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Estação Ferroviária de Chaves

Estação Ferroviária de Chaves

O ponto de interesse Estação Ferroviária de Chaves encontra-se localizado na freguesia de Santa Maria Maior no municipio de Chaves e no distrito de Vila Real.

Estação ferroviária terminal da Linha do Corgo, delineada dentro da Escola Culturalista, composta por edifício de passageiros e algumas construções de apoio técnico, como o cais coberto e a cocheira de carruagens. O edifício de passageiros apresenta planta rectangular, com fachadas rebocadas e pintadas, embasamento de cantaria e silhar de azulejos, cunhais apilastrados coroados por urnas com festões, e terminadas em friso, cornija e beirada; são rasgadas regularmente por janelas de peitoril ou portas de verga recta e abatida, com a caixilharia integrando bandeira, possuindo na fachada virada ao cais de embarque alpendre de cantaria com arcos abatidos ou de volta perfeita apoiada em pilares. Fachada principal com pano central avançado, terminado em cornija alteada e curva ao centro, com os vãos, de verga recta encimados por cornijas rectilíneas sobre mísulas entre painéis ou faixas de azulejos, decorados com festões, concheados, motivos fitomórficos, laçarias e a designação da estação, de carácter revivalista neobarroco. Fachadas laterais tendo, ao nível do segundo piso, portal abatido moldurado sob alpendre telhado apoiado em traves sobre mísulas, acedido por escada com guarda plena de alvenaria, ladeado por fresta de topos curvos. Fachada posterior com a cornija alteada e curva ao centro do edifício e alpendre, com os vãos centrais igualmente rectilíneos e enquadrados por faixas de azulejos iguais aos da frontaria. No piso térreo dispõe-se ao centro o vestíbulo com zona de expedição de bilhetes. O cais coberto e a cocheira de carruagens apresentam planta rectangular simples e fachadas em cantaria aparente, com vãos rectilíneos.

