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Estações arqueológicas da Quinta dos Patudos

Estações arqueológicas da Quinta dos Patudos

O ponto de interesse Estações arqueológicas da Quinta dos Patudos encontra-se localizado na freguesia de Alpiarça no municipio de Alpiarça e no distrito de Santarém.

Aglomerado proto-urbano. Povoado da Idade do Ferro. Povoado fortificado de grandes dimensões, rodeado por muralha, provavelmente com acrópole rodeada por outra muralha interna; nas suas imediações duas necrópoles com urnas guardando cinzas e artefactos. Os vestígios dos muros do castro parecem apontar a técnica de construção das muralhas celtas, compostas por terra e madeiramentos (MARQUES: 1972). As descobertas arqueológicas aqui realizadas permitiram a criação dos conceitos de "cerâmica de tipo Alpiarça" e de "cultura de Alpiarça", por Gustavo Marques, em 1972, por ele divulgados em conjunto com Miguéis de Andrade no ano seguinte. Nas urnas do Tanchoal e do Meijão foram encontradas cerâmicas brunidas (decoradas e não-decoradas) associadas a braceletes múltiplos de bronze do tipo La Mercadera, datáveis dos sécs. 5 / 4 a.c., que vieram permitir uma datação por comparação daqueles materiais *2.

O castelo de Alpiarça corresponde a um vasto castro (c. de 1.150m) rodeado ainda por imponente muralha de calhaus e areia, escondida pela vegetação, com c. de 4m de altura média, com duas zonas descontínuas, a sudeste, provavelmente correspondentes a entradas; no ponto mais elevado, uma outra descontinuidade de terreno, com diferentes níveis, pode ser indício de uma outra muralha quase desaparecida, envolvendo uma acrópole (MARQUES: 1972); o cabeço da Bruxinha, situado num outeiro que parece ter sido artificialmente separado do planalto onde se situa o castelo; as 2 necrópoles, rodeando o planalto a N. e a S..

Materiais

Muralha de calhaus e areia

Observações

*1 - DOF: Estações arqueológicas da Quinta dos Patudos (Castelo de Alpiarça, Cabeço da Bruxinha, Necrópole de Tanchoal e Necrópole do Meijão). *2 - o primeiro achado significativo é relatado por Mendes Correia na necrópole do Tanchoal - um depósito funerário de incineração, constituído por 17 urnas cheias de carvão e cinzas, enterrado a uma profundidade de 1 a 1,20 m; nas imediações foram encontrados um machado e braceletes em bronze, (biberons), um vaso caliciforme, uma taça incompleta decorada (CORREIA: 1935); a limpeza de materiais cerâmicos viria a revelar a existência de cerâmica de ornatos a cores, que seria designada como "cerâmica de engobe brunido do tipo Alpiarça". Os artefactos revelados por estas estações arqueológicas encontram-se no Museu da Casa dos Patudos e no Museu de Antropologia da Universidade do Porto.