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Igreja e Convento dos Grilos

Igreja e Convento dos Grilos

O ponto de interesse Igreja e Convento dos Grilos encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Cedofeita no municipio de Porto e no distrito de Porto.

Arquitectura religiosa educativa, maneirista, barroca e neoclássica. Antigo colégio da Companhia de Jesus, de fundação tardia, composto por igreja e dependências colegiais adossadas lateral e posteriormente. Igreja de planta longitudinal, com nave única, três capelas laterais intercomunicantes, transepto inscrito e capela-mor, com coberturas diferenciadas em abóbadas de berço, com caixotões de pedra, escassamente iluminada pelas janelas termais do topo do transepto e pelas da fachada principal, num esquema semelhante ao do Colégio de Jesus, em Coimbra (v. PT020603250001), ambos filiados na estrutura da Casa-mãe da Companhia, a Igreja do Gesù, em Roma. Também a fachada principal tem afinidades compositivas com a de Coimbra, onde se inspirou, com dois registos marcados por entablamento, e estrutura tripartida, definida por pilastras, desenvolvendo-se, em cada pano, uma composição simétrica de vãos alinhados, compostos por portais, janelões, nichos e janelas fingidas. Apresenta torres sineiras, desenvolvidas a partir de aletas no segundo registo, dando a ilusão de escalonamento da fachada, diferindo da solução coimbrã. Interior com coro-alto, capelas laterais com acesso por arco de volta perfeita e coberturas em abóbada de berço com caixotões, de granito, à excepção de uma em talha dourada, com decoração fitomórfica policroma, albergando retábulos neoclássicos idênticos. Os arcos de acesso apresentam vestígios de pintura mural fitomórfica policroma. Nas paredes das naves encontram-se painéis de estuque trabalhado e nas pilastras rasgam-se nichos com imaginária e, no último pilar e com acesso pelos corredores laterais, púlpitos confrontantes em talha neoclássica. No transepto, surge retábulo relicário barroco, profusamente decorado, a envolver a janela termal que ilumina o espaço, semelhante aos dos topos do transepto da igreja de Coimbra. Arco triunfal com monumental composição retabular de granito de organização serliana, com colunas colossais definindo os eixos, em que se integram as pequenas capelas colaterais, encimadas pelas janelas das tribunas. Na capela-mor, o túmulo do fundador em mármore suportado por elefantes, de composição semelhante aos túmulos régios do Mosteiro dos Jerónimos (v. PT031106320005) e aos da Capela dos Castros, em Benfica (v. PT031106390015). Retábulo-mor neoclássico, de planta convexa e um eixo, de talha policroma. Sacristia nova, barroca, com tecto de caixotões de madeira, silhar de azulejos figurativos joaninos, lavabo de mármore e arcaz encimado por oratório de estilo nacional de talha em branco. Dependências colegiais compostas pela justaposição de diversos corpos, formando dois pátios interiores, com acesso por portaria que ladeia a igreja, no lado esquerdo. Na fachada posterior, varanda alpendrada de três registos, suportados por arcarias e colunelos, com tecto de masseira de madeira, em "saia-camisa". No interior, antiga portaria, com silhar de azulejos seiscentistas de padrão, e acesso a escadaria por arco ladeado por vãos de verga recta. Escadaria percorrida por silhar de azulejos seiscentistas de padrão, a partir da qual se acede a longa galeria rasgada numa das paredes por arcos de acesso a pequenos compartimentos. O corpo em torno do pátio principal é percorrido por corredor de circulação de distribuição para as diversas salas e quartos. O edifício conheceu três usuários distintos, que o marcaram a nível planimétrico e decorativo. Para além dos fundadores, o edifício foi casa dos Eremitas Descalços de Santo Agostinho, também conhecidos por Frades Grilos, a partir do último quartel do séc.18, até ao 2º quartel do séc. 19, altura em que se torna seminário diocesano. No conjunto, as dependências colegiais que habitualmente se desenvolvem lateralmente à igreja, surgem posteriormente, devido à morfologia do terreno, diferindo da planimetria da Ordem, apenas com paralelo no inacabado Colégio de Beja (v. PT040205090073). A monumental fachada principal da igreja cria um espaço cenográfico face ao pequeno largo onde se implanta, ajudando a acentuar a sua