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Freguesia de Odivelas - Municipio de Odivelas

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Caraterização da Freguesia de Odivelas

A Freguesia de Odivelas apresenta uma área de 5,05 km2 e faz fronteira com as freguesias da Ramada, Famões, Pontinha, Póvoa de Sto. Adrião, Olival Basto e com o Concelho de Lisboa.
 

Odivelas era uma zona rural que registou o maior crescimento populacional de 1940 a 1981.
 

Ano de 1940 – 3.696 habitantes
Ano de 1950 – 6.772 habitantes
Ano de 1960 – 27.423 habitantes
Ano de 1970 – 51.395 habitantes
Ano de 1981 – 84.624 habitantes
Ano de 1991 - 53.531 habitantes
Ano de 2001 - 53.449 habitantes
 

Com a criação da freguesia da Pontinha (1985), Famões e Ramada (1989) é reduzido o território da Freguesia de Odivelas, decaindo igualmente o número de habitantes, conforme consta do Censo de 1991 com 53.531 habitantes.
 

No entanto, tendo em conta o último Censo (2011) a Freguesia de Odivelas conta com 59.559 habitantes, apresentando características urbanas com uma das maiores densidades populacionais do Concelho (11.794 habitantes/km2).

 

 

História

 

Um pouco das origens 

O mais antigo documento conhecido da história de Odivelas é uma inscrição românica encontrada na igreja do Mosteiro de Odivelas, actualmente em exposição no Museu do Carmo, em Lisboa, relatando que João Ramires, Primeiro Prelado desta igreja, morreu a 13 de Fevereiro de 1183. 

Em 1147, foi conquistada Lisboa pelos Cruzados, com a consequente vinda para Sul de clérigos com o objectivo de manter a posse de terras nas mãos dos cristãos. João Ramires seria um desses Cruzados a quem coube a paróquia de Odivelas.

 

Evolução administrativa

Odivelas foi incluída no Município de Belém em 1852, tendo em 1885 passado para o Município dos Olivais e, em 1886, passou a integrar o Município de Loures, na data da criação daquele concelho. Em 19 de Novembro de 1998 é criado o concelho de Odivelas, onde a freguesia fica inserida.

Odivelas chegou a ser uma das Freguesias mais populosas da Europa. Dela foram desanexadas as Freguesias da Pontinha (em 1984) e de Famões e Ramada (ambas em 1989). Dos mais de dezassete quilómetros quadrados em 1984, Odivelas tem hoje uma área de 5,35 quilómetros quadrados, redução resultante da desanexação daquelas novas Freguesias. Conta com mais de 45.000 eleitores.

Em 3 de Abril de 1964 é elevada à categoria de Vila, passando a ter a categoria de Cidade desde 10 de Agosto de 1990.

 

A administração da Freguesia

Na orgânica de poder do Estado Português, a Freguesia tem no órgão deliberativo, a Assembleia de Freguesia, 21 eleitos e no órgão executivo, a Junta de Freguesia, sete eleitos (Presidente, Secretário, Tesoureiro e quatro Vogais).

A Junta de Freguesia exerce, além das competências que lhe estão atribuídas pela Lei, várias outras competências delegadas através de um Protocolo de Delegação de Competências do Município de Odivelas nas Juntas de Freguesia.

Assim, gere um mercado municipal, duas feiras semanais, um cemitério (que ainda serve a Pontinha, a Ramada e Famões), um pavilhão polivalente e três recintos polidesportivos. É responsável pelo licenciamento da actividade publicitária, da ocupação da via pública e de canídeos.

Também assume a responsabilidade de manutenção de zonas verdes, das escolas do primeiro ciclo do ensino básico e de jardins de infância da rede pública, de vários parques infantis. É ainda responsável pela limpeza urbana (varrição), pela conservação de passeios pedonais e de arruamentos, pela sinalização, contribuindo além disso com muita actividade no âmbito da acção social, da cultura, da saúde, da ocupação de tempos livres, da preservação do património histórico e cultural, da iluminação pública, da toponímia, do planeamento, do trânsito. Tem de facto uma forte intervenção na vida local dos odivelenses.

