Arquitectura industrial, modernista. Elemento totalmente construído em betão, não só na estrutura como nas guardas das diferentes plataformas. Desenho rigoroso, estritamente reduzido à funcionalidade do elemento. As guardas de desenho linear e delicado, os frisos denteados da plataforma de remate e beiral da cobertura referenciam este elemento a edifícios como a Clínica Heliantia. O Cavalete como memória de uma época associado à indústria extractiva das minas. Pela sua presença dominante na paisagem, tornam-se símbolos da actividade mineira. Uma estilização perspectivada do Cavalete do Poço de São Vicente passou desde 1990 a ser o logotipo do Departamento de Minas da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.
Estrutura vertical porticada, marcado por quatro pilares nos ângulos e sucessivos patamares de contraventamento. Com uma altura aproximada de 13 pisos tinha como função principal apoiar na parte superior grandes roldanas, vulgarmente designadas por "andorinhas", nas quais deslizavam cabos de aço que desde a máquina de extracção passavam por estas até desceram na vertical aos poços. O remate superior do cavalete onde se localizavam as "andorinhas" é ligeiramente mais profundo e mais largo que o corpo da torre passando a apresentar seis pilares nos ângulos. Este aspecto é conseguido através de sucessivos frisos com uma guarda de betão ao nível da plataforma de assentamento das roldanas e na parte superior pelo beiral denteado da cobertura. A cobertura em telhado apresenta seis águas. As escoras do cavalete prolongam-se inclinadas até ao terreno com uma quebra de forma a garantir a manutenção de um acesso pré-existente. O corpo da torre com diversos patamares unidos por escadas apresenta nos sucessivos níveis guardas em betão armado de expressão delicada. Na base do cavalete na parte inferior de uma escada metálica vê-se uma inscrição em relevo: "Poço de S. Vicente-1935".
Materiais
Betão armado.
Observações
O Poço de São Vicente, dada a sua capacidade de extracção, era o mais importante deste complexo e localizava-se junto ao limite entre as duas mais importantes concessões do Couto Mineiro: a de São Pedro da Cova e a do Passal. O Cavalete localiza-se sobre este Poço. Desconhece-se o projecto do Cavalete e sua autoria existindo um projecto anterior de técnicos franceses utilizando uma estrutura metálica. O Poço de São Vicente segundo o relatório do Eng. Augusto Farinas de Almeida (director técnico da mina de São Pedro da Cova) possuía na época uma profundidade de 148 metros, secção circular de 4 metros de diâmetro revestida com betão de 25 cm de espessura. A empresa a quem se encontra arrendada este Couto Mineiro procurou nos últimos anos a recuperação do carvão dos maciços de protecção à superfície, assim como do existente nas escombreiras produzidas pela arrendatária.