verticalidade, também conseguida pelo facto da fachada se desenvolver acima da cobertura, criando vãos rectangulares abertos sem funcionalidade. Possui um esquema único de implantação das sineiras, que se desenvolvem a partir dos panos laterais da fachada principal, ligeiramente recuadas e sobre as aletas que flanqueiam o remate. No interior, destaca-se o órgão neoclássico, com as armas dos Agostinhos Descalços, que o implantaram na parede do Evangelho, como é típico nas igrejas desta Ordem religiosa. As capelas laterais têm arcos de acesso com vestígios de pinturas murais, uma delas com cobertura revestida à talha, com caixotões, possuindo estruturas retabulares da presença dos frades Grilos, neoclássicas, subsistindo, apenas, o de Nossa Senhora da Purificação, composição monumental, a envolver a janela que ilumina o transepto, com talha pouco relevada, onde se destacam as imagens de vulto que o decoram e os apainelados com símbolos das letanias marianas, amovíveis em determinadas épocas litúrgicas, deixando antever os relicários do interior. Nas paredes das naves encontram-se painéis de estuque trabalhado e nas pilastras rasgam-se nichos com imaginária. Frontal à Capela de Nossa Senhora da Purificação, surge capela adossada, com decoração neoclássica, integralmente revestida a estuque trabalhado com policromia, decorada com motivos fitomórficos, e cobertura em abóbada de barrete de clérigo com lanternim. O arco triunfal apresenta uma escala um pouco desproporcionada relativamente ao espaço da igreja, com imponente composição arquitectónica maneirista que envolve a típica janela que aparece sobre o arco, mas resultando no único edifício jesuíta que apresenta esta zona do espaço litúrgico muito decorada. Os arcosólios da capela-mor foram adulterados pela introdução de dois órgãos mudos, em talha tardo-barroca, o do Evangelho obstruindo parte da leitura do túmulo do fundador da igreja. O pátio interior secundário, utilizado para exposição de peças arqueológicas, organiza-se como um espaço romano apresentando uma espécie de implúvio.

Planta irregular composta por igreja a que se adossam, lateralmente a NE. e posteriormente a SE., as dependências do seminário. IGREJA de planta longitudinal, de nave única de 4 tramos, para onde abrem capelas intercomunicantes, 3 de cada lado, 2 torres sineiras integradas na fachada principal, transepto inscrito e capela-mor mais estreita. Adossado ao topo do braço SO. do transepto, corpo rectangular que integra capela quadrangular. Volumes escalonados de dominante horizontal quebrada pela verticalidade da fachada principal, que se desenvolve acima da cobertura, com capelas laterais e capela-mor mais baixas que a nave, com coberturas diferenciadas em telhados de 1, 2 e 4 águas, com lanternim octogonal na capela do transepto e cúpulas coroadas por pináculos nas torres sineiras. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, excepto a principal em aparelho regular de granito e rematadas por cornija de cantaria e beiral. Fachada principal, a NO., simétrica, de 2 registos, separados por entablamento, suportado por pilastras colossais toscanas, duplas nos extremos, assentes em plintos, que dividem o 1º registo em 5 eixos estreitos; o segundo, também de 5 eixos, tem os centrais marcados por pilastras colossais, assentes em plintos, com capitéis jónicos, e os extremos limitados por par de pináculos com bola, sobre plintos, e aletas que se ligam aos eixos centrais, marcando o arranque das torres sineiras, com panos limitados por pilastras. Remates em frontões nos eixos centrais, o central recortado encimado por cruz latina tribolada e os intermédios interrompidos por pináculos piramidais com bola assentes em urnas estilizadas, e em cornija encimada por pináculos nos ângulos nas torres sineiras. No 1º registo, eixos extremos, com falso embasamento formado pela união dos plintos das pilastras através de cornija, de 2 sub-registos separados por estreita cornija. Eixo central com portal de verga recta, com frontão curvo, enquadrado por colunas com fuste marcado no terço inferior, com capitéis coríntios, sobre pedestais chanfrados, suportando entablamento com friso decorado com losangos e óvulos, e frontão interrompido por cartela recortada, com o símbolo dos jesuítas "IHS", coroada por frontão triangular. Eixos intermédios com porta de verga