Conta com mais de duzentos trabalhadores e colaboradores que no dia a dia actuam de forma a melhorar a qualidade de vida da população.

 

Vinde ver-nos...

Ide vê-Ias, senhor... terá dito D. Isabel ao rei D. Dinis, saindo-lhe ao caminho, no Lumiar, quando o seu esposo e senhor de Portugal se deslocava a sua casa no Vale das Flores. Esta é uma lenda e hipótese da origem do nome da nossa Cidade, intimamente ligada ao rei que aqui mandou erigir um Mosteiro no qual ficou sepultado após a sua morte.

O Vale das Flores e as belas quintas outrora existentes neste território foram dando lugar a prédios em urbanizações nem sempre executadas de acordo com a harmonia local.

Mas da história de Portugal muita coisa ainda sobrevive: o Mosteiro de S. Dinis e S. Bemardo, o Memorial, o monumento ao Senhor Roubado, a Casa do Arcebispo são importantes testemunhos da importância histórica desta terra.

A doçaria conventual é cada vez mais apreciada, a par de urna gastronomia rica e variada fomecida por restaurantes de elevado grau de qualidade a preços acessíveis.

O turismo tem vindo desde há alguns anos a merecer particular atenção da administração local, despertando investigadores, artesãos, agentes económicos e culturais. O artesanato desponta com uma forte capacidade criativa, a que se junta uma crescente actividade cultural.

A Loja da Cidade, a funcionar desde Julho de 2000 na Casa da Memória, é uma ajuda ao conhecimento deste território, importante aglomerado desde o século XII, tendo adquirido o estatuto de Cidade desde 1990, e que cada vez se toma mais acessível pelo incremento de estradas e transportes públicos, mas também mais bonita e com melhor ambiente.

Aproveitando a originalidade da rainha, aqui deixamos um cordial convite: Vinde ver-nos, senhoras e senhores, deixai manifestar-vos a nossa hospitalidade.

 

CASA DA MEMÓRIA

A Casa da Memória foi instituída na década de 80 e foi neste edifício que até aí funcionou a Junta de Freguesia de Odivelas.

Com o objectivo de proporcionar a pessoas ligadas à história e às tradições da terra a preservação e divulgação do património histórico, arquitectónico e cultural de Odivelas, colaborando em trabalhos de recuperação da zona habitacional do núcleo histórico. No entanto, este objectivo foi-se desvanecendo devido à falta de pessoas com disponibilidade para o efeito, a que acresceu o desinteresse municipal. Entretanto, as instalações foram aproveitadas para uma extensão do Centro das Taipas no âmbito da recuperação de toxicodependentes, sendo desactivada pouco tempo depois.

Após obras de remodelação, a Casa da Memória foi reactivada em Dezembro de 1995, tendo sido instalada a Biblioteca Fixa Pública da Junta, um projecto em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian. No final de 1998, a Casa da Memória, devido à transferência da Biblioteca para outro local, passou a receber exposições de artistas locais que no primeiro trimestre de 2003 transitaram para o Pavilhão Polivalente.

A Casa da Memória, situada no Largo da Memória, junto ao Cruzeiro de Odivelas, assumiu uma nova dinâmica em 2003 uma vez que foi assinado um Protocolo entra a Junta de Freguesia de Odivelas e o CESDIS - Centro de Estudos Sociais D. Dinis e que veio permitir por parte do Centro que a Casa da Memória alcancasse um promoção mais dinâmica da cultura e da história da nossa Cidade.

Neste momento a Casa de Memória é um espaço que a Junta de Freguesia utiliza para exposições e iniciativas no âmbito da cultura.

