Arquitectura militar medieval, moderna, abaluartada. Castelo e cerca urbana medieval e fortificação abaluartada integrando dois fortes, o do castelo (a O.) e o de São Roque (a E.), (v. PT041205020073), de planta estrelada e com amplos baluartes e desníveis de terrenos, interligados por extensa linha de muralhas que circundava a vila,notavelmente expandida a partir do primitivo núcleo medieval. O castelo medieval, ainda subordinado às condicionantes do terreno, possui características típicas da arquitectura militar da Baixa Idade Média, nomeadamente a torre de menagem adossada à porta principal e barbacã antecedendo a fortaleza; o reduto defensivo é composto pelo pátio de armas e pela cerca: o pátio quadrangular, definido por muralhas e torreões, em torno do qual se dispõem as estruturas de armazém e de apoio à defesa; na cerca, dotada de uma Rua Direita, existiam as casas da Câmara e da Cadeia, bem como as habitações do alcaide e da classe dominante local. Fortaleza de grande extensão e globalmente bem conservada do ponto de vista estrutural. A muralha, cujo traçado resulta do encontro do aglomerado urbano com o relevo constituido pelos contrafortes da Serra de São Mamede cujas formas se completam, constitui um percurso priviligiado de leitura do território (CRUZ: 2002 ).
Planta composta por castelo, cerca medieval e fortificações abaluartadas. CASTELO: porta de entrada a S., em arco quebrado, junto à Torre de Menagem, antecedida por barbacã e grosso contraforte alpendrado frontal. Após o túnel da entrada, em abóbada de canhão com arco redondo, desemboca-se no pátio. A SO., o Armazém das Armas, com ampla fachada rasgada por três janelas e uma porta de verga recta, apresentando abóbada de canhão com arco redondo e uma janela no tardoz; no topo NO. deste armazém, a passagem para um lanço de escadas que dá acesso à sua cobertura, e desta para a Torre de Menagem; na zona NO. do pátio, dois cubelos ladeiam o Armazém da Pólvora, de dois pisos, com antecâmaras para NE; na zona N. do pátio, o profundíssimo poço e uma porta em arco quebrado que dá acesso aos referidos paióis; a NE. a muralha; a SE., o que a tradição chama de cavalariça, sem cobertura, com porta em arco quebrado, ladeada por dois grandes janelões. Para a Torre de Menagem, de secção rectangular, entra-se por um porta com tímpano semicircular, acedendo-se a um patim do qual partem dois lanços de escada, circulares, na espessura da parede, que dão acesso ao eirado. Frente ao patim, uma outra porta, com verga recta assente em impostas de recorte côncavo, que dá acesso à sala da torre. Esta sala possui, ao centro, a boca circular de um aljube, e em cada uma das três faces, para além da entrada, uma janela rectangular com bancos laterais; cobertura em abóbada de nervuras de secção rectangular, chanfradas, que partem de pilares de igual secção e chanfra, com base e capitel; cruzam-se as nervuras em fecho que apresenta um sol raiado dentro duma moldura circular. O eirado apresenta: duas saídas, telhadas, que dão acesso às escadas; a cobertura, em tijoleira, da sala da torre; ameias de corpo estreito, de terminação piramidal. CERCA urbana medieval: forma um polígono irregular, grosseiramente pentagonal, com dois cubelos a flanquear o tramo N.; envolve o castelo, situado a S., e a primitiva vila, intramuros. Depois de uma primeira porta, em arco redondo, pertencente à fortificação abaluartada, as Portas da Vila, ambas em arco quebrado, estão desalinhadas e situam-se a SE.. Destas portas se acede à Rua Direita que atravessa o velho burgo a meio e desemboca nas Portas de São Pedro, ambas com arco redondo, também desalinhadas. Outras duas portas, em arco redondo, emparedadas, situam-se nos tramos N. e S., uma em cada tramo. Fortificações abaluartadas que guarnecem o castelo e a cerca urbana medieval, a partir das Portas de São Pedro e no sentido dos ponteiros do relógio: traçado tenalhado com um grande redente central, Baluarte das Figueiras, muralha medieval, Meio Baluarte dos Cavalinhos, cortina, meio baluarte, cortina, conjunto de um baluarte, um meio baluarte e outro baluarte, que defendem a entrada no castelo, cortina, meio baluarte, cortina e baluarte. FORTIFICAÇÕES ABALUARTADAS: envolvem a vila exterior às muralhas medievais, a partir do Meio Baluarte dos Cavalinhos e no sentido dos ponteiros do relógio: três tramos de cortina até à Estrada de Circunvalação, onde a cortina é interrompida, tramo de cortina até à Porta Nova, Porta Nova, pequeno tramo de cortina, Meio Baluarte do Cipresteiro, Arco de Santa Catarina (porta), quatro tramos de cortina, Forte de São Roque (PT041205020073), conjunto formado por redente e cortina, a NO. e meio baluarte e cortina, a SE., interrompido pela zona do Parque João José da Luz, Tenalha do Pangaio, Meio Baluarte dos Loureiros, cortina, interrupção na zona da EN 246-1, antigo Meio Baluarte da Porta Falsa, cortina, Redente de São João, zona da antiga Porta de São João, cortina, Meio Baluarte do Curral, interrupção, Redente do Pate (ou Paté), Redente do Cabo da Aldeia.
Materiais
Pedra (granito), tijolo, cal, cal hidráulica, areia e terra
Observações
*1 - Abrange ainda as freguesias de São João Batista e Santiago Maior. *2 - por informação da Secção de Arqueologia da Câmara de Castelo de Vide, a ocupação do espaço não será anterior ao período cristão.