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Museu Arqueológico e Lapidar Infante D. Henrique

Museu Arqueológico e Lapidar Infante D. Henrique

O ponto de interesse Museu Arqueológico e Lapidar Infante D. Henrique encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Faro (Sé e São Pedro) no municipio de Faro e no distrito de Faro.

Arquitectura religiosa, renascentista, maneirista. Convento feminino de planta composta por quatro alas em torno de um claustro de planta quadrangular, abrindo-se para este várias dependências de planta rectangular ou quadrangular, correspondendo a ala poente à igreja, de planta rectangular, uma só nave, capela-mor de planta quadrada e dois coros. Volumes articulados e dispostos na horizontal em dois pisos, com coberturas diferenciadas. Acesso principal pelo portal da antiga portaria situado na fachada principal, sendo este espaço comunicante com a capela-mor da igreja. Igreja com porta travessa com nave encimada por abóbada de berço que arranca de cornija que percorre os alçados laterais, apresentando três arcos de reforço nestes alçados; capela-mor quadrangular sendo encimada por cúpula em meia laranja pintada e com decoração em motivos vegetalistas, dispondo de quatro pequenos óculos posicionados segundo os pontos cardeais. Claustro de dois registos com quatro tramos idênticos por cada alçado, divididos por três grossos contrafortes, abrindo-se inferiormente quatro pares de arcadas geminadas em arcos de volta perfeita assentes sobre três colunas toscanas, nas quais as exteriores se encostam aos contrafortes; superiormente quatro vãos delimitados por verga recta assente sobre colunas jónicas; os cantos são cortados oblíquamente tal como no claustro de Santa Cruz de Coimbra, no da Graça de Évora e no de Santa Maria de Belém. O claustro segue assim, principalmente, a tipologia presente no claustro da Graça em Évora apresentando ainda semelhanças com os claustros do Convento da Saudação em Montemor-o-novo (v. PT0407060034) e o de São Francisco (v. pt040706040025). Galerias inferiores com cobertura em abóbadas artesoadas e as superiores por tecto de masseira em madeira. Destacam-se os portais da igreja e do dormitório, ambos de meados do século 16, pela sua profusa decoração figurativa renascentista. O portal da igreja aproxima-se da composição da porta do Convento de Santo António de Alcácer, apresentando uma decoração semelhante à da porta de Santa Iria da campanha castilhiana tomarense. Em contraponto às expressões artísticas autóctones, esta obra introduz no espaço algarvio algumas soluções eruditas que seriam aplicadas nos grandes centros culturais do Renascimento em Portugal, condição que se prende com a tutela régia desta obra, estimulada pela rainha velha, D. Leonor, mulher de D. João II. O claustro torna-se assim um dos primeiros exemplares da tipologia de claustros proto-renascentistas portugueses, sendo um elemento fulcral no estudo do Primeiro Renascimento em Portugal. Segundo João Alberto de Carvalho Marques, autor da monografia que trata deste imóvel (1991, p.132), o facto deste claustro ter sido terminado em 1548 possibilita que este tenha exercido influência sobre outros claustros do mesmo período. Também o portal da igreja ocupa um importante lugar na História da Arquitectura Renascentista do Algarve. Os telhados de tesouro que se conservam na ala E. ilustram uma característica algarvia que surge no século 16.

