Arquitectura residencial, gótica e manuelina. Solar gótico e manuelino inserindo-se planimetricamente na tipologia da chamada "casa-torre", conjugando assim ala residencial, irregular, a uma torre de época anterior. Segundo Carlos de Azevedo constitui um magnifico exemplo de habitação senhorial do final da Idade Média. Embora a ala residencial não seja de planta regular, as suas dimensões mostram a sua importância doméstica, numa altura em que a torre perdera a função inicial de defesa, visto já nem com ela comunicar. Ainda que resultante de 2 épocas distintas, este tipo de solar costuma preocupar-se em alinhar a ala residencial com a torre, o que não acontece com Giela.
Edifício de planta composta, formado por torre quadrada e ala residencial adossada e avançada em relação à mesma com planta irregular, encurvando-se a nascente e formando recantos a S. Volumes articulados com coberturas diferenciadas, mas muito derruídas. Torre alta, pouco fenestrada e coroada por merlões piramidais, alguns com seteiras. A E. a alguns metros acima do solo, tem porta com arco quebrado encimado por janela também de arco quebrado, existindo entre ambas 2 sulcos provocados pelos telhados de antigas construções que a ela se encostavam; no topo da fachada S. tem "machicouli". Ala residencial adossada ao cunhal NE. da torre e à qual não tem ligação; frontespício de 2 pisos tendo no 1º portal, descentrado de arco quebrado com pedra de armas sobre aduelas e enquadrado por maciço quadrangular com arco pleno criando varanda ao nível do 2º. piso; neste rasgam-se 5 janelas, sendo as 2 centrais molduradas e tendo colunelos e arcaturas. Entre as janelas distribuem-se gárgulas. Do coroamento restam pouquíssimos merlões chanfrados. Na fachada O. rasga-se portal simples de arco quebrado e ao centro do 2º piso janela ladeada por colunelos suportando friso com arcaturas, 2 torsais e pedra de armas. As restantes fachadas têm fenestração bastante irregular.
Materiais
Granito, madeira.
Observações
Do primeiro paço, ou seja, da construção que se adossava à torre de carácter defensivo e que seria sua contemporânea, nada resta, a não ser os vestígios dos apoios do sobrado sobre a porta ogival e os sulcos marcados pelas linhas de telhado. Facto compreensível se atendermos que estes primeiros solares eram construídos em materiais perecíveis, normalmente madeira e só com o tempo alguns eram substituidos por materiais duradouros. No caso de Giela esta substituição foi pouco depois, o que aumenta a sua importância no contexto nacional. As janelas de decoração manuelina, os poucos merlões chanfrados ainda existentes e a gárgula de canhão atestam a sua construção no final do séc. 15 início do séc. 16. A Câmara Municipal possui um plano de aproveitamento turístico para o Paço de Giela, nomeadamente ali instalando o futuro Museu Municipal e o Arquivo Concelhio, um centro de artes e ofícios tradicionais e um anfiteatro natural. O escudo da janela virado a N. tem as armas dos Limas da Galiza: esquartelado tendo no I e IV Leão de púrpera; II e III de prata, 3 faixas xadrezadas de ouro e vermelho.