recta com frontão triangular, encimada por janelão rectangular gradeado com frontão curvo. Eixos extremos com almofada rectangular saliente e nicho em arco de volta perfeita encimado por cornija decorada. No 2º registo, no eixo central, janelão rectangular gradeado com cornija sobrepujada por motivo concheado e frontão triangular, encimado pela pedra de armas do fundador *2, inserida em cartela recortada. Eixos intermédios de 2 sub-registos separados por cornija, com nicho de volta perfeita encimado por vão rectangular com cornija superior, abrindo acima da cobertura. Nos eixos dos extremos, falso embasamento semelhante ao do 1º registo, de onde arrancam as torres sineiras de 2 registos separados por cornija, o 1º com janela rectangular e o 2º com 4 ventanas de volta perfeita, assentes em impostas salientes. Fachada lateral esquerda, virada a NE., com corpo adossado à nave e braço do transepto rasgado janela em meia-lua tripartida sobre janelas de verga recta. Fachada lateral direita virada a SO., volume adossado à nave, correspondente a corredor de circulação, rasgado por janelas rectangulares em capialço com moldura de cantaria e junto ao transepto arco de volta perfeita, também com moldura em cantaria, onde se abre porta; a este corpo adossa-se alpendre com varanda superior, com acesso por escadas. Braço do transepto, enquadrado por grandes contrafortes encimados por pináculos, rasgado superiormente por janela semelhante à da fachada oposta, enquadrando o lanternim da capela, com remate em empena encimada por cruz latina sobre plinto e pano enquadrado por pilastras de cantaria encimadas por pináculos. É ladeada por 2 estreitos corpos, rasgados por janela e óculo. Fachada posterior, rasgada ao nível do cruzeiro por janelões em capialço. INTERIOR com paredes rebocadas e pintadas de branco e cobertura em abóbada de berço em granito, com caixotões, assente em cornija, na nave e braços do transepto, com marcação dos arcos torais na nave e em abóbada de arestas, com medalhão central com o símbolo "IHS", no cruzeiro. Pavimento em taburnos de madeira com guias de granito na nave e transepto, e em laje de granito no sub-coro, formando corredor central na nave, nos braços do transepto, o do Evangelho com pedra tumular. Coro-alto no 1º tramo, assente em três arcos, o central abatido e os laterais, de menores dimensões, de volta perfeita, sustentados por colunas com o terço inferior marcado por friso e por modilhões; tem guarda balaustrada e painel central, decorado com motivos fitomórficos, assente em cornija suportada por modilhões. Na parede fundeira, cadeiral com espaldar rectangular decorado com festões e motivos fitomórficos. Sub-coro com paredes em granito aparente e cobertura de madeira, em caixotões, com o portal protegido por guarda-vento à face, de ferro e vidro, ladeado por 2 grandes pias de água benta, de mármore branco e rosa, de taça circular, inferiormente gomada, assente em coluna galbada decorada com acantos, sobre base quadrilobada. Nave ritmada por pilastras de granito, rasgadas por nichos de volta perfeita, em semi-cúpula concheada, contendo imaginária. Lateralmente, as capelas laterais, com acesso por arcos de volta perfeita, com pavimento em laje de granito e coberturas em abóbada de berço, em caixotões, com retábulos de talha, dedicadas a Santa Rita de Cássia, Senhora das Dores *3 e Nossa Senhora da Conceição no lado do Evangelho e a Santa Ana, Santa Quitéria e São José no lado da Epístola. Sobre os arcos das capelas, painéis de estuque branco trabalhado com motivos fitomórficos, o do 1º do lado do Evangelho tapado por órgão de talha policroma a branco e dourado. Nos últimos pilares, púlpitos confrontantes, rectangulares, assentes em mísulas, com guarda de talha policroma a branco e dourado, protegidos por baldaquino de talha idêntica e acesso por porta de verga recta, protegida por duas folhas de madeira pintada, a partir dos corredores laterais. Braço do transepto com portas de acesso às sacristias, encimadas por tribunas de verga recta com guarda de madeira, surgindo, no topo do Evangelho, retábulo de talha dourada, dedicado a Nossa Senhora da Purificação, com a talha a envolver as janelas termais que o encimam; no topo oposto, a capela do Santíssimo Sacramento, com acesso por arco de volta perfeita assente em pilastras toscanas e flanqueado