Estrutura artesanal de fabrico do gelo, composta por construções destinadas à produção e conservação, incluindo sistema de engenho para captação de água. O conjunto integra 2 poços, 1 tanque depósito de recepção, 1 tanque principal e 44 tanques rasos, 3 poços de armazenamento, um deles de planta circular com cobertura abobadada em calote esférica, além de duas construções complementares de planta rectangular associadas, respectivamente, aos mecanismos de captação de água e tratamento do gelo. Estrutura pré-industrial construída para suprir as dificuldades de abastecimento regular de gelo à Casa Real e à cidade de Lisboa. Constitui-se, a par dos poços do Coentral (v. PT021007020001 ), como alternativa ao processo utilizado para a obtenção deste produto durante os séculos 17 e 18, baseado na recolha e distribuição da neve acumulada nos poços da Serra Estrela.
Conjunto composto por dois grupos de construções de funções complementares, disposto em superfície e envolvido por muro de pedra sobreposta com acessos definidos por dois portões. PRIMEIRO GRUPO: destinado à produção do gelo, integra 2 poços de captação de água, 1 tanque depósito de recepção, pequena casa, talvez armazém, onde se accionavam as noras, 1 tanque principal e 44 tanques rasos, com cerca de 30 cm de altura, para congelamento de água. Os poços apresentam bomba manual e cobertura em cimento armado *1. Os tanques rectangulares e de dimensões distintas implantam-se segundo cotas escalonadas, em 4 filas N. / S. separadas por passadeiras, com cerca de 1,50 m. Aqueles comunicam entre si por passagens de secção rectangular, a cerca de 10 cm do fundo. Este fundo é revestido por 2 lajes calcárias finas, de dimensões irregulares e sobrepostas, com camada de areia amarela, fina e compacta, entre elas. Na transição do fundo-muros laterais existem ladrilhos vedados com argila de cor cinzenta. SEGUNDO GRUPO: de construções, reservado à preparação, armazenamento e conservação, localiza-se a S., a cerca de 100 metros, e define-se num edifício destinado ao tratamento do gelo, com várias construções adossadas, correspondentes a 3 poços de armazenamento. As coberturas, diferenciadas, são em telhados de uma, duas ou mais águas, para plantas igualmente distintas. O edifício de tratamento do gelo possui sala rectangular, com acesso realizado através de pórtico de arco abatido, ladeado por pilastras e sobrepujado por frontão interrompido *2. As cavidades e suportes visíveis a meio dos alçados interiores do edifício colocam a hipótese da existência de um piso superior. A O. porta rectangular simples. Os poços, contíguos, têm fundo coberto por pequenos pilares de pedra e paredes espessas, de geometria e dimensões diversas, um central e circular com 7 m de diâmetro e 10 m de profundidade, e 2 laterais rectangulares com cerca de 4 m de profundidade. Encostados entre si, têm acesso directo à sala e 1 cobertura abobadada em calote esférica, em ligação com o edifício através de 2 portas, junto às abóbadas.
Materiais
Cantaria de calcário; betão armado
Observações
*1- estes poços fornecem água, actualmente, às instalações da Força Aérea e à população local; *2 - sobre o qual existiu lápide referindo a compra e reedificação da fábrica por Julião Pereira de Castro, capitão de Malta, "reposteiro" e "neveiro" da Casa Real, com data de 31 Janeiro 1782. Sobre a lápide um nicho, agora vazio, onde parece ter existido a imagem de Nossa Senhora das Neves, ainda se realiza actualmente a Festa de Romagem a Nossa Senhora do Gelo a 5 de Agosto.