 

IGREJA MATRIZ DE ODIVELAS

O actual edifício foi fruto de uma reconstrução de finais do século XVII cujo acesso faz-se através da escadaria dupla datada de 1680. Do antigo templo resta uma pia quinhentista integrada na capela baptismal formada a azulejos historiados com cenas de baptismo. No seu interior, a igreja,de uma só nave, é decorada com azulejos historiados, de escelente qualidade, alusivos à Eucaristia e de efeito cénico com volutas em trompe loeil, que segundo José Meco são da autoria de Nicolau de Freitas, que datam da primeira metade do século XVIII. No interior encontravam-se várias pinturas, emolduradas por estuque rocaille, com os seguintes temas: Jesus ensinando no Templo, Fuga para o Egipto, Circuncisão, Anunciação, Visitação, Adoração dos Pastores, Adoração dos Magos, entre outras.

Na nave estão localizados quatro altares laterais com retábulos de talha dourada com colunas salomónicas e cariátides com decoração de folhas de acanto estilizadas, dois altares ladeando o arco triunfal também de talha dourada que anunciam uma simetria que se desliga do barroco joanino aproximando-se de uma linguagem neo-clássica. A capela-mor ostentando nas suas paredes motivos rocaille como conchas e grinaldas de flores dando enquadramento a um interessante retábulo de mármore.

Foi neste templo que ocorreu o roubo dos vasos sagrados no Sacrário, em 1671, por António Ferreira.

 

MOSTEIRO DE S. DINIS

O Mosteiro de S. Dinis, fundado pelo Rei D. Dinis, vê iniciada a sua construção em 1295.

Existem duas versões que justificam a sua construção.

Segundo a História, o monarca construiu este mosteiro, para nele acolher a sua filha D. Maria Afonso, cuja família materna possuía o Paço do Lumiar. Esta infanta morre ainda adolescente.

A tradição conta-nos que, andando o rei à caça na zona de Beja (ou de A-da-Beja nou tra versão), foi atacado por um corpulento urso que, insvestindo contra o cavalo, deitou por terra o monarca. Ao invocar os protectores S. Dinis e S. Luís, bispo de Tolosa, para sua defesa, prometeu fundar um mosteiro se conseguisse sair ileso daquele perigo. Puxou do punhal que trazia à cinta, cravou-o no coração da fera que logo ficou sem vida.

A primitiva construção do Mosteiro de S. Dinis era, na sua totalidade em estilo gótico. A igreja do mosteiro compunha-se de três naves, flanqueadas por duas torres. Desta construção inicial, restam aas capelas adsidais, dois lances do claustro novo, e o claustro da Moura.

Com os sucessivos restauros efectuados, o Mosteiro começa a perder a primitiva pureza de linhas, por volta do século XVI. Identificam-se as portas do claustro em estilo Manuelino, a fonte Renascentista, as capelas quer de mármore quer de estilo barroco, as alpendradas, o revestimentodas paredes a azulejo, já em 1671, que caracteriza o exterior, que o interior, nomeadamente os núcleos da antiga cozinha do convento, do refeitório das freiras, da alpendrada, do natex e da portaria.

No século XVIII, depois do terramoto, fizeram-se obras que não respeitaram a traça gótica, utilizando-se o estilo neo-clássico, quer na igreja, quer nos lanços do Claustro.

A este mosteiro, estão associadas figuras históricas para além do seu fundador Rei D. Dinis, cujo túmulo datado da primeira metade do século XIV, se encontra na capela absidal do lado do Evangelho. Neste mosteiro morreu a rainha D. Filipa de Lencastre, filha do infante D. Pedro, após a batalha da Alfarrobeira, viveu segundo as normas do ideal ascético, irmã de D. João II, princesa Santa Joana.

O Mosteiro de S. Dinis, era de freiras bernardas, da Ordem de CIster. As residentes eram filhas da nobreza, que não casavam por não diporem de bens, quando a família não lhes atribuía um dote. Não estando prometidas em casamento a algum nobre, as raparigas recolhiam à sombra protectora dos mosteiros, enriquecidos com as doações dos reis e dos nobres, para aí levarem uma vida segura, em termos económicos.

