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Castelo de Salvaterra do Extremo

Castelo de Salvaterra do Extremo

O ponto de interesse Castelo de Salvaterra do Extremo encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Monfortinho e Salvaterra do Extremo no municipio de Idanha-a-Nova e no distrito de Castelo Branco.

Castelo construído provavelmente no séc. 13, pela Ordem do Templo, em local estratégico, para defesa da fronteira leste de Portugal, articulando-se com outros castelos Templários da Beira, reforçado, no séc. 15, por barbacã, e envolvido, juntamente com a vila, no séc. 17, por fortificação à moderna. O castelo, de que subsiste apenas a torre de menagem, tinha planta circular, regular, tipologia menos comum e denotando grande modernidade, rasgada por uma porta em arco, com adarve acedido por escadas, tendo no interior, muito próximo da muralha, a torre de menagem, com três pisos, à volta da qual se dispuseram várias dependências, uma delas contendo cisterna. Em meados do séc. 15, o castelo foi envolvido por barbacã extensa, reforçada por cubelos circulares ou retilíneos, individualizando a zona da porta, de modo que o acesso ao castelo fosse em cotovelo, e recebeu obras pontuais para uso de armas de fogo, com a abertura de troneiras. As estruturas, de paramentos aprumados, rematavam em parapeito ameado e estavam em bom estado no início do séc. 16, exceto o interior da torre de menagem, procedendo-se então a algumas modificações na zona das dependências, que num dos lados recebeu muro ou "cerca" com troneiras e cubelo no ângulo. A torre de menagem, na transição do séc. 19 / 20, foi adaptada a torre dos sinos e depois do relógio, adulterando-se a zona superior. No âmbito da Guerra da Restauração, o castelo e a vila, desenvolvida extramuros, foram envolvidos por ampla fortificação à moderna, composta por cinco baluartes ou meios baluartes, existindo desenho representando ainda uma obra corna de braços compridos, disposta à frente do baluarte que separava as duas portas de acesso. Estas estruturas foram igualmente demolidas ou absorvidas pela malha urbana a partir de finais do séc. 19. A defesa do castelo era reforçada por atalaias, de que ainda hoje subsiste uma, de provável construção medieval, junto à margem do rio Erges, e em frente do castelo de Peñafiel.

Do castelo subsiste a torre de menagem e pequenos troços de muralha, integradas nas habitações da vila. Torre de planta quadrangular, coberta por coruchéu facetado, em alvenaria rebocada e pintada de branco, coroada por cruz metálica. Apresenta fachadas aprumadas, em cantaria de granito, de aparelho irregular, dividida em dois registos por cornija reta e rematada em igual cornija, coroada por pináculos piramidais sobre acrotérios, nos cunhais, ladeadas por gárgulas. A fachada principal surge virada a oriente, rasgada no primeiro registo por portal, em arco de volta perfeita, de aduelas em cunha, e por duas seteiras sobrepostas, dispostas à direita, a abrir para o exterior; no segundo registo possui olho de boi, um relógio em cantaria, circular, e, superiormente, ventana, em arco deprimido, integrando relógio retilíneo. A fachada lateral esquerda possui pequeno orifício em cada um dos registos, abrindo-se no segundo uma seteira retilínea e uma ventana de arco deprimido, com pano de peito de cantaria, a qual se repete nas restantes fachadas, tendo na virada a norte sino; nesta fachada integra-se ainda brasão. No INTERIOR desenvolve-se escada de caracol.

Materiais

Estrutura em cantaria de granito; pináculos, gárgulas e cornijas em cantaria de granito; porta de madeira; cobertura em alvenaria rebocada e pintada; cruz em ferro.