A estação inclui o edifício de passageiros e algumas construções de apoio técnico, como o cais coberto e a cocheira de carruagens. EDIFÍCIO DE PASSAGEIROS de planta rectangular e cobertura diferenciada em telhados de quatro águas. Fachadas de dois pisos, rebocadas e pintadas de branco, com embasamento de cantaria e silhar de azulejos, de padrão fitomórfico policromo, com pilastras colossais nos cunhais, sobrelevadas relativamente às fachadas, coroadas por urnas decoradas por festões, e rematadas em friso e cornija, alteada e curva ao centro das fachadas principais e posterior, sendo ainda sobreposta por beirada simples. Fachada principal virada a SE., de três panos, o central avançado com a cornija sobreposta por brasão com as armas da vila de Chaves; no piso térreo abrem-se duas portas bíforas, de verga recta, com nembo de cantaria e moldura encimada por cornija rectilínea assente em três falsas mísulas de recorte igualmente rectilíneo; ladeiam as portas painéis de azulejos, de perfil curvo, que arranca a partir da cornija, ornados de festões de flores, suspensos por laços e tendo inferiormente friso de enxaquetado; sobre os painéis surgem também lateralmente duas vaseiras rectilíneas. Ao nível do segundo piso, abre-se uma janela bífora, de verga recta, sobre peitoril de cantaria e encimada por cornija igual à das portas; superiormente, acompanhando o perfil da cornija, desenvolve-se faixa de azulejos, ornados de festões e laçarias, tendo ao centro a inscrição CHAVES e nos ângulos acantos enrolados, concheados, festões e laçarias pendentes. Nos panos laterais, semelhantes, rasgam-se, no piso térreo, duas portas de verga abatida, de moldura terminada em cornija e com a parte superior das jambas salientes e, no segundo piso, duas janelas de peitoril, com o mesmo perfil, sobre cornija, com moldura igual à das portas. Fachadas laterais iguais, rasgadas, no segundo piso, por porta de verga abatida, com moldura terminada em cornija e com a zona superior saliente, protegido por alpendre rectangular, assente em duas traves de madeira assente em mísulas; o portal é acedido por escada de dois lanços opostos, adossada, com guarda em alvenaria rebocada e pintada, delimitada a cantaria e com silhar de azulejos igual ao das fachadas. Junto ao portal, abre-se ainda fresta de topos curvos, moldurada, com grade de ferro estilizada. A fachada posterior, inicialmente virada à linha férrea, é rasgada no piso térreo por oito portas, dispostas num ritmo de duas a duas, com molduras iguais às das outras fachadas, protegidas por alpendre corrido de cantaria, terminada em cornija alteada e curva ao centro, e com quatro arcos em asa de cesto, de aduelas em cunha, assentes em pilares quadrangulares; lateralmente os arcos são de volta perfeita e a cobertura do alpendre assenta em travejamento de madeira sobre mísulas de cantaria. No segundo piso, abrem-se oito janelas de peitoril iguais às da frontaria, sendo as quatro centrais, com nembos de alvenaria rebocada e pintada de branco, encimadas por cornija corrida; sobre estas a fachada existe uma faixa de azulejos com decoração igual à da frontaria. INTERIOR do primeiro piso com pavimento de granito, paredes pintadas de branco, com embasamento de cantaria e silhar de azulejos monocromos azuis sobre fundo branco, com padrão fitomórfico; no vestíbulo possui frontalmente três arcos, o central em asa de cesto com fecho saliente decorado com concheado, e os laterais em arco de volta perfeita; nas paredes laterais existem arcos iguais; conserva ainda o esqueleto da bilheteira. A N. do edifício de passageiros dispõe-se o CAIS COBERTO, de planta rectangular, massa simples e cobertura homogénea em telhado de duas águas. Fachadas em cantaria aparente, a frontal e posterior terminada em aba corrida de madeira, bastante avançada, sobre travejamento de madeira. A fachada principal virada a SE. é rasgada por portas de verga recta e algumas janelas rectilíneas; as fachadas laterais terminam em empena e possuem porta de verga recta encimada por amplo vão rectangular. A O. do edifício de passageiros implanta-se a COCHEIRA DE CARRUAGENS, o actual museu, de planta rectangular, massa simples e cobertura homogénea em telhado de duas águas. Tem as fachadas em cantaria aparente, com as juntas tomadas e pintadas de branco terminadas em cornija e beirada simples. A fachada principal, virada a NE., termina em empena e é rasgada por dois amplos portais de verga abatida, com portões de ferro, encimados pela inscrição pintada MATERIAL HISTÓRICO e, ao nível do segundo piso, por três vãos rectangulares, dispostos irregularmente, dois na vertical e um na horizontal. Fachada lateral esquerda rasgada no piso térreo por três vãos rectangulares e no segundo por varanda corrida, em betão, com guarda do mesmo material em X, e para onde se abrem regularmente portas de verga recta e janelas de peitoril, com caixilharia de guilhotina, protegida por alpendre sobre placa de betão, assente em finos pilares com chanfro. À fachada posterior, igualmente terminada em empena, e rasgada por vãos rectangulares, adossa-se escada de betão de acesso à varanda, com o mesmo tipo de guarda. No INTERIOR expõe, no piso térreo, diverso material ferroviário, nomeadamente três locomotivas de via estreita. Junto à sua fachada principal existem dois troços de linhas-férreas, com 50 metros de comprimento, e dois vagões de cor vermelha e preta, enquadrados por placas arelvadas.

Materiais

Estrutura rebocada e pintada ou em cantaria de granito aparente; pilastras, frisos, cornijas, urnas e molduras dos vãos em cantaria de granito; portas e caixilharia de madeira; vidros simples; painéis e faixas de azulejos; grades de ferro; placas, varanda e alpendre da mesma de betão; cobertura de telha.

