos os lados do primeiro tramo da nave e os do lado do Evangelho do segundo tramo apresentam vitrais policromos alusivos ao orago. Do lado do Evangelho do segundo tramo existe amplo painel de azulejos de composição figurativa; o presbitério, sobrelevado por um degrau, possui ao longo da parede testeira banco dos celebrantes, um vitral central com coração inflamado e, do lado do Evangelho, sacrário em bronze. O último piso é composto por duas camaratas, sanitários e uma sala de reuniões, para 50 pessoas. Em frente do Monumento do Cristo Rei, sobre placa arrelvada, dispõe-se a CRUZ ALTA, proveniente do Santuário de Fátima, tendo lateralmente a inscrição "QUANDO EU FOR LEVANTADO DA TERRA ATRAIREI TUDO A MIM (Jo. 12,32)". Nas imediações existem outras plataformas com esculturas em ferro, nomeadamente uma âncora, um barco estilizado, um coração contendo o monograma "IHS", e outros.
Materiais
Monumento do Cristo Rei em betão armado, a estrutura de suporte aparelhada a pico grosso e a figura do Cristo bujardada; portal em cantaria, portas de madeira e em ferro envidraçada; pavimento cerâmico, soalho e mármore; vãos com vidros simples e vitrais; coberturas de betão e estuque; guardas e escada em ferro; revestimentos em placas cerâmicas e em pastilha policroma. Edifício de acolhimento do santuário em betão; fachadas e paredes revestidas a placas cerâmicas, as do interior envidraçadas, placas de cantaria, desperdício de mármore, tijoleira e mármore; pavimentos cerâmicos, mármores e em soalho; coberturas de madeira, estuque e em betão descofrado; portas e caixilharia de alumínio; vidros simples e vitrais; cobertura de telha.
Observações
*1 - A estátua de Cristo Rei tem a cabeça com 4,05 m; o coração sobre o peito tem 1,89m; cada um dos braços mede 10 m e, de mão a mão, tem 28 m; a manga da túnica mede 5m de altura. O peso total da construção da estrutura e da estátua é de 40 000 toneladas e o volume do betão armado de 20 000 m³. *2 - A campanha das "Pedras Pequeninas", que decorreu de 1939 a 1959, consistia na renúncia de algo ao longo do ano por parte das crianças, que colocavam num mealheiro que depois era depositado no Presépio das suas Paróquias, no dia dos Santos Inocentes, ou seja, a 28 de dezembro. No momento em que lançassem a sua "Pedrinha" na salva das esmolas, as crianças deviam recitar em coro a Oração das Crianças, que foi numa estampa a partir do Natal. Esta campanha rendeu, de 1939 a 1957, 1.104.989$30. *3 - A Casa Trigoso, representada pela D. Maria Isabel de Melo Trigoso de Siqueira, havia oferecido gratuitamente um terreno para a construção do monumento ao Cristo Rei, devido à devoção ao Santíssimo Coração de Jesus, na ponta de Cacilhas e compreendendo a parte alta do morro que se estende desde o Castelo de Almada até à povoação. Contudo, tendo o engenheiro António Viana percorrido e observado aquela zona, verifica que o terreno oferecido não tinha a solidez geológica necessária, nem a área necessária para o que se exigia à grandeza do monumento e suas adjacências. *4 - O local do terreno escolhido inicialmente para a implantação do alicerce do monumento era onde a Câmara de Almada construiu o depósito de água, abastecedor da cidade, devido a um lapso do Município e por não ter sido especificado documentalmente a faixa de terreno cedido pelo Patriarca para o efeito. Tal obrigaou a escolher-se para o monumento um outro local, que veio a ser na extrema ocidental do vasto terreno comprado e, consequentemente, à aquisição de uma nova parcela de terreno, para que a zona envolvente da estrutura de suporte da estátua fosse suficientemente ampla. *5 - Os alicerces são feitos através de um sistema de cofragem especial, ou seja, os chamados moldes viajantes, em que o andaime é a própria estrutura, recebendo o betão, nos quais se via crescer o pedestal do monumento, camada após camada. A imagem do Cristo Rei foi construída na própria estrutura, utilizando-se para o efeito moldes de gesso, preparados previamente a partir da maqueta, sendo depois esculpido à mão. *6 - Segundo o extrato das despesas de junho de 1937 a 31 de dezembro de 1961, publicado por Fernando Leite (pg. 226), as maquetas do monumento orçaram em 18.482$40; as sondagens no terreno em 29.100$00; o lançamento da primeira pedra do monumento, em 1949, em 5.447$30; a abertura de um caminho de acesso ao monumento e diversos em 5.252$30; a despesa com engenheiros, desenhos e telas em 30.469$60; a despesa com o Laboratório de Engenharia Civil em 72.405$00; o pagamento à Sociedade de Obra Pública e Cimento Armado, Ldª em 15.316.444$90; a montagem do elevador em 870.000$00; a eletrificação, material elétrico e iluminação em 435.137$60; a despesa com a metalurgia, moldes, vidros, chapas e diversos materiais em 30.729$70; a porta de ferro para a capela (serralharia artística) em 35.000$00; os bancos para a capela e acabamentos diversos em 36.070$00; a maqueta da estátua do Sagrado Coração de Jesus, do escultor Francisco Franco, em 200.000$00; a modelação da estátua da figura de Cristo Rei, em 1.123.000$00; a modelação da estátua da imagem de Nossa Senhora (15.500$00) e o seu assentamento na capela, por António Branco (2.500$00), em 18.000$00; os trabalhos fotográficos para engenheiros e diversas fotografias para a inauguração do monumento em 18.782$00; por fim, a manutenção do Secretariado, expediente, propaganda (estampas e pagelas), o jornal "O Monumento", cartazes, serviços, salários, publicações para as festas inaugurais, etc, na verba de 1.814.910$60. *7 - Para o painel pintado na capela-mor serviu de inspiração ao arquiteto João de Sousa Araújo um dos escritos do Cardeal Cerejeira, onde se afirma que "... o Santuário de Cristo Rei será amanhã o Santuário Nacional na capital do País, que fechará o arco-íris da fé, da esperança e da paz, que nasce de Fátima e passa pelo Vaticano...".*8 - Numa peregrinação ao Santuário da Virgem Negra, na Polónia, em novembro de 2006, o reitor do Santuário do Cristo Rei, observa uma Via Sacra com passos da Paixão de Cristo conjugados com cenas dramáticas da história recente do país. Assim, pensa fazer uma obra semelhante para a capela do santuário, convidando posteriormente o arquiteto João de Sousa Araújo a pintar a Via Sacra com cenas dolorosas da história recente do nosso país e do mundo.