por pilastras dóricas, que sustentam entablamento e frontão semicircular, encimado por dois anjos e duas figuras femininas deitadas, protegido por teia balaustrada; o acesso está rodeado por painéis de estuque policromo, com fundo verde e decoração a branco, idênticos aos da nave, e, sobre estes, separados por friso marmoreado, que se estende para as paredes laterais, painéis em forma de mandorla e janelas com moldura idêntica ao friso e medalhão ao centro. Arco triunfal e retábulos colaterais marcados por composição arquitectónica de granito, composta por quatro colunas colossais, com fuste liso marcado no terço inferior e capitel jónico, assentes em altos plintos e suportando entablamento; rodeiam capelas pouco profundas marcadas por arcos de volta perfeita, dedicadas ao Senhor Preso à Coluna do lado do Evangelho e ao Sagrado Coração de Jesus, no oposto, encimados por nichos em arco de volta perfeita, com imaginária. Ao centro, arco triunfal de volta perfeita, assente em pilastras toscanas, enquadrado superiormente por estípides com capitéis coríntios, suportando entablamento, com friso ritmado por mísulas, ladeado por janelas rectangulares e rematado por frontão curvo interrompido por duas janelas, também rectangulares e tabela enquadrada por estípides e rematada por frontão recortado, com nicho central, contendo imaginária. São Lourenço. No 2º registo, nichos, idêntica à da nave, tendo no lado do Evangelho São Pedro e do lado da Epístola São Paulo. É decorado com acantos, óvulos, cabeças de pregos, molduras volutadas, decoração geométrica e enrolamentos. Capela-mor com pavimento em laje de granito e cobertura em abóbada de berço de granito, com caixotões decorados com cartelas ovais com enrolamentos, assente em entablamento, suportado por pilastras toscanas com capitéis de inspiração jónica, sobre altos plintos, que dividem as paredes laterais em 3 panos. Capela-mor de dois tramos definidos por pilastras toscanas, o primeiro com painel de estuque e, no segundo *3, levemente reentrante, tribunas com órgãos mudos, de talha policroma a branco e dourado, e, no lado do Evangelho, túmulo de mármore do fundador. Sobre supedâneo com degraus centrais, retábulo-mor de talha policroma a branco e dourado, de planta contracurvada, de 1 eixo, definido por 6 colunas, a central avançada, com fuste decorado com espira fitómorfica e marcação do terço inferior onde se desenvolve festão, e capitel compósitos, assentes em dupla ordem de plintos paralelepipédicos, os superiores das colunas centrais substituídos por consolas, e encimadas por urnas e estátuas de vulto, representando do lado do Evangelho a Religião e do lado oposto a Esperança; na base das colunas laterais, mísulas com imaginária. Ao centro, tribuna de perfil curvo, com cobertura em semicúpula, com trono eucarístico, coroado por baldaquino, coberto por tela representando "Jesus Cristo a inflamar o coração de Santo Agostinho"; na base desta, sacrário embutido. Remate em duplo espaldar, separado por cornija recta, com decoração fitomórfica e festões, o 2º recortado e ladeado por aletas e putti, tendo, ao centro, águia bicéfala com o brasão dos Agostinhos Descalços. Altar paralelepipédico com frontal em mármore rosa, branco e preto. Junto ao cruzeiro, mesa de altar paralelepipédica, de talha dourada, profusamente decorada. SEMINÁRIO de planta irregular composta pela articulação de diversos corpos, formando 2 alas, uma lateral à igreja e outra posterior, a lateral constituída pela articulação de 3 corpos, 2 quadrangulares adossados em eixo, correspondentes a antiga portaria e escadaria principal e outro, de maiores dimensões, em L invertido que forma junto à fachada lateral da igreja estreito pátio secundário. A este corpo, já na ala posterior, adossa-se a SE., corpo rectangular, que forma pátio principal com o corpo em U que se adossa à fachada posterior da igreja. O corpo rectangular liga-se a outro também rectangular, disposto obliquamente no sentido O.-E., por outro mais pequeno de planta irregular. Volumes escalonados de dominante horizontal com coberturas diferenciadas em telhados de 1, 2, 3 e 4 águas. