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Castelo de Ródão

Castelo de Ródão

O ponto de interesse Castelo de Ródão encontra-se localizado na freguesia de Vila Velha de Ródão no municipio de Vila Velha de Ródão e no distrito de Castelo Branco.

Castelo construído no final do séc. 12 / início do séc. 13, pela Ordem do Templo, após a doação da Herdade da Açafa, em 1999, num local de grande importância estratégica, sobre o rio Tejo e as denominadas Portas do Ródão, integrando-se na linha defensiva do vale do Tejo. Era composto por circuito muralhado, de planta trapezoidal irregular, com paramentos aprumados, de que conserva atualmente dois panos de muralha, já sem remate, e por torre de menagem no interior do recinto, sobre o local mais elevado, seguindo o esquema dos castelos românicos. A torre de menagem de planta retangular, com paramentos aprumados em alvenaria de pedra e cunhais ciclópicos, devia ter três pisos, ainda que hoje só conserve dois, pois o Tombo de 1505 refere ter dois pisos sobradados, o inferior cego, e acesso sobrelevado, virado ao rio, por portal em arco apontado, de provável feitura trecentista, com tímpano inscrito e siglado; as restantes fachadas são rasgadas por seteiras retilíneas muito pequenas. No interior, o pavimento do segundo piso apoiava-se na espessura do muro, que é mais grosso inferiormente, criando ressalto. Com o avanço da fronteira para sul, o castelo de Ródão perdeu importância e é abandonado, tendo no início do séc. 16 as muralhas já derribadas "per partes" e a torre sem pisos. Contudo, volta a adquirir valor estratégico na Guerra dos Sete Anos (1756-1763) e na Guerra Peninsular (1807-1814), sendo reformado nessas épocas e construindo-se baterias no local e na encosta.

Recinto muralhado, de planta trapezoidal irregular, com paramentos aprumados em alvenaria de quartzito argamassada, sem remate e com alguns troços muito derruídos, conservando-se, no entanto, dois panos de muralhas justapostos. O pano exterior tem cerca de 1,85m de espessura e o pano interior tem 0,90m. No ângulo nordeste do recinto, implanta-se a torre, de planta retangular e volume paralelepipédico, atualmente sem cobertura. Apresenta paramentos aprumados, com cerca de 15m de altura, em alvenaria de pedra argamassada e cunhais ciclópicos, sem remate. A fachada principal surge virada a sul e ao Tejo, tendo no piso térreo amplo vão (com 2,80m de altura e 1,80m de largura) aberto recentemente, e o segundo rasgado por portal sobrelevado, em arco apontado sobre os pés direitos, com o tímpano inscrito e gravado por cruz da Ordem do Templo, criando verga reta; numa das aduelas do lado direito existe sigla de canteiro em "S" colocada horizontalmente. As restantes fachadas possuem o piso térreo cego e o superior rasgado por pequena seteira retilínea. INTERIOR acedido atualmente pelo vão térreo, com as paredes rebocadas que, no piso superior, são menos espessas, criando ressalto para sustentação do antigo pavimento de madeira daquele piso. Uma escada metálica moderna desenvolve-se à volta das paredes até ao segundo piso, aproveitando o ressalto na parede poente para circulação, protegido por guarda metálica. O portal sobrelevado, com barra em ferro formando guarda, tem abóbada de berço quebrado e conserva as caixas das coiceiras. As restantes faces da torre têm seteiras com nichos poligonais. Do lado ocidental, entre a torre e a muralha, existem vestígios de antigas construções, dada a grande acumulação de pequenos blocos quartzíticos. Junto da estrada que conduz à capela e ao castelo existe uma espessa muralha com alguns metros de extensão e disposição transversal em relação à cumeada, de modo a fechar o acesso mais fácil ao castelo. Na encosta nascente, subjacente ao castelo, e junto do morro norte das Portas de Ródão existem estruturas semelhantes, correspondendo a baterias.

Materiais

Estrutura da torre em alvenaria mista argamassada; portal e cunhais em cantaria de granito *4, os silhares mais recentes de diferente grão; escada e guarda do portal em metal; muralhas em alvenaria de granito e xisto argamassada.

Observações

*1 - O castelo tem classificação conjunta com a Capela de Nossa Senhora do Castelo (v. IPA.00009904). *2 - Existem várias lendas associadas ao Castelo de vila Velha de Ródão, estando a mais conhecida relacionada com o rei Vamba ou Maldição de Ródão. A lenda alude ao amor entre uma rainha cristã, por vezes identificada como mulher do rei Vamba, outras como princesa Urraca, residente no castelo, com um rei mouro, que vivia no outro lado do rio, nos Castelinhos da Senhora da Graça, a norte de Nisa. Os amantes namoravam sentados em cadeiras de pedra situadas em cada um dos lados das Portas do Ródão, enquanto o rei cristão andava na caça ou na guerra. Com o tempo, o rei mouro decidiu raptar a rainha cristã e, para isso, escavou um túnel, com início no Buraco da Faíopa (mina antiga situada na encosta ocidental da serra de São Miguel), para passar por baixo do rio. Contudo, falhou o seu propósito e o túnel terminou a grande altitude, no morro sul das Portas de Ródão, onde existe uma cavidade denominada Buraca da Moura. O rei mouro acabou por fugir com a amante, que atravessou o rio sobre uma teia de linho, mas o rei Vamba conseguiu recuperar a mulher, a qual é julgada em tribunal familiar e condenada à morte por despenhamento, presa a uma mó. Durante a queda, a rainha lançou a seguinte maldição sobre Ródão: "nesta terra não haverá cavalos de regalo, nem padres se ordenarão e putas não faltarão". Por onde a rainha passou, arrastada pela mó, nunca mais nasceu mato. *3 - Segundo o Tombo elaborado em 1505, a comenda de Vila Velha de Ródão tem "huu castello junto do Rio do Tejo em huua serra alta e chama sse ho castello de santa maria e tem huua torre de canto laurado.e sohia teer dous sobrados e ora nem tem nenhuu e tem huua çerca de pedra e barro derribada per partes". *4 - Segundo a tradição local, o granito utilizado na construção do castelo veio do sítio do Castelejo de Gardete, onde existe um imponente afloramento granítico, único no concelho de Vila Velha de Ródão.