Arquitectura religiosa prê-românica e quinhentista. Igreja vernacular de origem pré-românica, de planta longitudinal e capela-mor quadrangular, à mesma altura, sendo o frontispício terminado em empena truncada por sineira. Interior com pinturas murais quinhentistas simulando retábulo. A sua principal particularidade reside na utilização de vários silhares almofadados colocados na vertical, à semelhança de outros templos pré-românicos, como o de São Pedro de Lourosa. Destaca-se ainda o contraste entre o carácter primitivo e vernacular da estrutura arquitectónica e a riqueza e qualidade decorativa das pinturas murais interiores, quinhentistas, que se organizam em esquema retabular, com as várias figuras separadas por pilastras, da autoria do pintor conimbricense Tristão Correia.
Planta longitudinal composta, de nave rectangular e capela-mor quadrada, cobertura de telhado de duas águas contínuas. Fachada principal com portal de verga recta e empena interrompida por campanário de ventana ladeada por duas pilastras lisas com cornija e arco de volta perfeita. Na fachada lateral S., porta de verga recta. Cunhal SE. da nave e da capela-mor marcados na base por silhar de duas faces almofadadas colocado na vertical. Interior com pavimento de lajeado na nave e de sobrado de madeira na capela-mor. Tecto de madeira pintada de azul formando três panos, possuindo tirantes de ferro na zona da nave. Arco triunfal abatido, delimitado por jambas monolíticas almofadadas, impostas salientes, lisas, e lintel de madeira arqueada. De ambos os lados, altares laterais constituídos por bancada maciça de alvenaria, com duas imagens escultóricas de madeira. O do lado do Evangelho possui um painel de pintura mural quinhentista. Adossado à parede do fundo, altar-mor do mesmo tipo, ladeado de degrau e com mesa de moldura simples, suportando pequema imagem escultórica de Santa Maria Madalena, de madeira. INTERIOR: iluminado por duas pequenas frestas de recorte rectangular, rasgadas nas paredes laterais da capela-mor. Na ousia e parte das laterais pinturas murais fingindo retábulo: composição tripartida por pilastras, com cenas da iconografia da padroeira: vestida com ricos trajes, como penitente, apenas vestida com os seus longos cabelos e, ao centro, Maria Madalena segurando um vaso de perfumes; no prolongamento para as paredes laterais, surgem representações de Santo Amaro, do lado da Epístola e de São Ciríaco do lado do Evangelho; no altar lateral representam-se duas imagens inseridas numa composição arquitectónica com pilastras, entablamento e frontão angular; restos de pintura revelam que o painel se prolongava sobre o arco triunfal e na parede da nave; pintura polícroma com largo predomínio dos pigmentos vermelho e amarelo ocre, com contornos de traço negro; os painéis da capela-mor possuem legenda em latim e em português, com muitas letras inclusas, percorrendo o friso do entablamento e do soco. Num passo decifra-se "PINTOV-SE NA ERA DE 1555".
Materiais
Estrutura de granito; cobertura interior e lintel do arco triunfal de madeira; tirantes da cobertura interna de ferro; telhado de telha cer%mica de meia-cana.
Observações
A antiguidade do templo e da ocupação do local encontram confirmação nos inúmeros fragmentos de "tegulae" e de cerâmica observáveis no adro. Obras de saneamento recentemente realizadas no arruamento contíguo colocaram a descoberto restos de construções, tendo sido recolhidos um fuste de coluna cilíndrico e um capitel toscano. A realização das necessárias obras de conservação e restauro do edifício deverão ser precedidas e acompanhadas de intervenção arquelógica e análise de outros elementos do templo primitivo, provavelmente integrados nos paramentos. Junto à porta axial, conservam-se no interior várias estruturas retabulares de madeira em estilo neogótico.