Planta composta por quatro alas em torno de um claustro de planta quadrangular, abrindo-se para este várias dependências de planta rectangular ou quadrangular, correspondendo a ala poente à igreja, de planta rectangular, uma só nave, capela-mor e dois coros. Volumes articulados e dispostos na horizontal em dois pisos. Coberturas diferenciadas em telhados de 4 águas sobre as várias dependências, de 1 água sobre as galerias do claustro e em cúpula sobre a capela-mor. Fachadas caiadas de branco. Fachada principal voltada para N., composta por 4 corpos: primeiro com duas linhas de rasgamento de dois vãos cada, desencontrados, com moldura rectangular em cantaria, sendo rematado por beirado assente sobre cimalha; segundo corpo com cunhal de pedra à esquerda e rematado por beirado assente sobre cimalha, abrindo-se inferiormente um portal de verga recta com moldura em cantaria encimada por cornija, sendo acedido por dois degraus; superiormente e axialmente ao portal rasga-se uma janela de sacada com guarda em ferro forjado, sendo esta de verga recta e emoldurada a cantaria; terceiro corpo correspondente, interiormente, à capela-mor, com algumas pedras à vista no canto superior esquerdo correspondendo a um cunhal; remate recto com beirado assente sobre cimalha, sendo ainda encimado pela cúpula da capela-mor, abrindo-se para esta fachada um pequeno óculo numa moldura onde assente quatro fogaréus; no pano deste corpo é rasgado um fresta com moldura em cantaria; quarto corpo, mais avançado em relação aos anteriores, corresponde, interiormente, à nave da igreja e aos coros; ladeado por cunhais de pedra e rematado por beirado assente sobre cimalha; é aberto neste pano (da esq. para a dir.) uma fresta com moldura em cantaria, um portal ladeado à esquerda por uma pilastra embutida na parede *1, e duas janelas sem moldura e com grades que iluminam, interiormente, o coro-alto; portal com moldura rectangular em cantaria, ladeado por duas pilastras de fino recorte e de profusa decoração figurativa, sendo rematado por entablamento onde arranca um painel com uma cartela central encimada por uma coroa. Fachada E. com duas linhas de rasgamento de vãos, desencontrados, abrindo-se inferiormente 5 janelas rectangulares de moldura em cantaria e um largo portão (à dir.) com moldura em cantaria e verga recta assente sobre as ombreiras e em duas mísulas; superiormente, rasgam-se 6 janelas idênticas às inferiores; conta-se ainda uma janela à esquerda da fachada, ligada ao duplo beirado que remata a fachada. Fachada O. delimitada por cunhais em pedra e constituído por dois corpos, apresentando o primeiro um óculo que ilumina o coro-alto e duas janelas jacentes com moldura em cantaria ao nível do piso térreo e um janelão com moldura em cantaria rasgado ao nível do piso superior sobre o intervalo entre as duas últimas janelas referidas; remate em beirado assente sobre cimalha; o segundo corpo apresenta duas linhas de rasgamento na continuidade dos vãos anteriores, de 7 vãos cada, sendo os inferiores janelas jacentes penetrantes e sem moldura, e os superiores janelas igualmente penetrantes e sem moldura; remate com duplo beirado. Fachada S. rematada por duplo beirado, sendo adossada inferiormente, e totalmente à esquerda, a construções posteriores, apresentando ao nível do piso superior 4 largas janelas jacentes sem moldura. INTERIOR: acesso principal pelo portal da antiga portaria situado no segundo corpo da fachada principal. Espaço da antiga portaria, actual recepção do museu, dividido por dois arcos de volta-perfeita criando três espaços dispostos em L com pavimento em lajes de pedra; no primeiro espaço encontram-se umas escadas de acesso a um patamar que precede o vão de acesso à capela-mor, sendo este emoldurado por cantaria. IGREJA: igreja com porta travessa, alçados caiados de branco, e com cobertura em abóbada de berço assente sobre cimalha na nave e cúpula de meia laranja sobre a capela-mor, sendo esta última decorada com elementos vegetalistas e pintados; pavimento em laje de pedra na capela-mor e debaixo do arco triunfal, com três pedras sepulcrais neste último espaço, uma destas sem inscrição, e em tijoleira na nave e coro-baixo; alçado poente da nave com um grande vão ao nível do piso superior tapado com uma janela de reixa, enquanto inferiormente se abre outro largo vão com arco de volta-perfeita, com acesso ao coro-baixo; à esquerda deste último abre-se um pequeno vão com moldura em cantaria com decoração figurativa suspensa de uma verga em arco contracurvado *2; os alçados laterais apresentam três arcos de reforço cada, assentes sobre duas pilastras e mísulas nos extremos dos alçados; no alçado do lado do Evangelho, no intervalo do primeiro arco (da esq. para a dir.), apresenta-se um púlpito com caixa em mármore e pé profusamento trabalhado em pedra calcária, e um vão entaipado com moldura em cantaria, correspondendo a uma antiga porta de comunicação com o exterior; no intervalo do segundo arco abre-se, de uma forma descentrada, o vão correspondente ao portal principal; no intervalo do terceiro arco rasga-se uma fresta, tapada superiormente pelo arco; ainda neste intervalo, e idêntico ao alçado oposto, é integrado um outro arco, mais estreito e com moldura em cantaria, cujo arco arranca à altura da mísula que se encosta ao alçado E.; o alçado S. da nave não apresenta quaisquer frenestrações; no alçado E. abre-se um arco triunfal em cantaria, de acentuada verticalidade, com uma cartela em massa a rematar; a capela-mor é iluminada pelo fresta do alçado N. e pelos quatro óculos da cúpula que a encima, posicionados