Observações

*1 - Segundo a descrição no Tombo da Comenda de Salvaterra, a vila tem "huu casteello forte que tem duas çercas. a saber. Huua barbacã bem corregida e ameada toda com suas bonbardeiras e seeteiras e tem aa entrada huu portal fechado com suas portas. E logo huu muro de bõoa altura ameado e bem corregido e tem huu portal d arco de cantaria bem feito e nouo. com has quinas d el rey scolpidas em pedra. e asi ho muro como há barbacã. he todo de pedra e barro. e tem quatro escaadas per onde se serue. dentro nesta çerqua estaa huua torre de menagem forte e de bõoa altura. de cantaria e aluenaria fectas has paredes rebocadas de cal. bem ameada. ha qual torre sohia teer tres sobrados. e agora tem dous. huu debaixo mujto uelho e podre e mujto roto. e no de çima estam soos duas vigas sem outra nenhuua madeira E no andar do segundo sobrado tem ho portal per onde se serue. com suas portas uelhas. com duas seteiras huua ao leuante e outra ao sul. e tem no andar de çima duas janelas. he bem madeirada de castanho e mal telhada de telha uãa. E leua oito uaras de longo e quatro e meya de largo. junto da dita torre estam duas casas pequenas antre ho muro e ha torre contra ho norte. has quaaes ora el rey nosso senhor manda derribar por serem odiosas aa torre. e debaixo dellas estaa huu portal que outrosi el rey manda çarrar de cantaria. junto da dita torre contra ho sul estam duas casas sobradadas bem oliueladas em tres painees com seus cãaes e frechaaes boons e tem huu portal de canto laurado com suas portas nouas e sobre este portal has quinas reaaes. e estas casas som d armaria e mantijmentos. ha dianteira leua de longo oito varas e quatro de largo. e ha outra leua quatro varas de largo e seis de longo. e tem huua freesta com grades de ferro e com huua seteira. e ha outra casa tem outra tal freesta ferrada. has paredes som de pedra e barro bem repairadas: serue de palheiro. ha outra leua .viij. uaras de longo e iiij de largo e serue de estrebaria sem suas manjadoiras. has paredes de pedra e barro bem madeiradas e cubertas de telha. bem repairadas: junto destas casas e torre estam duas casas. huua que leua viij. uaras de longo e duas e meya de largo e esta serue de palheiro. ha outra leua .viij. uaras de longo e iiij de largo e serue de estrebaria sem suas manjadoiras. has paredes de pedra e barro bem madeiradas e cubertas de telha. bem repairadas: aalem da dicta torre contra ho sul se fazem ora huuas casas que el rey nosso senhor manda fazer pera apousentamento do alcaide moor do dito castelo pegadas no dito muro de que ora huua delas estaa com has paredes leuantadas. ha meatade de canto laurado e ho mais d aluenaria de pedra e barro e dentro nela estaa huua cisterna bõoa com seu bocal de pedra bem feito. Esta casa tem huu portal de pedra laurada e sobem a ela per huua escaada de pedra e tem xij degraaos. aalem destas casa se começa ora fazer huua çerqua que fica antre ha dicta torre e a porta principal da dicta çerqua. E tem hi mais huua casa que serue de cozinha. has paredes de pedra e barro. bem madeiradas e cuberta de telha. leua seis varas de longo e duas e meya de largo: ho alcaide moor do dicto castelo, faz menagem dele. Acharom hos Visitadores na sobredita casa d armaria huua bonbarda pequena com duas camaras. huua serpintina com duas camaras. huu trom pequeno. com tres cameras. huu espingardam e quatro espingardas". *2 - Os desenhos de Duarte de Armas representam o castelo de Salvaterra com planta circular de grande regularidade, composta por castelo e barbacã, ambos com paramentos rematados em parapeito ameado. A barbacã, com seis varas de altura, era reforçada por cubelos circulares ou retilíneos, por vezes formando ângulo, com troneiras cruzetadas rasgadas inferiormente. O acesso à liça era feito por porta em L. O castelo, com o perímetro de 143 varas, tinha portal de acesso desalinhado do portal da barbacã e antecedida de um espaço fechado, formando barbacã da porta. No interior tinha adarve acedido por escadas salientes e erguia-se, muito próximo dos muros, a torre de menagem, quadrangular, com 8 varas por face, com 12 varas de altura e mais de uma vara de espessura dos muros. Rematava por parapeito ameado e era rasgada por troneiras e vãos retangulares. A partir da torre e até à muralha, desenvolviam-se várias dependências, formando retângulo, integrando os aposentamentos do governador