A protecção das recolhidas do Mosteiro de Odivelas era quebrada com as visitas dos reis a raparigas de seu agrado; quer D. Dinis, quer o rei D. João V frequentavam o convento, sendo que a célebre Madre Paula, era mãe dos filhos de D. João V.

Em 1834 extinguiram-se as ordens religiosas, durante a Monarquia Constitucional, e em 1902 o convento foi entregue ao infante D. Afonso que nele promoveu a instalação do actual Instituto de Ensino.

É Monumento Nacional por Dec. de 16/06/1910.

 

CRUZEIRO - MEMORIAL

Este monumento, situado na zona antiga da povoação de Odivelas, no local que foi a entrada do velho povoado, está classificado como Monumento Nacional por Decreto Lei de 16/06/1910. De arquitectura gótica primitiva, é também conhecido por “cruzeiro”. Fica situado a escassos duzentos metros do antigo convento, orientado no sentido Sudoeste-Nordeste, uma das faces voltadas para Lisboa, outra para o Mosteiro.

Monumento da época diocesana, é construído em calcário Lioz, extraído das pedreiras de Trigache - Famões, e compõe-se de dois registos. No primeiro andar, quatro pares de colunelos apoiam os arcos trilobados. Sobrepõe-se à arcaria, um arco ogival, característico do gótico primitivo. Coroa o monumento a empena lisa e, na face Noroeste, o escudo português medieval, usado na Armaria até ao reinado de D. Fernando. Remata o monumento uma cruz, constituída por quatro semicírculos, formando um florão, semelhante a outros que aparecem em monumentos portugueses do séc. XIV.

Descrito o monumento, resta a incerteza quanto à sua origem e significado.

As explicações dividem-se entre ter sido erguido para nele descansar o caixão mortuário de D. Dinis, falecido em 1325, que vinha a sepultar no Mosteiro das freiras Bernardas, ou para D. João I ao ser transportado de Lisboa para a Batalha, em 1433. Ou ainda, tratar-se-ia de um simples padrão de couto demarcando limites territoriais na área jurisdicional do Mosteiro, ou um local de portagem, tendo objectivos fiscais de cobrança do imposto de barreira da coutada.

 

PADRÃO SENHOR ROUBADO

Este padrão de devoção religiosa popular integra-se na arquitectura religiosa barroca. O padrão do Senhor Roubado foi edificado em 1744, como símbolo expiatório  do sacrilégio furto ocorrido na Igreja Matriz de Odivelas na noite de 10 para 11 de Maio de 1671. Este oratório de pedra assenta em 4 colunas toscanas de mármore, é coberto por abóbada e rematado por 4 fogaréus joaninos. No centro da cimalha arqueada está uma figura feminina segurando um cálice e uma flor podendo simbolizar o triunfo da Eucaristia ou uma figura alegórica da fé.

A narrativa do furto é-nos relatada pelo sazulejos historiados, dispostos em 12 painéis colocados num paredão.

 

CORETO DE ODIVELAS

O Coreto de Odivelas foi construído no Largo D. Dinis, único largo com dimensões capazes de acolher. Primeiramente, estava sensivelmente aos centro, em frente ao Mosteiro, tendo sido posteriormente desmontado para ser reconstruído no pequeno espaço ajardinado, à esquerda de quem entra no largo.

É formado por uma base ou plataforma octogonal com 1,60 m de altura, rebaizado interiormente à profundidade de 90 centímetros. Esta base funciona como caixa de ressonância e tem 6 m de diâmetro.

Em cada um dos ângulos fixam-se colunas de ferro de 3,60 m de altura, sobre as quais assenta a cobertura, em forma de cúpula bolbosa, de folha zincada, tendo como remate um cata-vento.

Sobre o embasamento e em todo o seu perímetro, um gradeamento decorado com liras, flores e espirais. Sob a cobertura, em toda a volta do entablamento, um friso reproduzindo uma pauta musical.

A altura total é de 6,5 m.

Foi construído entre 1910 e 1913, com donativos dos habitantes.


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