segundo os pontos cardeais; o coro-alto é iluminado por duas janelas voltadas para N. e por um pequeno óculo em pedra voltado para O. CLAUSTRO: de dois pisos *3 separados por cornija envolvente, apresentando quatro tramos por alçado divididos por três grossos contrafortes, sendo a sua ligação do primeiro piso para o segundo, de menor secção, através de uma voluta decorada com mascarões, e rematado superiormente por diferentes gárgulas; os cantos da clastra são oblíquos apresentando a mesma decoração em mascarões e gárgulas; abre-se inferiormente quatro pares de arcadas geminadas em arcos de volta perfeita assentes sobre três colunas da ordem dórica, nas quais as exteriores se encostam aos contrafortes, e superiormente quatro vãos delimitados por verga recta assente sobre colunas da ordem jónica; o acesso ao pátio faz-se pela supressão do parapeito do terceiro tramo de cada ala (leitura da esq. para a dir.)*4; no piso superior é igualmente interrompido o parapeito do mesmo tramo, porém de forma parcial e dotado de guarda de ferro forjado; no alçado N. destaca-se a cúpula da capela-mor que, à semelhança do que foi verificado na fachada principal, apresenta um pequeno óculo voltado para o claustro; no alçado S. irrompe pela cobertura uma larga e alta chaminé de secção rectangular; no alçado poente, a nível da cobertura, emerge uma torre de secção rectangular e cobertura de quatro águas e beirado, dividido em dois registos apresentando o inferior cunhais em pedra e uma pequena janela gradeada voltada para o claustro, enquanto o superior apresenta alguns rasgos destinados a ventilação; destaca-se no alçado E. a sucessão de telhados de tesouro; galerias do claustro com pavimento em tijoleira e cobertura interior em abóbadas artesoadas no piso térreo, com as nervuras e florões em cantaria salientes assentes sobre mísulas, e em masseira de madeira no piso superior com dois candeeiros suspensos por ala, apresentando na união entre as alas um arco abatido em cantaria assente sobre míssulas com volutas no arranque. Galerias do piso térreo (leituras da esq. para a dir.): galeria N. com apenas dois vãos à esquerda de acesso ao coro-baixo, emoldurados e de verga recta, sendo o primeiro uma porta com moldura em arenito (muito degradado), com cornija pouco pronunciada, e o segundo um amplo janelão com grades em ferro forjado e com cornija e parapeitos salientes; galeria O., prolongada até ao corpo adossado a S., apresenta seis vãos com moldura em cantaria, encontrando-se o primeiro no corredor formado por esse prolongamento, dando acesso à sala dos depósitos do museu; o segundo vão, com verga recta, dá acesso à sala que ocupa quase toda a extensão desta ala; terceiro e quatro vãos, ambos de verga recta, encontram-se entaipados; quinto vão com arco de volta abatida, encontrando-se actualmente tapado com madeira; sexto vão, com verga recta, dá acesso a um pequeno compartimento onde se abrem outros dois vãos, sendo o que fica posicionado a N. de verga ogival, dando acesso ao coro-baixo, e o que fica situado a poente de verga em arco abatido, dando acesso à sala que ocupa esta ala; galeria S. com três vãos emoldurados, sendo o primeiro de verga recta (encontrando-se muito degradado), o segundo vão, largo e de larga verga recta, de acesso a uma ampla sala de exposição, e terceiro vão, a ladear o último, correspondente a uma pequena janela entaipada com cornija pronunciada; galeria E. com quatro vãos emoldurados, sendo o primeiro, de verga recta e pronunciada cornija (ombreiras degradadas), de acesso à antiga portaria; segundo e terceiro vãos, de verga recta, com acesso a salas expositivas, e quarto vão com verga recta onde se increve a data "1727" e com cornija pouco saliente, dando acesso à escadaria, de dois lanços e um patamar, que comunica com o piso superior. Galerias do piso superior (leitura da esq. para a dir.): galeria N. com apenas um vão à direita, de verga recta e moldura em cantaria, ladeado por pilastras, com dupla verga e frontão triangular, dando acesso a uma sala expositiva com três espaços com cobertura em abóbada de aresta; galeria O., prolongada a S. tal como a do piso inferior, com três vãos emoldurados a cantaria, o primeiro situado no corredor da extensão sendo confrontado neste por outro vão de acesso a uma sala da ala S.; o segundo vão, tal como o primeiro, dá acesso a uma ampla sala que ocupa quase toda a ala poente; o terceiro vão, de verga recta, dá acesso a um compartimento situado debaixo da torre atrás referida, onde se encontra uma porta de verga em ogiva e que comunica com a torre, tal como uma parede de suporte em cantaria com um meio arco; será através deste espaço que é possível aceder ao coro-alto e à ampla sala que ocupa esta ala; galeria S. com dois vãos, o primeiro comunicante com as escadarias que unem os pisos, sendo de verga recta, com decoração vegetalista na face desta, ombreiras imitando pilastras e remate em cornija; segundo vão idêntico ao anterior, porém de maiores dimensões, destacando-se uma profusa decoração figurativa na verga com representações de fénix e de "puttis" e com a inscrição da data "1545" ao centro, dando esta acesso, por sua vez, ao antigo dormitório, com cobertura denunciando as duas águas do telhado; galeria E. com seis vãos emoldurados a cantaria com vergas rectas, apresentando os dos extremos uma verga rematada por cornija e pequenos apontamentos de motivos florais na verga e ombreiras; destaca-se ainda o sexto vão por dar acesso a um pequeno cubículo encimado por uma cúpula pintada a têmpera, correspondendo, possivelmente, à "camara de disciplina".

