Falcoaria seiscentista, de planta centralizada e simétrica, com pátio interior quadrangular comunicante com pombal de planta circular; Planta e fachadas de axialidade acentuada, com marcação do eixo de simetria desde a fachada principal ao pombal; Pombal de cobertura em cúpula e paredes vazadas por nichos quadrangulares. Com fortes influências das falcoarias holandesas setecentistas, particularmente as da Vila de Valkenswaard.*4.
Planta centralizada, composta, regular e simétrica. O edifício da Falcoaria compreende um conjunto de oito corpos de plantas quadrangulares e rectangulares regulares, dispostos alternadamente em torno de um pátio quadrangular, um pombal de planta circular localizado fora do pátio, a NO., e um pátio secundário fechado por muro com pequena construção, a SO. do conjunto principal. Os corpos são térreos, exceptuando os dois que definem o eixo principal do conjunto, no sentido SE.- NO., de dois pisos, com portas centralizadas e fachadas simétricas estabelecendo entre ambos uma ligação axial, o primeiro correspondente à fachada principal, o segundo outrora comunicante com o pombal através de uma galeria abobadada. Cobertura em cúpula no pombal e coberturas diferenciadas em telhados de quatro águas em alguns dos restantes corpos, encontrando-se as de outros já em completa ruína. Fachadas de pano único, rasgadas por janelas e portas rectangulares de verga recta e em arco abatido, com molduras lisas de cantaria, encontrando-se alguns dos vãos entaipados; Fachada do corpo NO. virada ao pátio, com acesso principal ao nível do segundo piso, através de escadaria de dois lanços rectos e convergentes, rasgada inferiormente por túnel que daria acesso à galeria do pombal; Corpo NE. recuado em relação ao exterior, formando pequeno pátio de planta rectangular alongada, fechado por muro alto. POMBAL constituído por um torreão circular de 8 metros de altura, com cobertura em cúpula, aberta por quatro lunetas para entrada e saída das pombas; muros exteriores contrafortados; INTERIOR com 5,30 m de diâmetro e paredes vazadas por 305 nichos quadrangulares para as aves, munidos de poiais e formando sete registos; dois tirantes de ferro, cruzados, ao nível do tambor.
Materiais
Paredes em alvenaria de pedra ordinária e tijolo maciço; reboco de cal e areia; paredes interiores em tabique; guarnições dos vãos em cantaria de calcário; portão de ferro da fachada principal; estrutura do telhado, portas e janelas em madeira; pavimentos em mosaico e tijoleira; cobertura em telha marselha e de canudo.
Observações
*1 - Classificação conjunta com a Capela (v. PT031415040001). *1 - Canal artificial com capacidade para cerca de 60 embarcações e munido de porto de rio, correndo a N. da vila de Salvaterra de Magos, que permitia o transporte directo do Tejo para o antigo Paço Real e para a Falcoaria. Através deste canal chegava, vinda de Lisboa em escaleres ou bergantins, a família real e a corte; *2 Embora fisicamente separadas, a Capela e a Falcoaria do antigo Paço real faziam outrora parte de um núcleo comum, compreendendo um vasto conjunto de edifícios e espaços descobertos, incluindo, entre outros, hortas, jardins, aposentos da família real, comitiva e serviçais, Casa da Ópera, Residência do Almoxarife, cozinhas, cocheiras, cavalariças e anexos agrícolas. Para além da Capela, das Casas da Falcoaria e de alguns elementos dispersos, restam apenas duas chaminés das antigas cozinhas, hoje integradas em propriedade privada; *3 O projecto de recuperação da Falcoaria prevê a reconstrução dos edifícios no seu traçado original e com materiais idênticos aos originais, a reactivação do pombal, a criação de um espaço museológico dedicado à caça de Altanaria, de um restaurante de caça, e de espaços destinados à criação de falcões e à realização de demonstrações com estes animais, recriando as antigas caçadas que se realizavam em Salvaterra de Magos ; *4 Sendo possuidora de coutadas e grandes áreas de mata em Salvaterra de Magos, as estadias da família real naquela vila tiveram como principal motivo a caça, sobretudo a Altanaria. Grande parte dos falcões eram capturados na Islândia e oferecidos pelo rei da Dinamarca ao rei português, sendo transportados para Amsterdão, daí para Lisboa e depois para Salvaterra, por falcoeiros holandeses de Valkenswaard.