Minas romanas de extração de ouro, prata e chumbo, a céu aberto, pelo processo de cortas, e galerias abertas no afloramento rochoso, com entivação em madeira e dimensionadas para a utilização de carros de transporte do minério extraído e drenagem das águas, constituindo um dos mais importantes conjuntos de arqueologia mineira da época romana. O ouro extraído destinava-se exclusivamente ao fisco romano. As minas de Tresminas, juntamente com as de Gralheira e Campo de Jales, formavam o maior complexo industrial de jazigos auto-argentíferos, encaixados em metassedimentos xistosos e/ou em granitos na região de Vila Pouca de Aguiar. A exploração industrial dos depósitos auríferos exigia um abastecimento de água metódico e regulado, pelo que a sua situação geográfica a cerca de 840m de altitude era desfavorável, e tornava o abastecimento de água um problema logístico. Assim a água era armazenada e conduzida por meio de aquedutos a partir dos cursos superiores do rio Tinhela e do ribeiro de Fraga até á zona de exploração. Ainda hoje subsiste um depósito de água para desmonte do minério. Na envolvente, situava-se o povoado mineiro, composto por vários edifícios e com anfiteatro, construído em madeira.
Exploração mineira a céu aberto, em que os corpos mineralizados, constituídos por massas filonianas e lenticulares quartzíticas, eram desmontados, na sua extensão longitudinal e vertical, a partir dos afloramentos. Estes trabalhos efetuavam-se através de trincheiras ou cortas, com a configuração de desfiladeiro, com alargamentos irregulares, que atingiam, na fase final da exploração, profundidades máximas de 120 m aproximadamente. Os três locais de extração são: a Corta de Covas, com um comprimento de 430 m e uma profundidade de cerca de 60 m. A Corta da Ribeirinha, com um comprimento de cerca de 370 m e uma profundidade que ultrapassa os 100 m. Devido à erosão, os contornos originais da mina a céu aberto (especialmente os limites de lado da ladeira) sofreram fortes modificações. A sua antiga entrada, ainda funcional e transitável para carros, constitui uma brecha com vários metros de profundidade e largura, na escarpa do lado do vale. Aí, conservam-se troços de várias galerias de acesso, derivados de diversos estádios da exploração. O terceiro local de extração é a Corta dos Laginhos, com um comprimento de cerca de 100 m e uma profundidade de 9 m, embora neste último local a exploração praticamente se tenha limitado à extração subterrânea. Para explorar as secções mais profundas dos jazigos, abriam-se acessos horizontais a partir das encostas da montanha, transversais à orientação do filão. Constituem galerias tuneliformes, sempre em declive em direção à superfície, parcialmente projetadas e dimensionadas para a utilização de carros pesados, que serviam para o transporte de material extraído e para a drenagem das águas. A galeria do Pilar, aberta numa fase mais avançada da exploração, a 100 m da cumeada, constitui um túnel retilíneo e longo com cerca de 300 m, de acesso ao setor principal da Corta de Covas. No piso, possui marcados sulcos profundos causados pelas rodas de carros pesados, possivelmente puxados por bois. Numa fase de exploração posterior, foi aberto um canal de escoamento com 1 m de largura sobre todo o comprimento do túnel. Este canal teve de ser sucessivamente aprofundado, devido ao respetivo avanço de desmonte, para possibilitar o escoamento contínuo das águas. A galeria do Texugo tem aproximadamente 80 m transitáveis. A galeria dos Alargamentos, aberta a cerca de 50 m abaixo da cumeada, tem cerca de 150 m e pertencia às estruturas mais antigas na área da chamada mina da Corta de Covas. Possui quatro alargamentos, laterais e retangulares (daí advindo o seu nome), que, possivelmente, serviam como locais de desvio. A galeria desemboca numa grande caverna artificial atravessada por um poço de pelo menos 40 m de profundidade. Deste posto de carga ramificavam-se outras galreias, entre as quais provavelmente um acesso, atualmente abatido, ao setor principal da Corta de Covas. A galeria dos Morcegos tem cerca de 150 m, e a galeria do Buraco Seco, transitável em toda a sua extensão, tem cerca de 90 m. Junto à zona de extração existem áreas residenciais, cuja escavação, ainda que feita em pequenos setores, permitiu identificar cerâmica e espólio numismático do primeiro terço do séc. 1 d.C.; foram detetadas, em redor das cortas, quatro zonas de preparação do minério, bem como um vasto depósito de água de formato semicircular, a noroeste do povoado, com um raio de cerca de 30 m; a 300 m a sudeste da Corta de Covas encontra-se uma estrutura com um muro em terra batida, possivelmente um pequeno anfiteatro, de construção em madeira e terra..
Materiais
Construções em blocos de xisto e argamassa, com cobertura em tegula e imbrex; represa de água em terra batida.
Observações
Tresminas, bem como Campo de Jales, era o centro de uma vasta área de exploração mineira romana, que incluía, para além da zona de extração, terrenos de cultivo para o abastecimento próprio. Eram necessárias grandes quantidades de madeira, tanto como material de construção, como de combustão em forma de carvão vegetal para fins metalúrgicos. Havia ainda a indústria de granito para a fabricação de mós, blocos de moinhos de pilões, etc. Os bens que não eram fabricados no distrito mineiro tinham de ser importados. Pressupõe-se a existência na área de determinadas construções, como edifícios administrativos, casernas, um balneário, complexos industriais (oficinas de ferreiro, instalações de tratamento metalúrgico, etc.), armazéns, silos, mercados, lojas, casa de habitação, templos, santuários. Junto ao cruzamento da estrada com o caminho para Sevivas encontra-se uma necrópole de incineração, da qual provieram onze lápides funerárias, atualmente na Câmara Municipal de Vila Pouca de Aguiar, no Seminário de Vila Real, no Museu de Martins Sarmento, em Guimarães, e no Museu Nacional de Arqueologia e Etnologia, em Lisboa. Estas inscrições documentam a composição demográfica do distrito mineiro de Tresminas: uma elevada percentagem de residentes e estrangeiros; os imigrantes eram mercenários livres do Norte da Celtibéria, nomeadamente da região de Clunia (hoje Peñalba de Castro, Província de Burgos, Espanha).