Observações

*1 - No terrapleno da estação incluiu-se a parcela encravada entre a avenida de acesso ao cais e a linha primitivamente limitada, e nessa colocou-se o edifício da cocheira de carruagens e habitação de pessoal, ficando voltado para a via a fachada onde encosta a escada de acesso ao piso superior e que se projectava voltado para o pátio da estação; b) entre a 2ª e a 3ª linha projectava-se uma plataforma para passageiros com 150.00 m comprimento x 1.40 largura; c) aumentou-se para um e outro lado o espaço entre agulhas extremas; d) outras modificações, algumas motivadas pelas considerações gerais; mudou-se o reservatório de água para onde se devia abrir o poço; a báscula ficava próximo do cais descoberto; deslocação do eixo de passageiros 5,50 m para traz; a entrada e saída da estação para o pátio podia fazer-se sem passar pelo edifício de passageiros, por 2 cancelas; os cais recuavam 32.000 m; o cais de carvão e ponte girante recuaram 25.00 m; o projecto de acesso à estação tinha uma avenida que a pouca distância da mesma se dividia em 2, uma das quais seria construída pelo Caminho-de-Ferro, só até ao quartel de Cavalaria nº 6. *2 - O concurso da empreitada nº. 4, de 1917, compreende: 1) terraplanagens necessárias para a construção da linha e estação de Chaves; o corte nos taludes das trincheiras, já abertas e que não tenham inclinação do projecto; a abertura de valetas; regularização da plataforma, taludes e valetas; a construção de obras de arte correntes e serventias entre os Km. 17.920 e 18.300 do lanço da linha da Régua a Chaves compreendida entre Vidago e Chaves; 2) execução das terraplanagens na estrada de acesso ao cais da estação de Chaves; 3) conclusão das terraplanagens e regularização das avenidas de acesso ao edifício de passageiros; no caderno de encargos do edifício de passageiros determina-se que os azulejos empregues no interior seriam brancos ou com quaisquer desenhos que o empreiteiro proponha e a fiscalização aceite; os do exterior teriam a decoração conforme os desenhos que a fiscalização fornecesse. *3 - O Conselho considerou neste projecto a ornamentação dos vãos do 1º pavimento pesada e feia; grande a variedade dos tipos de vergas, que iam desde a volta perfeita, até à verga recta, passando por 2 tipos intermédios; a disposição dos caixilhos em guilhotina era aceitável, mas tornava-se necessário harmonizar com ele a disposição das portas do piso térreo, que nem sempre obedecia à mesma orientação, sobretudo nos alçados das empenas; assim o Conselho julga necessário corrigir a forma e decoração dos vãos de portas e janelas, dos vãos do 1º andar. *4 - O novo projecto do edifício de passageiros elaborado pela Direcção dos Caminhos-de-Ferro do Minho e Douro, com as alterações introduzidas, assinado pelo Engº. Chefe do Serviço Avelar Ruas no vestíbulo amplo com venda de bilhetes, ficava a sala de despacho de bagagens à esquerda com acesso directo à rua, evitando que as bagagens atravessassem o vestíbulo; a saída da plataforma para a rua podia-se também fazer, em dias de grande afluência, pelas duas salas de espera, uma de entrada directa pelo vestíbulo e também pelo gabinete do chefe da estação para o caso de este vender os bilhetes; o telégrafo ficava junto ao gabinete do chefe e com acesso directo para a plataforma; as paredes eram todas forradas a azulejo e a plataforma coberta com alpendre em cimento armado; no 2º piso, ficavam 2 casas de habitação e 4 quartos independentes, para alojar o pessoal da estação. *5 - Aquando da inauguração da estação, em 1922, faltava concluir as retretes, o caminho de acesso do cais, a passagem superior no caminho de acesso com cais, construir o edifício da estação, cocheira de carruagens, "remise" para máquinas, instalação para pessoal de trens e de tracção, o alargamento da trincheira de entrada da estação, de uma armação de suporte do cano de água de abastecimento da vila, o qual atravessa a trincheira de entrada da estação, a vedação da estação, assentar as linhas de resguardo, para além da Av. das Longras e outras mais pequenas de acesso, e alargamento do largo em frente do edifício; o que se considerava mais urgente era o alargamento da trincheira de entrada da estação. *6 A inauguração da tracção a "diesel" compreendia uma viagem numa composição especial a Chaves, com a presença do Engº Carneiro Aires, Director-Geral dos Transportes Terrestres, o Engº Amílcar Marques, Presidente do Conselho de Gerência da C.P., o Dr. Manuel Moura, Vogal do Conselho de Gerência da C.P., o Governador Civil de Vila Real, os Presidentes das Câmaras da Régua, Vila Real, Vila Pouca de Aguiar, Santa Marta de Penaguião e Chaves, representantes das forças militares e militarizadas da região, e outros elementos directivos da C.P. e da comunicação social. *7 - A Linha do Corgo ligava Pêso da Régua a Chaves, passando por Vila Real, e foi construída em bitola de via estreita, ou seja, de 1 metro, acompanhando o rio Corgo pela margem esquerda. Actualmente, a linha funciona apenas entre a Régua e Vila Real, troço que vence um desnível de 360 m em 26Km.