Arquitectura religiosa, românica, gótica, maneirista e barroca. Igreja paroquial tardo-românica, de planta longitudinal composta por nave, capela-mor mais estreita e baixa e sacristia adossada ao lado esquerdo. Fachada-campanário com duas sineiras, num esquema recorrente no românico na região, com portal gótico, em arco apontado. Fachadas rematadas em cornija, as laterais assentes sobre cachorradas, rasgadas por portais em arco de volta perfeita, algumas frestas e, na capela-mor, janelas em capialço, de feição maneirista. Interior com coberturas de madeira, em masseira e com vigamento à vista na nave e em falsa abóbada de berço em caixotões na capela-mor. Pia baptismal junto ao portal axial, no lado do Evangelho, lado onde se acha o púlpito quadrangular. Retábulos colaterais de talha maneirista, com painéis pintados e remates em tabela com aletas recortadas e retábulo-mor de talha dourada do estilo nacional, de planta recta e três eixos. Pinturas murais quinhentistas na nave e capela-mor, com temática hagiográfica, envolvida por frisos geométricos e vegetalistas. Igreja de construção românica, com sucessivas intervenções nos períodos gótico e maneirista, tendo vários arcossólios apontados ainda com os respectivos túmulos, frestas românicas e portais intensamente decorados com motivos fitomórficos, bem como os vãos do campanário. Várias mísulas surgem nas paredes exteriores, fazendo acreditar na existência de um alpendre que protegeria os três pórticos. Nos muros, observam-se, ainda, várias figuras esculpidas com representações eventualmente religiosas, mas destinguindo-se, entre elas, um cavaleiro e uma cruz. Retábulos colaterais são maneiristas, protegidos por baldaquinos pintados com motivos fitomórficos, sendo o mor de estilo nacional, enquadrando duas pinturas quinhentistas, anteriores. Destacam-se as pinturas murais quinhentistas do interior, resultantes de sucessivas campanhas decorativas, sendo possível identificar quatro intervenções, com temática hagiográfica, surgindo, na nave, temas cristológicos, terminando em Calvário sobre o arco triunfal, este encoberto por razões de conservação. As mais recentes, datáveis do segundo quartel do séc. 16, com cenas da vida de Cristo, apresentam semelhanças compositivas, embora com tratamento mais ingénuo, com as da Igreja de Santo Isidoro, em Marco de Canaveses, datadas de 1536 e assinadas pelo pintor Morais. Algumas das pinturas da nave encontram-se envolvidas por molduras de fitas entrelaçadas, influenciadas pelo trabalho de couro decorativo, nomeadamente pelas costuras das várias peles, bem como por fundos brocados, inspirados nos tapetes islâmicos. Na capela-mor, a imagem do orago, envolvida por frisos geométricos.
Planta longitudinal composta, de nave única, capela-mor mais estreita e baixa e sacristia adossada ao lado esquerdo. Fachadas em cantaria aparente, com as juntas preenchidas com argamass e remates em cornija boleada, nas laterais assente em cachorros, alguns decorados com elementos antropo e zoomórficos. Fachada principal virada a O., com portal em arco apontado, assente em impostas boleadas, com friso estriado servindo de moldura interior e que se prolonga nas jambas e dois frisos exteriores com enxaquetado e boleado; a arquivolta exterior é suportada por mísulas de feição antropomórfica. Por cima da pedra de fecho do portal, existe uma cruz pontentea, insculpida num silhar; ligeiramente acima e do lado esquerdo, existe um relevo, que parece representar três mulheres *2. Remata em empena seccionada e alteada na zona central, onde se rasgam duas sineiras de volta perfeita, como molduras fitomórficas, formando campanário e cruz no vértice. Fachada lateral esquerda, virada a N., mostra três arcossólios mantendo túmulos e outro com moldura estriada e friso crucífero; porta em arco de volta perfeita com decoração de estrelas, interrompida pelas impostas, estas com decoração de círculos entrelaçados. Surge, ainda, uma pequena fresta e algumas figuras esculpidas, como um cachorro antropomórfico a ladear o portal e um pequeno guerreiro. Adossada à capela-mor, a sacristia, com porta de verga recta de acesso. Fachada S. exibe arcossólio de volta perfeita, assente em mísulas zoomórficas, portal semelhante ao oposto, com acesso por dois degraus, várias mísulas e uma representação em baixo-relevo com duas figuras, estando uma delas deitada e a outra ajoelhada junto dela. No volume da capela-mor, duas janelas molduradas, uma quadrada e gradeada e outra rectilínea, em capialço. Fachada posterior em empena, alteada