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Casa-Museu Frederico de Freitas

Casa-Museu Frederico de Freitas

O ponto de interesse Casa-Museu Frederico de Freitas encontra-se localizado na freguesia de Funchal (São Pedro) no municipio de Funchal e no distrito de Ilha da Madeira (Madeira).

Casa abastada romÂntica, de planta irregular composta por vários corpos articulados e adaptados ao desnível do terreno, com alçados de dois e três pisos, e fachada principal em U invertido, com torres nos ângulos, cobertas por cúpula e portal principal arquitravado precedido por alpendre tripartido, de cúpulas bolbosas em folha pintada e lambrequins recortados pintados de branco, o que lhe confere certo cunho orientalizante, conciliado com elementos de cunho regional, como as fachadas percorridas por beiral duplo ou triplo, coberturas de telhados múltiplos e individualizados por sala, torre elevada, recuada em relação ao frontispício, janelas com persianas fasquiadas ou tapassóis pintados de verde escuro e lambrequins recortados e pintados de branco. No interior, espaço organizado irregular e sucessivamente com algumas salas conservando decoração neoclássica e outras com apontamentos Arte Nova.

Planta irregular, composta por vários corpos, de volumes tipicamente articulados com coberturas diferenciadas de 2, 3, 4, e 5 águas e uma clarabóia em vidro sobre o jardim de Inverno. Fachadas rebocadas e pintadas a rosa forte, com beirais duplos e triplos em telha de canudo, e vãos emoldurados a cantaria da região. Fachada a E. virada à rua, de grande volumetria, rasgada por vãos sobrepostos, sendo os do 1º piso, correspondendo à área de exposições temporárias ( antigas lojas ) uma porta e 3 janelas com gradeamento de ferro; do 2º piso, 4 janelas com tapassóis e do 3º piso, 4 janelas de sacada corrida, de vãos em arco pleno com cornija recta, persianas fasquiadas em madeira pintada de verde escuro, lambrequins recortados e pintados de branco. Fachada principal virada a N. em "U" invertido, assimétrico, com torres quadrangulares nos ângulos; panos de 1, 2 e 3 pisos, com embasamento, cunhais das alas laterais e entablamento saliente rematado por platibanda em balaustres de cimento pintado a branco. Unindo as torres simétricas, com cobertura bolbosa em zinco pintado de cinzento, alpendre tripartido, sendo a parte central mais alta e coberta por cúpula bolbosa em folha pintada de cinzento, com lambrequins recortados pintados de branco de gosto orientalizante; pavimento de placas de grés cerâmico preto e branco com decoração geométrica, gradeamento de ferro fundido. A S., à volta do jardim, desenvolvem-se 2 fachadas de panos de altura diferenciada; no 1º piso, o acesso ao jardim, o 2º piso com janelas de portada, sendo as 2 do lado esquerdo rectangulares e do lado direito com vão de verga curva, de sacada individual; no pano virado a E. tem, no 1º piso 2 portas, 1 de acesso à torre recuada em relação à fachada, e outra para a escada de acesso ao jardim de inverno; no 2º piso, janelas de guilhotina rectangulares com tapassóis; ambos os beirais dos 2 panos, têm beirais duplos de telha romana; a O., um pano com janelas quadrangulares com gradeamento de ferro, sobrepostas por janelas rectangulares com sacada individual molduradas em cantaria com entablamento e lambrequins recortados e pintados de branco, persianas fasquiadas em madeira pintada de verde escuro, beiral duplo. Segue-se um corpo novo envidraçado, correspondendo ao espaço museologico dos azulejos. No INTERIOR, pequeno hall acedendo a vários espaços sucessivos, de forma irregular, destacando-se as salas "amarela" e o "salão nobre", com saída para o exterior, decoradas a estuque com elementos fitomórficos, imitando tecido; fazendo o percurso inverso pela "sala amarela", um pequeno corredor dá acesso ao 1º piso e a outros espaços tais como o "quarto de dormir", dos "Santos", "sala de jogo", "jardim de inverno", dos "embutidos", "sala de chá", "sala de jantar", "quarto das canecas"; acede também ao rés-do-chão, onde se situam um espaço de reservas, a cozinha, com grande fogão de ferro e vários utensílios, e a biblioteca, com saída para o exterior.