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, rematadas por cornija sob beiral e rasgadas por vãos rectangulares com molduras de granito, excepto no corpo oblíquo em arco abatido. Fachada principal, a NO., de 2 panos, o da direita, junto à igreja, correspondente à antiga portaria, com remate em meia empena, com galilé marcada por arco de volta perfeita, com cobertura em abóbada de granito e portal de verga recta com frontão curvo e tímpano vazado por janela, ladeado por janelas rectangulares; superiormente, janelão rectangular com bandeira e óculo. O pano da esquerda encontra-se em cota superior, junto à escadaria de acesso ao Largo do Colégio, recuado, com empena escalonada, rasgado por janela geminada, de varandim e moldura simples, encimada por óculo. Fachada lateral NE., do corpo em L, com remate em empena escalonada no topo de um dos braços, de 2 registos, o 1º rasgado por janelões cruzetados e portas e o 2º por janelas de varandim com guarda de ferro, a maioria geminadas; no topo do braço, porta com acesso por passadiço de granito, encimada por óculo. Fachada lateral SO. de 3 registos, o 1º em granito aparente com arcaria plena formando galeria, e os superiores com janelões com bandeira, frestas e janelas de peito. Fachada posterior, a SE., de 2, 3 e 4 registos, no corpo oblíquo separados por friso de cantaria, rasgados por portas, janelas de peito, algumas com bandeira, e de varandim. No extremo do pano SO., 2 varandas alpendradas, formando, no piso inferior, alpendre com acesso por arcaria abatida, a primeira com arcaria de volta perfeita e a segunda com colunelos sobre plintos, tendo guardas em ferro. Último registo com tecto de masseira de madeira, em "saia-camisa". O pano NE. tem um registo superior, resultante de um acrescento, separado por cornija sobre beiral, surgindo, no 1º, portal de verga recta enquadrado por pilastras toscanas, com aletas e rendilhado, e entablamento encimado por frontão de volutas interrompido por plinto decorado com motivos fitomórficos, e ladeado por pináculos. INTERIOR de 2, 3 e 4 pisos, consoante os corpos e a sua implantação no terreno, comunicando por escadarias. Na ala lateral, encontram-se os dois pisos das dependências do museu, e, nos superiores, as dependências do seminário. A antiga portaria, actual acesso ao museu, tem pavimento em laje de granito e cobertura em abóbada de berço, com paredes percorridas por rodapé de granito e, na parede lateral esquerda, azulejos seiscentistas de padrão, formando silhar, tendo o acesso protegido por guarda-vento. Na parede testeira, arco em asa de cesto, de acesso à escadaria principal, ladeado por vãos de verga recta; a escadaria tem 6 lanços com o 1º e 4º braços comuns, com paredes percorridas por silhar de azulejos seiscentistas de padrão, tendo, no 1º patamar, porta para o pátio secundário e, no último, 2 salas de exposição, uma que liga ao coro-alto através de estreito corredor e outra corresponde a longa galeria que comunica com outras 2 pequenas salas; apresentam pavimento de soalho e cobertura em abóbada de berço de granito, a da galeria em tijolo num dos extremos. A galeria é rasgada na parede lateral por arcos plenos de acesso a pequenos compartimentos com pavimento cerâmico e abóbada de berço. Nos 2 pisos superiores, localizam-se a actual portaria, a biblioteca, cujo pé-direito ocupa 2 pisos, e salas de aulas. A Biblioteca é percorrida por galeria de madeira com guarda em balaustrada, suportada por colunas de granito e acesso por escada helicoidal de granito. Na ala posterior, em redor do pátio principal, nos 2 pisos, desenvolvem-se corredores de distribuição, com pavimentos em soalho e cobertura em tecto plano no primeiro e abóbada de berço rebocada suportada por cornija, no segundo. Molduras das portas e janelas em granito, as últimas com conversadeiras. No 1º piso, comunicante com as sacristias e pátio principal, localizam-se quartos, salas de trabalho, de restauro, reservas e a antiga adega, transformada em capela, com pavimento em tijoleira e cobertura em abóbada de berço de granito. No 2º, que comunica com a varanda alpendrada, a galeria do museu e tribunas da igreja, vários quartos, duas capelas privadas e refeitório. A capela principal tem acesso nos topos, através de corredores, com portais flanqueados por pilastras e encimado por vão rectilíneo com moldura recortada, rematado por frontão interrompido por esfera sobre acrotério; um dos portais tem as iniciais "AM" e o oposto as insígnias dos jesuítas. Apresenta tecto de madeira e na parede testeira órgão.

