Arquitetura religiosa, seiscentista e barroca. Capela de fundação medieva, construída em torno da particular devoção da população raiana à imagem da Virgem, de que subsistirá a capela-mor, descentrada relativamente ao corpo da nave e com pequeno arco triunfal, que, apesar das sucessivas tentativas do ampliar, não deixa antever, na totalidade, o espaço da cabeceira. O templo terá sido remodelado no séc. 17, resultando numa estrutura com planta poligonal composta por nave e capela-mor à mesma altura, mas ligeiramente mais estreita, antecedida por um alpendre aberto, construído no séc. 19, conforme data constante no fecho do arco principal do mesmo. As obras ter-se-ão prolongado pelo início do séc. 18, altura em que a capela-mor recebe uma campanha decorativa, com a aplicação de um revestimento de azulejo de padrão policromo e a feitura de um retábulo de talha dourada, do estilo barroco nacional, o qual sofreu intervenção durante o séc. 19, que alterou a estrutura do remate e truncou a ligação das arquivoltas do mesmo. Está iluminada unilateralmente por janelas rasgadas na fachada lateral direita e possui coberturas de madeira, em masseira e gamela, datáveis da intervenção novecentista. A fachada principal remata em empena e possui os vãos rasgados em três eixos compostos por portal e janela, e por dois postigos, No lado do Evangelho, mantém o antigo púlpito em cantaria, tardo-setecentista e, no lado oposto, surgiu, recentemente, uma tribuna que obrigou à edificação de uma porta e escadas de acesso exteriores. Possui a Casa do Ermitão, atualmente uma zona de apoio aos romeiros, multifuncional e, fronteiros, e a enquadrar o terreiro, os alpendres de feira, em cantaria de granito. Associada ao santuário, surge uma nascente de águas férreas com virtudes terapêuticas. A devoção em torno da Senhora do Almortão envolve um riquíssimo cancioneiro, havendo, até ao momento, uma recolha de cerca de 121 quadras (CATANA, p. 28).
Recinto composto por amplo terreiro terraceado, pavimentado a calçada, com acesso por escadas, ficando no topo a capela, antecedida pela área onde se implantam quatro alpendres de feira e o coreto, surgindo, a N. da capela, a casa do ermitão; o templo está ladeado por árvores. CAPELA de planta retangular composta por nave, antecedida por alpendre, e capela-mor mais estreita, de volumes articulados e com cobertura em telhado de três águas, rematadas em beiradas simples. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, percorridas por socos pouco proeminentes, em cantaria, flanqueadas por cunhais apilastrados e rematadas por frisos e cornijas. Fachada principal voltada a O., marcada pelo alpendre, rasgado frontal e lateralmente por arcos de volta perfeita assentes em pilastras toscanas, o frontal com pedra de fecho saliente e volutada. Sobre este, sineta com estrutura de suporte em metal. O alpendre tem cobertura em masseira, reforçada por tirantes metálicos, e pavimento lajeado, pontuado por bancos de cantaria. Para ele abre a fachada do templo, rasgada por portal de verga reta, ladeado por pilastras toscanas, com vestígios de chumbadouros, ladeado por dois postigos quadrangulares, todos com molduras simples em cantaria, e encimado por janela em capialço protegida por vitral a representar o orago. Fachada lateral esquerda rasgada por duas portas de verga reta, uma na nave e outra no corpo da capela-mor. Fachada lateral direita rasgada por três janelas retilíneas, duas na nave e uma no corpo da capela-mor, tendo, na nave, uma porta elevada com acesso por dois lanços de escadas convergentes, de acesso à tribuna. Fachada posterior rematada em empena com pináculo no vértice. INTERIOR com as paredes da nave rebocadas e pintadas de branco, com teto em vigamento de madeira pintado de azul e reforçado por tirantes de metal, e pavimento em lajeado de granito. No lado do Evangelho, o púlpito quadrangular em cantaria de granito aparente, quadrangular, assente em mísula e com guarda plena, tendo acesso por escadas no lado direito. No lado oposto e junto à entrada, uma tribuna elevada com acesso pelo exterior, tendo guarda de madeira torneada, pintada de azul. Arco triunfal de volta perfeita, assente em impostas salientes e parcialmente emoldurado por azulejo de padrão policromo. Está protegido por grade de ferro forjado e ladeado por duas mísulas com imaginária. Capela-mor com as paredes revestidas com azulejo de padrão policromo, tendo teto em gamela, de madeira pintada de bege, e pavimento em lajeado. Sobre supedâneo de degraus em cantaria, a mesa de altar paralelepipédica e revestida a azulejo de padrão policromo. Na parede testeira, retábulo de talha dourada, de planta reta e um eixo definido por quatro colunas torsas assentes em consolas e duas pilastras ornadas por motivos fitomórficos, e um friso vegetalista que emoldura a tribuna, que se prolongam em três arquivoltas, duas torsas e parcialmente unidas por aduelas, formando o ático. Ao centro, tribuna de volta perfeita com o fundo pintado e ornado por acantos, contendo a imagem do orago. A ladear o retábulo, porta de verga reta, de acesso à casa da tribuna. CASA DO ERMITÃO de planta retangular simples e com cobertura em telhado de duas águas, rematadas em beiradas simples. Fachada principal virada a S., rasgada por porta central e duas janelas de peitoril, todas retilíneas e com molduras simples, em cantaria. OS ALPENDRES DE FEIRA são em número de quatro, todos de plantas retangulares, os exteriores simples, abertos na zona que abre para o recinto e sustentados por pilares de cantaria, sendo os interiores marcados por amplo espaço sustentado por pilares de cantaria, marcados, no extremo O., por estrutura torreada quadrangular. Na denominada Horta do Ermitão, o EDIFÍCIO DOS BANHOS, tendo, adossado um tanque com bica, de onde verte a água com efeitos terapêuticos. A casa está atualmente fechada, tendo uma zona com três banheiras, o espaço da caldeira de aquecimento e uma sala de repouso e de espera. CORETO facetado com base em alvenaria rebocada e pintada, dando origem a apainelados em cantaria, encimados por colunelos decorados, em ferro, que sustentam uma cobertura de oito águas.
Materiais
Estrutura em alvenaria, rebocada e pintada; modinaturas, pavimentos, pilares, púlpito, escadas, cunhais, pilastras em cantaria de granito; tribuna, portas, coberturas de madeira; tirantes de ferro; grade da capela em ferro forjado; coberturas em telha cerâmica.
Observações
*1 - um pastorinho de Alcafozes e, segundo alguns, do Monsanto, encontrou no meio de uma moita de murta, uma imagem de pedra que levou para casa e, quando chamou a mãe para lha mostrar, não a encontrou, achando-a no dia seguinte no mesmo local e brincou com ela, tentando-a levar de novo para casa; sucedendo-se o acontecimento do desaparecimento, os vizinhos chegam à conclusão que se trata de uma imagem da Virgem, que passa a ser designada como Senhora do Almortão, tendo sido erguida uma capela no local. Uma segunda lenda, diz que um grupo de pastores, ao atravessar um campo, denominado "Água Murta", notou algo estranho atrás de umas murteiras e depararam-se com uma imagem que transportaram para a Igreja de Monsanto; a imagem desaparecia sucessivamente, voltando a aparecer no mesmo local, optando-se pela construção da Capela.