Torre do relógio, construída no final do séc. 19, ou início do séc. 20, aproveitando silhares de construções primitivas, alguns medievais.
Planta quadrangular simples com cobertura homogénea em telhado de quatro águas. Fachadas em alvenaria de granito, rematadas por cornijas e ameias. Fachada principal virada a ocidente, rasgada por porta de verga reta, sendo as demais fachadas cegas. Na fachada virada a oriente, as ameias são substituídas por uma sineira em arco de volta perfeita, rematada em cornija e por dois fogaréus, tendo suporte de luminária. Em todas as faces, a meio das mesmas e imediatamente abaixo da cornija, encontram-se os mostradores do relógio.
Materiais
Estrutura em alvenaria de granito; argamassa de cal e areia em juntas; cobertura em telhas cerâmicas; madeira e ferro forjado
Observações
EM ESTUDO. *1 - RODRIGUES é da opinião que no local da atual Torre do Relógio terá existido “uma esculca, ou torre de vigia” uma vez que a “a sua localização dominava um vasto horizonte, penetrando em Castela, vigiando a Serra da Marofa, Castelo Rodrigo e outros importantes castelos”. Por seu turno, MOREIRA refere que “no cimo da elevação de Meda foi erguida uma antiga atalaia onde presentemente se encontra a torre do relógio. Dada a importância do agregado populacional é natural que Alanos e Visigodos tenham conservado a obra já existente no local, a qual deve ter entrado em decadência durante a ocupação dos Sarracenos. D. Sancho I, ao verificar o profundo desmantelamento, determinou a reconstrução do antigo castelo e a realização do repovoamento. (…) Da atalaia eram enviados sinais e avisos para as fortalezas circundantes de Penedono, Marialva, Numão e Pesqueira.” Também, para SARAIVA, a Torre do Relógio deveria servir de atalaia pois do local se observam os castelos de Numão, Marialva, Ranhados e Penedono. Confirmando-se a possibilidade de comunicação visual direta com os castelos de Penedono, Ranhados e Marialva, o mesmo não acontece com os de Pesqueira e Numão. Para que a comunicação de sinais se realizasse com estes castelos seriam necessários postos repetidores em pontos altos, como por exemplo, para Numão no monte de Santa Colomba, perto de Poço do Canto, onde terá existido um castro e que segundo RODRIGUES “não nos repugna aceitar que teria sido um dos fortes mais importantes da estratégia castreja lusitana”. *2 – Trata-se de uma pintura existente numa das salas do Solar das Casas Novas (v. IPA.00011260) onde, na base do Morro do Castelo é representada uma torre, tida por alguns autores como antigo celeiro da Ordem de Cristo, com ameias e sineira idêntica à da atual Torre do Relógio, e que, conjecturalmente, seria a Torre do Relógio a que o Pe. António Costa se refere na Corografia Portugueza. Na mesma representação, é visível a Capela de Nossa Senhora da Assunção e o cruzeiro ainda hoje ali existente.