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Colégio de Todos os Santos

Colégio de Todos os Santos

O ponto de interesse Colégio de Todos os Santos encontra-se localizado na freguesia de Ponta Delgada (São Sebastião) no municipio de Ponta Delgada e no distrito de Ilha de São Miguel (Açores).

Arquitectura religiosa educativa, maneirista e barroca. Colégio da Companhia de Jesus, de planta rectangular regular, composta por igreja no lado direito com zona conventual e colegial adossadas. A igreja é de planta longitudinal, com quatro capelas à face, um dos esquemas seguidos pela Ordem, e capela-mor profunda. O interior tem coberturas diferenciadas em falsas abóbadas de berço em caixotões, os da capela-mor em talha, sendo amplamente iluminada pelas janelas rectilíneas da fachada principal. Fachada principal harmónica, com o corpo tripartido pelos vãos que a rasgam, flanqueada por torres sineiras à mesma altura, seguindo uma tendência típica das Ilhas, numa solução que a Companhia divulgou nos imóveis construídos no séc. 17, estando presente nas fachadas dos Colégios de Elvas (v. 1207010024), Santarém (v. 1416210009), Angra (v. 1901160008), Horta (v. 2002080003) e Funchal (v. 2203080006), bem como na Casa Professa de Vila Viçosa (v. 0714050008). Fachadas circunscritas por cunhais apilastrados e rematadas em friso e cornija. Possui coro-alto e capelas à face, tendo um púlpito no lado da Epístola. Arco triunfal de volta perfeita, ladeado por retábulos relicários colaterais, dispostos em ângulo. Capela-mor ornada por silhar de azulejos figurativos e retábulo-mor de talha dourada, de estilo barroco joanino, de planta côncava e três eixos, contendo trono expositivo e sacrário. A zona colegial tem acesso pela portaria, alpendrada, rasgada regularmente por vãos rectilíneos.

Planta rectangular composta por igreja longitudinal com nave, para onde abrem três capelas à face, transepto inscrito e capela-mor mais estreita, de volumes articulados, com coberturas diferenciadas em duas, três e quatro águas. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, percorridas por embasamento saliente em cantaria e rematadas em friso e cornija. IGREJA com fachada principal virada a S., simétrica, integrando o corpo e duas torres sineiras inacabadas à mesma altura, ritmada por largas pilastras toscanas da ordem colossal, almofadadas. O corpo é tripartido, com três panos e igual número de andares de vãos, surgindo, no inferior, três portais, o central mais alto e em arco abatido, sendo os laterais de verga recta, todos decorados por elementos concheados, cartelas e festões, o central flanqueado por seis colunas destacadas, de fuste liso e capitéis de interpretação jónica, assentes em amplas consolas, as quais sustentam cornija e quatro fragmentos de frontão; os vãos intermédios constituem três janelas de sacada, rectilíneas e ornadas por grinaldas de flores, assentes em sacada de cantaria e falsa mísula de acantos, tendo guardas em ferro; rematam em cornija, com fecho saliente e volutado, e pináculos, que flanqueiam os vãos superiores, constituídos por três óculos elípticos, envolvidos por profusa decoração vegetalista e moldura de enrolamentos. Sobre o friso e cornija do remate, evoluem três janelas termais, a central rectilíneo e as laterais em semi-luneta, divididas por duas pilastras ornadas por elementos entrelaçados e percorridas por moldura fitomórfica; o conjunto é flanqueado por duas aletas recortadas, de onde se dependuram elementos vegetalistas. As torres compõem dois registos, os inferiores com duas ordens de vãos sobrepostos, rasgados por óculos elípticos e janelas de sacada, de decoração e estrutura semelhante às do corpo principal da fachada, ambos envolvidos por molduras de enrolamentos, de ângulos truncados por concheado, em forma de quadrado na zona inferior e rectângulo na superior. No segundo registo, as sineiras, a do lado esquerdo entaipadas e formando janelas, a do lado direito, mantendo as ventanas em arco de volta perfeita, assentes em impostas salientes; a estrutura remata em cornija e platibanda, tendo coberturas em cúpula. INTERIOR com nave coberta por abóbada em cantaria, assente em cornija de madeira e com tirantes metálicos. Coro-alto assente em duas colunas revestidas a talha, com guarda plena encimada por balaústres, sendo o sub-coro revestido a azulejo, de figura avulsa, com índios, barcos e animais. O coro comunica com corredor e torre sineira. A nave possui capelas à face, 4 do Evangelho, duas delas de menores dimensões, talvez correspondentes aos antigos confessionários, e duas do lado da Epístola, ambas formando nichos em arco de volta perfeita assentes em pilastras toscanas, as últimas revestidas a talha dourada e contendo retábulos, encimadas por três tribunas rectilíneas e guarda de madeira balaustrada No lado da Epístola, púlpito quadrangular com guarda de madeira torneada, tendo acesso por porta de verga recta e protegido por baldaquino. Os topos da nave são truncados, possuindo dois retábulos colaterais, em arco de volta perfeita, encimados por dois quadros em baixo relevo, que escondem os espaços dos relicários, e duas tribunas protegidas por gelosias rendilhadas, tudo revestido a talha com profusa decoração de acantos. Sobre o arco triunfal, de volta perfeita , um medalhão com a representação da Virgem. Capela-mor profunda e bastante elevada, com cobertura em falsa abóbada de berço com seis caixotões em talha, formando rosetões; nas paredes laterais, talha e painéis de azulejo representando o "Transporte do cacho de uvas da Terra Prometida" (Evangelho) e "Queda do Maná e colheita por Moisés" (Epístola); são rasgadas por duas portas de verga recta. Retábulo-mor de planta côncava e três eixos definidos por quatro colunas torsas ornadas por acantos, tendo, ao centro, tribuna de volta perfeita com a boca ornada de acantos e fundo entalhado, criando amplo resplendor que envolve a imagem do orago; o conjunto é encimado por baldaquino bolboso, de onde se dependuram drapeados a abrir em boca de cena, sustentados por anjos e querubins; na base, sacrário embutido; nos eixos laterais, surgem mísulas com baldaquinos e drapeados a abrir em boca de cena; remate em frontão semicircular, ornado por acantos e plumas. Lateralmente à igreja, correm corredores sobrepostos, unidos na zona posterior da capela-mor *1. A sacristia possui azulejos formando silhar, ostentando albarradas. O CONVENTO desenvolve-se no lado esquerdo, de dois pisos, bastante adulterado por intervenção incaracterística, sendo rasgado, no lado direito, por duas janelas rectangulares com molduras simples, as inferiores de peitoril e as superiores de varandim, que ladeiam a portaria de verga recta, encimada por frontão de lanços e protegida por alpendre assente em duas colunas toscanas, sobre plintos paralelepipédicos, ostentando almofadas em forma de losango, e em mísulas.

