Arquitectura civil industrial, modernista, funcionalista e "Art Déco". Antiga fábrica dos anos 30, que utiliza o ferro como material arquitectónico emancipado, com a estrutura deixada a nu no seu esqueleto metálico, com dignidade e decoro, numa recuperação da superfície da linha e do espaço como elementos expressivos em detrimento da noção de massa e de modelado. Programa modesto com base num funcionalismo racional, desenvolvido numa linguagem classicizante, na distribuição da massa segundo um eixo de simetria. Art Déco nas linhas puras da estética cubista, expressa nas superfícies planas e linhas rectas de traçados suavemente geométricos, com faixas verticais e horizontais que esquadriam as fachadas e que as valorizam superiormente, e emprestam movimento rítmico aos seus panos, com vãos abertos numa escala inusitada, em volumes cúbicos. Edificação expressiva de uma arquitectura funcionalista de gosto geométrico déco, paradigmas da arquitectura moderna portuguesa.
Planta longitudinal, regular, composta por dois volumes em justaposição, com horizontalidade: edifício principal com os espaços dos diversos núcleos fabris divididos e corpo menor, adossado ao alçado posterior; há coincidência exterior - interior em ambos os corpos. Coberturas exteriores em terraço. EDIFÍCIO PRINCIPAL: Alçados de planos laminares que, com excepção do alçado N. se desenvolvem em simetria e rematam em cornija de coroamento, rectilíneo; com excepção do alçado E., vêm-se tubos de algerozes nas paredes para o escoamento da água pluvial dos terraços. Fachada principal orientada a O. de 3 panos escalonados; no central, mais elevado, ressaltam faixas paralelas, verticais, no intervalo das quais se rasgam no registo inferior o portal principal e, no superior, amplos vãos de janelas verticalizantes; em cada um dos panos laterais abre-se o vão de grande janela; a fachada remata em frontão recuado, rectilíneo. A fachada posterior desenvolve-se de modo semelhante àquela, apenas com maior porção de vãos de janelas e tem um corpo mais baixo, adossado à metade do alçado. Fachada a S. desenvolve-se por de 3 panos, sendo o do meio mais elevado, onde se destacam grupos de faixas verticais em ressalto que separam os 4 vãos de janelas que se abrem à semelhança dos outros panos descritos; em cada um dos panos laterais abre-se uma janela. Fachada a N. desenvolve-se entre cunhais apilastrados que ultrapassam um pouco em altura o alçado; neste abrem-se 6 portas a que se sobrepõem outras tantas janelas; o alçado remata em empena rectilínea. INTERIOR: espaço diferenciado de acordo com as zonas dos respectivos sectores museológicos: um grande salão ocupa a parte central do edifício, entre os alçados O. - E., entre as salas que se abrem nas alas laterais: da banda N. há uma sala que se desenvolve ao longo da sala principal, com uma pequena sala anexa ao fundo; da banda S. a outra ala, dividida em dois espaços. Os alçados interiores que dividem os espaços descritos são constituídos por paredes em alvenaria ou por amplas superfícies envidraçadas, sustentadas por estruturas e pilares em ferro. A iluminação do espaço é feito através dos amplos vãos de janelas e das portas já descritos. O pé direito corresponde a um único registo em cada um dos espaços, com os quatro alçados das fachadas com os interiores lisos e interrompidos pelo rasgo dos vãos de portas e janelas. A cobertura interior assenta num conjunto de vigamentos e armação de ferro num conjunto de arcos de asa de cesto suportados por colunas e unidos por tirantes e travejamento de asnas, tudo em ferro. Há um anexo ao edifício principal: de planta rectangular, com coincidência exterior - interior, que vai fazer parte também do museu, de pequenas dimensões, com a mesma tipologia exterior e interior dividido em vestíbulo e outras divisões administrativas e cívicas. .
Materiais
Alvenaria, betão armado, ferro, tijolo de vidro, azulejos, madeira.
Observações
*1 referente à classificação do Conjunto de imóveis ligados à atividade industrial e à obra social da Companhia União Fabril (CUF): Casa-Museu Alfredo da Silva (v. IPA.00011813); antigo Posto da GNR; edifícios da primeira geração Stinville (1907-1917); edifícios da antiga central a vapor; (...) Armazém de Descarga e Moagem de Pirites; Bairro Operário de Santa Bárbara (v. IPA.00011802), Mausoléu de Alfredo da Silva (v. IPA.00006634); Silo de Sulfato de Amónio (1952); Silo de Enxofre (1960); e Museu Industrial e Centro de Documentação (antiga Ventral Diesel, 1928-1937); *2 Museu da Quimiparque com trabalhos em curso prevê: uma entrada principal de acesso ao núcleo central relacionado com o Sector Adubeiro e Químico, que está dividido pelo conjunto de peças, o Grupo Electogénio da antiga Central Diesel; a ala N. apresentará o sector têxtil com o Museu da Juta e o reservatório de combustível da antiga fábrica; a ala S. terá um Auditório, uma sala reservada à História da Empresa, com destaque para as figuras de Alfredo da Silva e da Família Mello, e uma Sala de Reservas ( recepção de peças ); na fachada oposta à principal tem uma entrada com vestíbulo de Recepção, corredor de acesso ao piso superior e os sanitários.