Portal de Cidadania

Castelo da Feira

Castelo da Feira

O ponto de interesse Castelo da Feira encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Santa Maria da Feira no municipio de Santa Maria da Feira e no distrito de Aveiro.

Castelo gótico, de planta oval irregular, fisionomia básica quinhentista, revelendo um evidente paralelismo com a solução adoptada na Castelo de Lanhoso (v. PT010309190002); a incorporação das flechas cónicas na torre, na época manuelina e joanina, de influência moçárabe, aproximam-se às existentes no Castelo de Porto de Mós (v. PT021016120002). A torre-alcáçova de planta sub-rectangular é dotada de 4 torreões, 2 na fachada principal, enquadrando a porta de entrada, e outros dois no lado oposto. Capela de planta hexagonal, seiscentista, de raíz classicizante, com modelos parentes nas capelas aveirenses de São Gonçalinho (v. PT020105120017) e Madre de Deus (v. PT020105120015). Possuiu ainda no seu interior restos do antigo palácio seiscentista.

Planta oval irregular, com entrada protegida por barbacã, com poço e torres quadrangulares adossados, avançando nas extremidades pequena cerca poligonal que constitui a tenalha e, no lado, oposto, capela de planta hexagonal. As muralhas, com adarve, são rematadas em parapeito ameado composto por ameias de corpo largo, rasgadas por seteiras cruciformes e troneiras, e abertas com esbarro para o exterior. Uma porta arqueada dá acesso às construções e à torre de menagem quadrangular reforçada por torreões nos cunhais, com entrada protegida por balcão de mata-cães, três pisos com cobertura em abóbada de berço seccionada em quatro tramos por arcos torais assentes em mísulas. Os torreões rematam em coruchéus cónicos cantonados por pequenos cones. A capela, de planta hexagonal, anexa corpo em forma de rectângulo com porta rectangular excêntrica e três frestas correspondendo a três vãos rectangulares superiores com sacada, correndo entablamento superior ritmado por mísulas enquadrando os vãos e ao cimo sineira no enfiamento do portal rectangular. Capela com portal axial constituído por pilastras misuladas, empena pronunciada e remate superior com frontão semicircular interrompido, albergando óculo hexagonal interino. Marco arquitectónico liso marcado por pilastras nos cunhais e cimalha de verga recta com pináculos angulares, e cobertura em seis panos com pináculo no vértice. Interior de plano centrado com abertura de cinco arcos de volta perfeita, exceptuando o da entrada, albergando retábulo central e dois laterais. Púlpito de base hexagonal e anteparos de balaústres em madeira. Cobertura em sectores cilíndricos com remate central com florão.

Materiais

Alvenaria e cantaria (capela), madeira e lajeado (pavimentos interiores)

Observações

A povoação data de tempos imemoriais, aqui teriam os lusitanos erguido um templo em honra de Bandeve-Lugo Toiraeco, mais tarde transformado num templo Mariano. Data desses tempos a feira que deu nome ao local. Por aqui passava a via romana Olissipo - Bracara Augusta, encontrando-se, no perímetro do imóvel vestígios de ocupação romana. A torre de menagem inclui três fogões. Sendo um castelo de transição, reflecte as adaptações, as persistências e as inovações armamentistas que, ao nível da defesa, vão sendo configuradas por seteiras.*1- Esta lápide armoriada e epigrafada não se encontra no local de origem, uma vez que fotografias datadas de 1929 registam sobre o fecho do arco da porta uma outra pedra de armas; *2. Num silhar, encontrado em 1905, hoje desaparecido encontrava-se gravada a data de 1385; esta inscrição foi publicada por Leite de Vasconcelos no "Arqueólogo Português" e no CEMP, com o nº 671 (BARROCA, 2000, pp.1915-1916).