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Casa Pita

Casa Pita

O ponto de interesse Casa Pita encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Caminha (Matriz) e Vilarelho no municipio de Caminha e no distrito de Viana do Castelo.

Casa nobre revivalista e barroca, de planta rectangular, onde estilisticamente se optou por um revivalismo neomanuelino, conjugado ocasionalmente com o barroco, detectável em pormenores das pedras de armas e sobretudo na fachada posterior e tanque do jardim. O retábulo da capela e os ricos estuques interiores são já neoclássicos. Introduz em Caminha, em meados do séc. 17, o neomanuelino, antecipando-se assim a uma moda que só muito mais tarde se desenvolveria em Lisboa.

Planta rectangular de volumes simples, e coberturas diferenciadas em telhados de quatro águas, e de uma na loggia. Fachadas de dois e três pisos adaptados ao declive do terreno. Fachada principal virada a S., de dois pisos, em cantaria aparente de aparelho regular, rematada em ameias decorativas com chanfro sobre cornija interrompida regularmente por gárgulas de meia-cana. O primeiro piso apresenta o seguinte esquema de fenestração: a b a c a b a, correspondendo o a) a portas com colunelo e moldura convexa superior, o b) a janela de peitoril quadrada, de moldura convexa, e o c) a porta sensivelmente maior. No segundo piso rasgam-se janelas com arcos canopiais de diferentes modinaturas, sendo duas de peitoril com caixilharia de guilhotina, e as demais de sacada, com balaustrada de ferro. De cada lado da janela central, surgem pedras de armas. Fachadas laterais e posterior rebocadas e pintadas de branco, terminadas em friso e cornija, sobreposta por beirado simples, e possuindo os cunhais em cantaria aparente. Na fachada posterior, os dois primeiros pisos têm loggias avançadas, de colunas sobre acrotérios e com escadas laterais de acesso ao andar nobre. Este é rasgado por portas de verga recta e uma central, mais larga e de arco de volta perfeita. O terceiro piso é rasgado por janelas de peitoril, molduradas, peitoril saliente sobre falsas mísulas e terminadas em cornija, surgindo individualmente ou em bíforas. Fachadas laterais rasgadas no último piso por janelas semelhantes. A O., formando ângulo recto com a fachada posterior, ergue-se pequena capela, de planta longitudinal, possuindo no interior retábulo de talha, de frontão interrompido e albergando imaginária e com tecto de masseira. Em frente da fachada posterior, organiza-se pátio lajeado, com conduta de água, aberta, fonte tipo obelisco, com tanque lobulado e ainda um tanque rectangular com duas bicas. A O., em frente à antiga casa do caseiro, existe mirante, de planta quadrada e quatro pisos. Esta zona separa-se da quinta por alto muro, o qual delimita igualmente a quinta e o separa da casa dos caseiros. A N., o muro da quinta é coroado por vários pináculos piramidais, almofadados, e, no alinhamento da casa, integra portal; este é em arco de volta perfeita, com chave saliente, ladeado por pilastras jónicas, assentes em plintos paralelepipédicos decorados com elementos curvos, e coroado por duplo friso e cornija rematada por ameias e duas urnas laterais; possui portão de ferro ornado com elementos fitomórficos e com a data de 1898. INTERIOR acedido pelo portal central da fachada principal; vestíbulo, com pavimento de lajes e tecto plano, de madeira, tendo lateralmente portas de verga recta, molduradas, e, em frente, arco de volta perfeita sobre pilastras toscanas, a partir da qual se desenvolve escadaria para o andar nobre; neste sucedem-se salas com tectos e paredes decoradas a trabalhos de estuque. Fronteiro ao palácio, ficam as antigas cavalariças (hoje garagem), de plantar rectangular, fachada rebocada e pintada de branco, de um piso, com pilastras nos cunhais e rematado em platibanda lisa; é rasgada por portal de arco abatido.

Materiais

Estrutura em cantaria e alvenaria de granito; molduras dos vãos e cornijas em cantaria de ganito; trabalhos de estuque; guardas das janelas em ferro; caixilharia e portas de madeira, algumas chapeadas a ferro; retábulo de talha; pavimentos em lajes de cantaria de granito e em madeira; cobertura de telha; algerozes metálicos.

Observações

*1 - Foi incorrectamente classificada com a designação "Casa das Pitas". Segundo Rafael Moreira, foi o Engº. Manuel Pinto Vila Lobos que introduziu e desenvolveu no séc. 17 e 18 os revivalismos em Viana do Castelo e arredores. Assim, ainda que algumas das suas obras datadas, como Casa da Carreira e a dos Alpuins, sejam posteriores e de um maior barroquismo, é possível relacionarmo-lo à Casa Pita ou a alguém a ele ligado, até porque aquele Engenheiro trabalhará na Matriz de Caminha, entre 1704 - 1721.