Materiais

Estrutura em alvenaria rebocada; modinaturas, pilastras, colunas, cornijas, cobertura da nave em cantaria; portas, cobertura da capela-mor, púlpito e retábulos de madeira; grades e guardas das janelas em ferro; janelas com vidro simples; coberturas em telha; painéis de azulejo.

Observações

*1 - Alguns elementos do interior da Igreja foram, há alguns anos, distribuídos por algumas igrejas da Ilha de São Miguel; assim, um púlpito e um retábulo encontram-se na igreja das Feteiras e um outro retábulo na Igreja de São Sebastião. *2 - este benemérito doou, ainda, vários ornatos para a Igreja; em testamento, deixou 11 propriedades, 16 cerrados, 1 cerradinho, 1 pico, 11 prédios e uma tapada; na sequência destas dádivas, outras se seguiram, como a de Álvaro da Costa, com um cálice de prata e uma tulha, a que acresceram 50$000, de Gaspar Dias, com 10 móios de cal, 3 arrobas de ferro e 2 pipas de vinho e 14 volumes de Teologia, Gaspar Frutuoso, 400 volumes à Livraria, D. Brites, uma esmola para a sacristia e 400$000 para o Colégio, Jerónimo Gonçalves de Araújo deu 130$000, Brás Afonso Raposo, 5 alqueires de vinha e 2,5 móios de trigo. *3 - encontrou-se uma sala rectangular com abóbada de arestas e um túnel de rocha basáltica formando falsa abóbada, com 2,5 m.; esta sala tornou-se o escoamento do tanque construído no pátio principal, mas teria sido uma cisterna alimentada por curso de água subterrânea. *4 - desde 1833 que se verificava a necessidade de criação de uma Biblioteca Pública em Ponta Delgada, o que viria a ser criado por portaria de 3 de Janeiro de 1834 e concretizado pelo decreto de 10 de Dezembro de 1841; a abertura final ocorreu em 1851, estando instalada no Convento da Graça.