relativamente à cornija, rasgada por quadrifólio e, no volume da sacristia, fresta. O INTERIOR é em cantaria granítica aparente, com pavimento em lajeado, onde surge uma sepultura a ostentar a data de "1660", e cobertura de madeira em masseira, com vigamento à vista e tirantes do mesmo material. Apresenta vestígios de pinturas murais nas paredes laterais da nave junto ao arco cruzeiro, representando, no lado do Evangelho e correspondente a uma primeira fase, uma "Descida da Cruz", surgindo, de uma terceira intervenção, um painel com São Longuinhos e Stephaton *3, ostentando moldura de três fitas entrelaçadas, outro de São Francisco, este sobre um fundo com padrão floral comum, denominado "ao brocado", e uma "Missa de São Gregório", surgindo, da quarta intervenção, dois painéis enquadrados, a representar a "Natividade", "Apresentação do Menino no Templo" e "Adoração dos Reis Magos", bem como uma Santa Catarina e Santo António. Na parede da Epístola, surgem vestígios das quatro intervenções, aparecendo, da primeira, um painel de identificação difícil, surgindo, da segunda intervenção, um enorme São Cristóvão; da terceira fase, um fragmento que pode representar São Sebastião, painel envolvido por moldura com três fitas entrelaçadas e, da última, uma "Anunciação". No lado do Evangelho, sobre pequeno degrau, a pia baptismal de taça hemisférica assente em pequena base de perfil circular, e púlpito quadrangular, com bacia em cantaria, assente em consola decorada com elementos fitomórficos e guarda de madeira balaustrada. Os retábulos laterais são semelhantes, assentes em estrutura de madeira de castanho e supedâneo em madeira de sucupira, de talha dourada e planta recta, com painel pintado central, circunscrito por quatro colunas torsas com pâmpanos, encimados por entablamento e tabela central pintada, ladeada por quarteirões e aletas recortadas; altar paralelepipédico decorado com acantos. O do lado do Evangelho tem, no painel central, a representação de drapeados fingidos a abrir em boca de cena, surgindo, no oposto, uma "Virgem com o Menino"; nas tabelas, surge, na do lado do Evangelho, uma Nossa Senhora da Conceição, aparecendo, no oposto, a pomba do Espírito Santo. O arco triunfal de volta perfeira, assente em pilastras toscanas, acede à capela-mor com cobertura de talha em branco, formando falsa abóbada de berço em caixotões, tendo, a ladear a porta de verga recta de acesso à sacristia, pia de água-benta e nicho para alfaias. Na parede testeira e ilhargas, pinturas murais, figurando o padroeiro, Santiago, envolto por moldura de losangos denteados e com disposição de vários frisos de motivos geométricos e vegetalistas estilizados, como os entrançados de corações e flores quadripétalas, por seu turno com moldura de entrelaçados. Retábulo-mor encontra-se assente sobre estrutura de ferro e madeira, em torno do qual se pode circular, é de talha dourada e planta recta, de três eixos definidos por colunas torsas, o central com tribuna de volta perfeita, coberta por caixotões, integrando trono de quatro degraus; lateralmente, dois painéis pintados, provenientes de um primitivo retábulo, representando "São Martinho a repartir a capa com um mendigo" (Evangelho, 132,9 x 55,4 cm.) e São Lourenço (Epístola, 133,2 x 57,3 cm.), pinturas a óleo sobre madeira de castanho; o altar é paralelepipédicom sendo o remate ornado por folhas de acanto, a acompanhar a estrutura da cobertura.
Materiais
Granito aparente na estrutura, molduras, cruzes, cachorrada, mísulas, túmulos, relevos, pavimentos, pia baptismal, bacia e mísula do púlpito, pias de água benta; cimento no alteamento da empena da capela-mor; madeira nas coberturas, portas, retábulos e imaginária; telha de aba e canudo; vidro simples nas janelas; pinturas murais a fresco, sobre preparação de reboco fino de cal carbonatada e areia do tipo cuarcífero, tendo, nos painéis da nave, acabamentos a seco, utilizando como aglutinante o carbonato cálcico e sendo visível o desenho preparatório com pigmento vermelho; os pigmentos utilizados são as terras naturais, óxido de ferro vermelho, vermelhão, ocre-amarelo e negro-de-carvão; as tábuas pintadas do retábulo-mor, são em óleo sobre tábua de castanho, com uma preparação fina de carbonato cálcico e cola animal.
Observações
*1 - DOF: Igreja Românica de Adeganha; *2 - sendo voz corrente dizer-se que é a representação de um parto; *3 - este painel faria parte de um conjunto de um "Calvário", existente sobre o arco triunfal, de que resta o Crucificado, coberto com cal, por razões de conservação.