Materiais

Estrutura de alvenaria; pavimento de tijoleira no pavimento das várias salas e galerias do claustro, e telhas em todas as coberturas; pedra calcária em portais, nervuras das abóbadas de aresta, alçados do claustro (plintos, muros, colunas, entablamentos, elementos decorativos como as gárgulas), pavimento do claustro, da igreja e da sala de entrada; estuque pintado na cúpula da cabeceira da igreja e no edículo; trabalhos de massa pintados nos fogaréus da mesma cúpula; caixilharias, janelas e portadas em madeira; ferro forjado nas varandas; metal nos candeeiros e nas guardas do segundo piso do claustro; alcatifa na sala que seria o coro-alto da igreja; vidro em janelas e candeeiros.

Observações

*1 - esta pilastra corresponderia à estrutura de um alpendre hoje desaparecido; existia ainda nesta fachada uma pequena porta para o exterior; *2 - o grande vão inferior deste alçado estaria tapado, apenas permitindo a visibilidade das cerimónias pelas freiras professas da casa na sua condição de clausura, tal como o vão superior destinava-se à assistência das cerimónias litúrgicas pelas noviças da casa; este pequeno vão que se abre neste alçado no lado da epístola destinava-se a dar acesso ao coro-alto, servindo, igualmente, como confessionário; 3* - o piso térreo destinava-se às freiras professas enquanto o piso superior destinava-se às freiras noviças; *4 - verificou-se, por datas da recuperação do imóvel para museu, que, nos tramos onde existe esta supressão do parapeito, as colunas assentam sobre pedestais de cantaria enquanto as restantes assentam no capeamento que cobre a alvenaria do parapeito.