e a cisterna; estas dependências eram delimitadas por muros com torneiras, sendo um deles novo e ainda não concluído, surgindo no ângulo um cubelo circular e abobadado. A povoação desenvolvia-se extra-muros, no sopé da colina do castelo. Na vista tirada da banda oeste, ressalta o castelo de Peñafiel, em Castela. *3 - Nas Memórias Paroquiais de 1758, faz-se a seguinte descrição da fortificação de Salvaterra: "Está esta vila cercada de muros com serventia de duas portas hua chamada do Adro e a outra de Sam Jose por as quais de ordinário tem vinte e quatro palmos de altura, e doze de largura, fabricadas de alvenaria no anno de mil seiscentos e quarenta e oyto, tempo em que governou o Senhor Dom João quarto, segundo se se mostra da inscrição posta sobre hua das portas; as pedras que as compõem, se conhece terem servido em outros edifícios donde se infere que a Povoação fora mais larga, mas não há certeza de que vizinhos constava; tem hum antemuro com suas esplanadas ficando entre este e os muros huns fossos pouco profundos, por neles não haver senão hua penha viva. Dentro do Castello tem três armazéns de abobada, que occupao polvora e mais teem de guerra, e sico quartéis para acomodação dos soldados, e em hum destes está hua atafona de moer pão, e dois estão arruinados; neste mesmo há huma capela chamada de São Bemdieto sem ornato algum para nela se celebrar; há huas casas, aonde assiste o Governador, junto das quais há hua torre de grande fortaleza, e no centro desta hua prisão para castigar os deliquentes, como também há dentro do dito Castello huma cisterna para onde correm as agoas, que chovem em os telhados das cazas por canos fabricados para este fim, mas não se Conservão senão athe o mes de Agosto. tem mais tres guaritas, e tres baluartes onde estão quatro peças de bronze nas quais há huma chamada Colubrina, que terá distancia de tres quartos de légua e na entrada do dito Castello há hua fortaleza aonde está outro baluarte Com quadro peças duas de bronze e duas de ferro, aquelas chamadas meios canhões, que carregão com vinte e quatro arreteis de bala; em toda a muralha há sinco baluartes, que Contem em si onze peças hua de bronze e as mais de ferro, e hum morteiro todas Capazes de tiro e onze guaritas em que se recolhem os soldados quando fazem Sentinella no tempo do calor e frio. A praça dentro em si tem trez poços de agoa, que so a Conservaõ athé Agosto de sorte que no verão padeceria grande esterilidade se não fora hua fonte, que se fes no anno de mil e septeCentos e sinqenta e sete no Sitio do Senhor da pedra, distante da praça dois tiros de besta que dá abundante agua todo anno e hum poço chamado de Sam Joam distante tiro de della que haverá vinte annos que se fabricou que tambem não seca senão nos annos de grande esterilidade. Fora da praça para a parte do poente há hum Forte com duas guaritas e huma Caza arruinada Cujo muro terá de altura quinze palmos e de largo septe, e junto a este está outro poço aquém faltão as agoas nos mezes de verão". *4 - Em 1762 enumeram-se como "lembranças" de coisas precisas para a praça: dinheiro para os consertos, que podem ser de 400$000, devendo entregar-se ao governador a verba para ele contratar a pessoa que conhecer; artilharia, visto a praça não ter nenhuma artilharia; homens, já que das duas campanhas que foram para a praça, em número de 100, só lá estão 60 e nenhum é capaz de fazer fogo, por serem pobres, e os moradores não têm armas; para guarnecer a praça é preciso pelo menos um batalhão de infantaria e além das tropas que guarnecem o campo da mesma, mais duas companhias de cavalaria dentro da praça à ordem do governador, pois no interior tem cavalariças para 60 cavalos encimadas por quartéis, dividido em dois corpos; um hospital, pois a praça teve um com botica, mas que se "tirou", ficando apenas um sangrador e um médico, pago pelos bens do povo, mas como naquela praça, não são comprados pastos para o gado, não há como pagar-lhes, pelo que eles se despediram, obrigando a levar os doentes a Penamacor, morrendo alguns no caminho; pólvora e balas, conforme foi prometido pelo marechal de campo José Leite de Sousa, devendo as balas de artilharia vir conforme os calibres das peças; reparos, e por constar que em Almeida há reparos sobresselentes ou que ali se podem fazer com grande brevidade, os mesmos poderiam vir para Salvaterra devido a proximidade.