Mosteiro românico da Ordem beneditina com igreja de planta cruciforme, de três naves com quatro tramos, cabeceira com ábside e dois absidíolos, inserida na área estilística do Sousa - Tâmega mostrando também influências do românico do Porto e do de Braga. Torre sineira ameada. É uma das igrejas monásticas românicas mais conhecidas, relativamente bem conservada, mostrando uma grande riqueza de elementos escultóricos e uma alta torre sineira ameada cujo portal ostenta no tímpano um Agnus Dei.
Igreja composta por planta cruciforme de três naves, sendo a central mais elevada, cabeceira formada por ábside rectangular e dois absidíolos redondos. Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas. A fachada principal, escalonada, mostra um portal inserido num gablete superiormente corrido por um renque de modilhões. Tem quatro arquivoltas de toros diédricos que se apoiam em finas colunas. Nos seus capitéis abundam as sereias com peixes na mão e as folhagens biseladas que descem do topo dos ábacos. Na empena, sobre o portal, rasga-se uma fresta chanfrada românica e no fastígio assenta uma cruz. Nos topos do transepto existem portais laterais. No interior, mostra arcos-diafragma, definindo quatro tramos desiguais, assentes sobre pilares cruciformes. Sobre o arco triunfal abre-se uma rosácea simples. Capela-mor com retábulo de talha e painel central. Nave com cobertura de madeira, capela-mor com abóbada de volta redonda e absidíolos em quarto de esfera. Torre sineira de planta quadrangular, com alçados bastante altos e reforçados a meio por contraforte pouco saliente; é rasgada por fresta e, no topo, por janela de dois lumes; remate, avançado sobre modilhões com merlões piramidais. Tem acesso por um portal com duas arquivoltas esculpidas com decoração animalesca e em ziguezague e capitéis lanceolados ostentando no tímpano um Agnus Dei. No seu coroamento, mostra merlões pentagonais com o adarve avançado. Dependências conventuais desenvolvidas a S.
Materiais
Estrutura, molduras de vãos, frisos, cornijas, arcos, cruzes, sepulturas eoutros elementos em granito; pavimento em lajeado de granito; coberturas em telha.
Observações
Segundo o testemunho de Frei Leão de São Tomás, a igreja foi precedida por grande galilé de cantaria e de 3 naves. Uma observação atenta do imóvel, das irregularidades do seu traçado, das diferentes soluções das arcadas, redondas ou quebradas, e dos pilares, cruciformes ou quadrados, e a análise de capitéis, impostas e bases mostram-nos bem as diversidades técnico-estilísticas destes elementos, uns de aspecto bem mais antigo que outros. Segundo Carlos A. F. de Almeida, a área média da nave S. é a parte mais antiga da obra, a que se seguiriam a ampliação para nascente e a cabeceira. Viria depois a nave N. e a parte ocidental. Para ele, as arcadas-diafragma e formeiras serão da última fase da construção. No actual edfício há reutilização de elementos de igreja anterior, não só de capitéis, que se não ajustam aos novos fustes, como de outros elementos, dos quais destacamos aduelas que pertenceram a arcos ultrapassados e até impostas de nítido sabor pré-românico. Entre os elementos românicos mais antigos salientamos os frisos enxaquetados, os capitéis-bases nas arcadas da parede da nave central, semelhantes aos da primeira igreja de Paço de Sousa, e as capelas laterais, com bandas fitomórficas e arcadas redondas. Os frisos da última fase, com três ligeiras escócias são idênticos a outros de Ferreira. *1 DOF: Mosteiro de Travanca, compreendendo o convento, a igreja e a torre.