Materiais

Estrutura de cantaria de granito aparente e rebocada e pintada de branco; granito na cobertura das torres sineiras, cornijas de remate das fachadas, molduras dos vãos, nas coberturas interiores, guias dos taburnos, pavimentos interiores da igreja e seminário, pedra tumular, arcaria do coro-alto, pilastras e arcos de acesso às capelas da nave, nas abóbadas das capelas da nave, no arco cruzeiro, granito na base do retábulo de Nossa Senhora da Purificação, escadarias do seminário, na chafariz do pátio principal, coberturas interiores do seminário, escada helicoidal da biblioteca; calcário no túmulo; mármore pias de água benta e lavabo da sacristia; ferro no guarda-vento, guarda de ferro da varanda; madeira nas tampas dos taburnos, pavimentos interiores da igreja e seminário, cobertura do sub-coro, guarda do coro-alto, nas abóbadas das capelas da nave, órgãos, púlpitos, retábulos, tribunas, sanefas, portas, grade de comunhão, arcaz, armários, pavimento e cobertura da sacristia, tectos da varanda e no interior do seminário, escadarias no seminário, nos armários e varanda da biblioteca; estuque trabalhado em painéis decorativos interiores; azulejos decorativos na igreja, sacristia nova e dependências do seminário; terracota em grande imaginária da igreja; telha cerâmica na cobertura.

Observações

*1 - DOF: "Igreja e Convento dos Grilos, incluindo o seu recheio, no Largo do Colégio". *2 - decorrente da lei de banimento dos Távoras, o escudo da fachada principal terá sido oculto com reboco e o nome Távora inscrito no túmulo do fundador apagado.*3 - A capela de Nossa Senhora das Dores era a antiga capela do Santo Cristo, instituída em virtude de uma doação que ao colégio fez Miguel Melo, Abade de Tendais. *4 - A colocação das tribunas, neste pano, implicou a destruição dos arcos que aí existiam e de que subsistem vestígios, sendo que a do lado do Evangelho impede a leitura da totalidade do túmulo. *5 - segundo Santo Simões, os dois painéis que ladeiam o lavabo são de oficinas diferentes ou foram executados por diversos artífices; a totalidade dos azulejos da sacristia fariam parte de um conjunto de pelo menos 17 painéis, que estariam dispersos pelo edifício e justificam a disparidade temática. *6 - Segundo Manuela Malhoa, J. Pedro Monteiro e Alexandre Pais, estes azulejos poderão ter sido deslocados da nave da igreja, para este sítio, entre 1780 e 1832, durante as obras dos frades grilos, por ser um tipo de revestimento pensado para grandes superfícies. *7 - O Padre Bartolomeu de Bustamante elaborou um relatório justificando a escolha destas casas: "por estar na parte mais frequentada de gente", perto das ruas onde habitam as mais importantes pessoas da cidade, "por ser mais distante de todos os mosteiros de freis e monjas e de obras iglesias", ser local calmo e aprazível, perto do rio e de boa situação geográfica. *8 - esta instalação foi polémica, pois a Câmara não aceitava a presença dos padres jesuítas na cidade, tendo pedido a intervenção da rainha D. Catarina, que lhes respondeu negativamente. *9 - A Irmandade de Nossa Senhora da Purificação era dotada de estatutos próprios, provavelmente desde a sua fundação; os estatutos originais perderam-se, sendo que eram compostos por 25 capítulos onde se regulava toda a vida orgânico-funcional da Irmandade, assim como as obrigações e privilégios dos Irmãos; a estrutura orgânica obedecia a uma hierarquia, em que a chefia era composta por 12 pessoas: um Padre Perfeito (nomeado pelo Colégio), um Capelão-mor, um Juiz, um Escrivão, dois Procuradores e seis Mordomos; a Irmandade possuía ainda numerosos membros, tendo aumentado o seu prestígio até à expulsão dos jesuítas, após o que entrou em declínio, a que não é alheio o facto dos Agostinhos Descalços passarem a ocupar o Colégio; relativamente à sua designação, a maioria da documentação, bem como a bibliografia, que a refere, designa-a por Congregação e a partir de 1787 por Confraria, sendo que no documento mais antigo é denominada Irmandade. *10 - Invocações primitivas dos retábulos da igreja: na capela-mor, São Lourenço, nas capelas do lado do Evangelho, São João Baptista, São Francisco Xavier e Nossa Senhora da Natividade, e no topo do transepto, Nossa Senhora da Purificação; no lado da Epístola, a capela de Santa Ana, de Santa Quitéria, de Nossa Senhora da Conceição