Lgar pombalino, de planta rectangular composta e alçados de 2 pisos, sendo o térreo para serviços e armazenamento de azeite e o 2º para habitação do monge lagareiro, reflectindo-se esta divisão social do espaço na própria decoração exterior. Interessante técnica construtiva, utilizando nas paredes interiores divisórias o chamado "taipal à galega". As principais instalações do lagar organizavam-se junto à fachada posterior. Foi um dos lagares construídos pelos monges alcobacenses mais completos e perfeitos, podendo-se considerar as suas instalações modelares para a época. O mecanismo de moagem com 4 varas de cada lado e os pesos voltados uns para os outros, conferia ao lagar uma organização elegante e única nos lagares da região. Paredes interiores divisórias com os materiais abundantes na região - estrutura com prumos e barrotes de travejamento, tendo pelas 2 faces fasquias, também de madeira, e preenchendo-se o interior com argamassa de argila, cal, cortiça e azeite, obtendo-se assim maior leveza e durabilidade da estrutura e o isolamento térmico, com paredes frescas no Verão e quentes no Inverno.
Planta rectangular. Volumetria composta por 3 corpos, sendo os laterais mais baixos; coberturas diferenciadas em telha de canudo a 1 água. Frontispício virado a E., com 2 pisos e corpos separados por pilastras de alvenaria. No corpo central, janelas baixas gradeadas e encimadas por janelas de brincos com frontão de lanços, enquadram janelão cego, de moldura recortada e frontão interrompido pela pedra de armas de Alcobaça. Os corpos laterais são esconsos e têm, ao nível do 2º piso, janela e óculo com moldura de cantaria; o corpo do lado direito está parcialmente derrocado. Na fachada S., o corpo lateral é rasgado por vão em arco pleno, interiormente fechado em recto. Virado a O., encontra-se a escada de acesso ao 2º piso, com porta de vão recto. Perpendicularmente, parede exterior da casa do lagar, rasgada por pequenas aberturas do pombal; possui ainda a mísula de apoio ao antigo alpendre e uma jamba da porta. A fachada posterior da casa do monge conserva parte dos prumos que amparavam o "coice" das 4 varas que ali se fixavam; superiormente revela 2 níveis de marcação do telhado; junto à parede, amontoam-se algumas galgas de pedra. A fachada N. do corpo lateral da casa já não existe. No interior, 1º piso com 3 divisões, 1 pequena e 2 amplas; a do fundo possui, a toda a volta, a marcação das pias de pedra que armazenavam o azeite; janelas e portas interiores com marcação dos gonzos. O 2º piso tem quarto de arrumos separado da cozinha, esta com lareira apoiada em mísulas de aresta em bisel. Seguem-se 2 salas, a última das quais tinha inicialmente 2 quartos junto à parede posterior; ao fundo, entrada para a latrina. Salas iluminadas por janelas conversadeiras; pavimento sobre grandes vigas de madeira.
Materiais
Alvenaria de pedra calcária aparelhada em 2 faces e colocada à fiada coberta com reboco; madeira, terra crua e cortiça. Cobertura de telha.
Observações
*1 - Casa do Monge Lagareiro, também denominada «Lagar dos Frades». A casa do monge lagareiro e a sua quinta chamada de "cerca" ou somente de "quinta", tal como o nome indica, era propriedade dos monges de Alcobaça sendo, no entanto, incerta a sua inclusão nos coutos do mosteiro já que, segundo Iria Gonçalves, a povoação de Ataíja de Cima, a que pertence, ficava no perímetro exterior dos mesmos. A sua construção integra-se na política de reconversão dos grandes senhorios levada a cabo pelo Marquês de Pombal. O fomento e recuperação económica de Alcobaça deveu-se, mais directamente, ao seu primo e geral do mosteiro, visitador e reformador da Ordem, Frei Manuel de Mendonça. Este, mandou plantar ou replantar grandes olivais na zona serrana, integrando-se a Casa do Monge num vasto olival, chamado dos Frades ou do Santíssimo. Em 1885, segundo Manuel V. Natividade, era propriedade do Dr. Francisco Baptista Pereira Zagallo, médico de Alcobaça. Posteriormente pertenceu a Olímpio Trindade e no início do séc. 20 foi comprado por Matias Ângelo, pela então fabulosa quantia de 100 contos de reis. A produção de azeite no Lagar dos Frades era tão elevada que, por vezes, os trabalhos se prolongavam até Maio ou Junho. A água indispensável à tarefa era canalizada da Lagoa Ruiva, que ficava muito próxima do lagar, para um poço, através de uma galeria subterrânea que, segundo testemunho local, tinha quase um metro de largura e mais de metro e meio de altura, sendo as paredes de pedra cobertas com lajes e o chão de pedra trabalhada com agueiro central. Em 1920 a casa do monge era descrita como sendo "uma casa com loja e primeiro andar, metade de uma arrifana (cabana coberta de colmo para recolher o gado / curral / palheiro) e chouso (redil) de semeadura ..." e confrontava a N. com Joaquim Ângelo, a S. com rocio da lagoa, a E. com Florinda Maria e a O. com Joaquim Ângelo e serventia. Nº CMA: 15003