Arquitectura recreativa, romântica, revivalista. Revivalismo barroco, pelo tratamento da galeria como arquitectura de tipo cenográfica num espaço com diversificação; pelo modo como se desenrola nos domínios do arquitectónico, do funcional e do simbólico (como metáfora do Cosmos *1), integrado num percurso do ordenamento paisagístico com a casa, para fruição da natureza, antecâmara do exterior; pelo carácter intimista e de imitação de Natureza; pelo gosto exuberante e ostentatório denotado na sua mole, num ambiente emocional *2.
Gruta artificial aberta em forma de galeria. A cobertura é em terraço integrado no jardim do palácio. Fachada orientada a E. alongada, de num só pano; aí rasgam-se uma série de vãos irregulares de modo mais ou menos rectangular, de tipo janela (para iluminação, circulação e desfrute de paisagem); são talhados de pedra ao bruto, sendo esses rasgos ornamentados com pastiche de concreções calcárias que os molduram, de maneira irregular, a toda a volta, e donde pendem algumas pastiches de estalactites. Na fachada a S. rasga-se a entrada da gruta sobre a qual se encontram incisos os caracteres: (Po)rta de San(to) (Antó)nio; existe uma abertura circular com armação em ferro e vitral; leva a esta entrada uma construção aérea em ferro. O remate das empena é a balaustrada de cantaria do parapeito continuada de um terraço. A articulação exterior / interior é nivelada, desenvolve-se num espaço interior único de corredor, cuja iluminação é dada pelos vãos abertos, janelas e porta. A parede do fundo, tem a valorizá-la, frente a cada vão, painéis ovais imitando espelhos, executados em azulejos brancos, com cercadura em azul.
Materiais
Alvenaria, cantaria, azulejo
Observações
*1 - conceito clássico recuperado do Renascimento; miniatura do Cosmos, lugar da ilusão, lugar mágico, concebida para ser vista; define um percurso simbólico de caracter lúdico; *2 - A gruta constitui uma imitação ou invocação da gruta natural com estalactites e estalagmites, descoberta nos terrenos subterrâneos não muito afastada desta, pelos anos 1860, a que se deu o nome de Lapa do Médico, por ali se ter acolhido um médico, para fazer vida de oração e penitência. Esta gruta é dedicada a Santo António. Nestas grutas artificiais encontram-se parte das pedras artísticas que foram retiradas duma cascata monumental que existia no parque do Bonfim em Setúbal e que foi desmanchado (REBELO, 1992).