e, no topo do transepto, Nossa Senhora da Boa Morte. *11 - Do Inventário das alfaias de prata constavam: um lampadário grande de feitio antigo, com 6 balaústres, que estava na capela-mor; seis castiçais com lavores antigos e outros seis mais pequenos da moda antiga, que tinham inscritos nos pés "Estes castiçais são do Colégio", dois vasos de lavatório, um gomil e respectivo prato, um purificador liso com pires, dois castiçais pequenos de "garra de galinha", uma sacra antiga toda lavrada, dois Evangelhos, duas galhetas com prato, lisas, dois turíbulos lavrados com colher, uma naveta lavrada com colher, quatro ramos grandes lavrados, com várias flores e quatro pedras vermelhas fingindo rubis, um prato redondo antigo, uma custódia em que se expõem o Santíssimo Sacramento, de prata dourada, de feitio antigo, um vaso de dar a Sagrada Comunhão muito grande e outro mais pequeno, lavrado, e de feitio mais moderno, dourado por fora e por dentro, que estava no Sacrário, outro vaso do mesmo tamanho, liso, e também dourado por dentro e por fora, uma cruz da comunidade, de feitio antigo, toda lavrada com Imagem de Cristo encarnada, e a "panela" tendo esculpidos à volta os martírios de Cristo, uma casula antiga e toda lavrada, uma custódia de prata dourada, tendo encastrada a relíquia de São Lourenço Mártir, com a imagem do santo em cima, com 4 pedras falsas por banda, 2 vermelhas e 2 verdes, com 2 campainhas e 2 pendentes, uma custódia tendo encastrada a letra de Santo Inácio de Loyola, venerada como relíquia, rematada por cruz, um Missal de veludo carmesim impresso em Antuérpia, chapeado a prata, uma estante para o missal, seis varas de palio, lisas, quatro castiçais lavrados com pé em triângulo, dois do altar do Santo Borja e os outros do de São Luíz Gonzaga, uma caldeira de água benta antiga com seu hissope, sete cálices com as patenas em prata dourada e colheres, um vaso pequeno e um cálice com colher e patena em prata dourada que estavam na capela interior, um purificador com tampa também da capela interior, uma luneta que servia de custódia, em prata dourada, um lampadário da Capela do Senhor Jesus, de feitio antigo, com cinco balaústres, dois lampadários do cruzeiro, um fronteiro do altar ou Nicho de São Luíz Gonzaga e outro do Nicho do Santo Borja, de feitio antigo e de balaústres cada, um lampadário da Capela da Senhora da Conceição, de feitio antigo e de seis esses lisos e outro da Capela de Santa Quitéria, de seis esses lavrado, uma cruz da banqueta grande toda lavrada e feita à moderna, dois castiçais com pés em triângulo lavrados de meio relevo com algumas partes douradas, outros dois, lisos, pequenos e antigos da Capela do Santo Xavier, quatro ramos de chapa lavrados a meio relevo, com os emblemas de Santa Quitéria dourados, e as jarras também de prata, com algumas guarnições de tartaruga, seis meios corpos da banqueta do altar, com algumas partes douradas, com as peanhas de bronze também dourados, três deles com resplendores e duas com mitras em bronze dourados; seis castiçais pequenos redondos, lavrados no meio do pé e no meio da vasa e duas serpentinas com partes lavradas; dois Evangelhos de prata pregados em pau, com as letras em bronze, uma estante guarnecida de prata, um arco que se costumava por à volta de Santa Quitéria, dez pratos e uma salva pequena que eram para fazer um frontal de prata para o altar da Capela de Santa Quitéria, uma estante guarnecida de prata e assente em tartaruga e encravada em pau, da Capela de São Luís Gonzaga e uma outra do Santo Borja, uma lâmpada lavrada de feitio moderno da Capela de Santa Quitéria e outra com cinco esses da Capela de São Cosme e São Damião, uma cruz com uma pedra vermelha falsa, que pertencia a São João Baptista, duas colheres que pertenciam ao Santo Borja, uma âmbula com patena, que servia os Santos óleos, três remates de diferentes tamanhos que talvez fossem de lâmpadas e outros pequenos elementos; a prata do Inventário pesava 1249 marcos, 4 onças e 2 oitavas (incluindo a tara). *12 - As obras inauguradas em 1998, resultaram da assinatura dum protocolo entre o Seminário Maior da Sé do Porto e a Câmara Municipal, que lidera o Projecto Piloto Urbano do Bairro da Sé, desenvolvido através do serviço de Renovação do Centro Histórico, CRUARB/CH, no qual se integrava a recuperação parcial do Colégio de São Lourenço.