Materiais

Cantaria mole e rigida da região, alvenaria de basalto, rebocada, empedrado de calhau rolado, madeira, vidro, ferro, zinco, azulejos, estuques, amarrações mistas com tirantes de ferro, telha de meia cana ou romana.

Observações

O 1º Visconde e o 1º Conde da Calçada, Diogo de Ornelas de França Carvalhal Frazão e Figueiroa, fidalgo, cavaleiro da Casa Real, Governador Civil do Funchal ( doc. 4-10-1882 ), Senhor da Casa da Calçada e dos Morgados de Gaula e da Conceição e de outros dos Açores, nasceu a 29 de Agosto de 1812 e faleceu a 18 de Setembro de 1906. O 2º Conde da Calçada, 6º filho dos 1ºs condes, Eduardo de Ornelas Frazão de Carvalho Figueiroa, nascido a 23 de Dezembro de 1841, faleceu nesta cidade a 17 de Novembro de 1914, solteiro, deixando uma filha natural, casada, com geração, título concedido por decreto de 30 de Novembro de 1904, por D. Carlos I, representavam os títulos de Visconde da Calçada, D. Sara Portugal da Silveira casada com António Justino de Freitas Júnior, c. g., trineta do 1º Conde da Calçada. Os Condes da Calçada traziam por armas um escudo esquartelado: no 1º quartel as armas dos Ornelas: em campo azul, uma banda de ouro entre duas sereias de sua cor, tendo cada uma na mão direita um espelho guarnecido de ouro e na mão esquerda um pente de ouro e sobre a banda, 3 flores-de-lis de vermelho; no 2º quartel, as de Carvalhal: em campo vermelho um castelo de prata com as frestas, a porta e as fundas de negro; no 3º quartel, as armas de Frazão: em campo de prata um chaveirão entre três flores-de-lis de ouro; e no 4º quartel as dos Franquins: um campo vermelho três coroas de ouro abertas, postas em roquete e um chefe de prata carregado de uma cruz de vermelho, coroa de conde ( o seu uso é muito antigo nesta família mas desconhece-se a quem foi concedida ). O Dr. Frederico Augusto da Cunha e Freitas, nasceu a 15 de Dezembro de 1894. Cursou o Liceu do Funchal e formou-se em direito pela Universidade de Coimbra. Advogado e notário teve intensa e brilhante actividade profissional. Dedicou grande parte das suas invulgares capacidades a iniciativas culturais e artísticas para a cidade do Funchal. Promoveu a 1ª exposição de estampas da Madeira no Funchal em 1948 e colaborou nas que se seguiram em Dezembro de 1949 e Abril de 1972. Foi um dos fundadores da Sociedade de Concertos da Madeira, em 1943. Fez parte da Comissão Instaladora do Museu da Quinta das Cruzes em 1946. Faleceu no Funchal a 26 de Novembro de 1978, tendo feito testamento dias antes do seu falecimento de todo o seu acervo de várias colecções à Região Autónoma da Madeira. No 1º piso da casa antes do início das obras foram encontrados tanques de água que até então abasteciam a zona baixa da cidade, mas posteriormente foram desactivados para dar lugar ao espaço das "Exposições Temporárias". Recuperada nos finais do séc. 20 para adaptação a "casa museu", foi construído de raiz um edifício adossado à casa para exposição permanente, da colecção de azulejos e outros elementos cerâmicos de origem estrangeira. A antiga casa da entrada, já existente à entrada, foi adaptada com vários espaços, a gabinete de estampas antigos serviços educativos, portaria e loja do museu.