Setor urbano. Área urbana sujeita a plano de urbanização de promoção privada do qual fazem parte vários conjuntos edificados de torres, blocos de habitação coletiva e habitação unifamiliar em banda. Conjunto residencial composto por edifícios apoiado por equipamentos de proximidade, um centro comercial e amplos espaços verdes. O arquiteto do projeto, Fernando Silva, trouxe para a Urbanização da Portela uma importante produção de habitação para as classes médias altas em lotes integrados na cidade tradicional. Contudo, tratava-se de construir uma nova urbanidade, inspirada nos modelos que iam povoando as cidades europeias já em fase tardia de reconstrução do pós-guerra, apoiada em experiências como a das New Towns inglesas, que os portugueses começaram a estudar na década anterior e que conheciam de publicações internacionais que chegavam a Portugal. O projeto inicial previa 196 lotes distribuídos por sete tipos (dois em torre e cinco em banda), mas após alterações foram adicionados 14 lotes, dos quais apenas três foram construídos. Assim, foram concretizados 199 lotes, o que resultou num total de 4.503 apartamentos para 18.500 habitantes (29 blocos com 5 lotes cada um, 21 torres, 17 edifícios em banda com 2 lotes cada, um centro comercial e o edifício Concórdia). A zona classificada como de reserva de expansão urbana, no limite poente da urbanização foi durante a década de 1970 ocupada com construções de génese ilegal que apenas seriam totalmente demolidas em 2013. O plano inicial previa uma permeabilidade ao nível do piso zero mas como os lotes foram vendidos individualmente, houve uma privatização destes espaços que eram de uso público e hoje são privados.
A urbanização da Portela é distribuída por 199 lotes, num total de 4.503 apartamentos para 18.500 habitantes. Os tipo de edifícios residenciais distribuem-se por 29 blocos com 5 lotes cada um, 21 torres, 17 edifícios em banda com 2 lotes cada. Os edifícios recorrem a formas abstratas e homogéneas, com fachadas onde predomina o uso de faixas horizontais e de janelas longas que acentuam a horizontalidade. A organização interna dos apartamentos privilegia a distribuição das funções internas do tipo divisão noite-dia. Em torno do centro cívico e comercial, organizam-se as unidades de habitação, compostas - no projeto inicial - por sete tipologias habitacionais (T2 a T4). No projeto inicial de 1970 foram desenhadas seis tipologias habitacionais, sendo cinco delas incluídas em blocos: Tipo I, 2 fogos T3 por piso com 99 m2 (17); Tipo II são 2 fogos T3+1 por piso com 112 m2 (11); Tipo III com 2 fogos T3 por piso com 120 m2 (33) e o Tipo IV com 2 fogos T4 por piso com 142 m2 (14). No caso das torres existem 12 com o Tipo V com 4 fogos por piso com 93m2; dois do Tipo V Variante com 69m2 (T2), 89m2 (T3), 99m2 (T4) e ainda quatorze Torres Tipo VI com 2 fogos T3 por piso com 115m2 e 2 fogos T2 por piso (andar recuado) com 82m2. A diversidade tipológica pretende servir vários agregados familiares: casas de dimensões mínimas (Tipo V), tipologias mais tradicionais, com a inserção do quarto de empregada, contíguo à zona da cozinha (Tipo II), ou no acesso ainda mais reservado a cada apartamento (Tipo III). Em 1973, pressionado pelos promotores imobiliários, Fernando Silva desenha um a variante do Tipo V, procurando dar uma resposta mais flexível aos diversos tipos de famílias. Os dois apartamentos iguais e simétricos são substituídos pela conjugação de T2 e T3 por piso. O inquérito realizado aos atuais residentes da Portela no âmbito do projeto de investigação: Homes for the biggest number: Lisbon, Luanda and Macao (PTDC/ATP-AQI/3707/2012), permitiu averiguar o grau de satisfação dos habitantes, bem como, a sua consciência perante o valor patrimonial da arquitetura e do conjunto da Portela. Cerca de 80% dos inquiridos afirmou gostar do edifício onde vive, valor que sobe para 85% em relação à satisfação com a área onde reside ou à "urbanização". No inquérito foi ainda detetado 4 grupos tipo de residentes: 1) os "pioneiros" que se instalaram na década de 70, mais de 40% da população, essencialmente oriunda das ex-colónias e de Lisboa; 2) os que se instalaram nas décadas de 1980 e 1990, vindos sobretudo da Grande Lisboa; 3) os "nativos", que residem no bairro desde a infância, um dos grupos com mais vontade de deixar a Portela; 4) os novos residentes, jovens agregados familiares que chegaram já no século XXI, revelando a capacidade de atracão que a Portela ainda mantém - na realidade, parte destes novos residentes, voltaram ao bairro, onde têm as suas redes familiares de apoio, depois de terem vivido noutros locais.
Materiais
Estrutura em betão pilar/viga; paredes em alvenaria de tijolo; revestimento exterior em mosaicos de vidro tipo EVINEL nas cores bege e castanho; caixilharias exteriores e guardas em alumínio anodizado à cor natural.
Observações